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(A) :: De bases militares a campos petrolíferos. Relatório ucraniano revela que Rússia captou imagens de satélite no Médio Oriente para o Irão

De bases militares a campos petrolíferos. Relatório ucraniano revela que Rússia captou imagens de satélite no Médio Oriente para o Irão

Relatório ucraniano revela que russos usaram satélites para realizar 24 levantamentos de áreas em 11 países do Médio Oriente. As imagens terão sido usadas pelas forças de Teerão para preparar ataques.

Adriana Alves
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Os satélites russos realizaram dezenas de levantamentos  detalhados de instalações militares e infraestruturas críticas no Médio Oriente para ajudar o Irão a atacar as forças norte-americanas, conclui  uma avaliação dos serviços de informação ucranianos a que a Reuters teve acesso. Duas fontes militares e de segurança — uma ocidental, outra regional — confirmaram à agência que os seus serviços de informação também verificaram uma intensa atividade de satélites russos na região do Médio Oriente e que as informações recolhidas foram partilhadas com Teerão.

Segundo o relatório, entre os dias 21 e 31 de março os satélites russos fizeram pelo menos 24 levantamentos de áreas em 11 países do Médio Oriente. Durante esse período captaram imagens de 46 “objetos”, desde bases militares, incluindo dos Estados Unidos da América (EUA), a aeroportos e campos petrolíferos. Também dá nota de que após a recolha de imagens as forças iranianas atingiram com mísseis e drones vários dos locais analisados.

Moscovo terá realizado nove levantamentos de parte da Arábia Saudita, sendo que cinco cobriram a cidade militar King Khalid. Essa tarefa, refere a análise ucraniana, parece ter sido parte do esforço para localizar sistemas de defesa aéreos norte-americanos. Também foram vigiadas, pelo menos duas vezes, áreas da Turquia, Jordânia, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Por outro lado, terá sido feito pelo menos um reconhecimento de locais em Israel, no Qatar, no Iraque, no Bahrein e na base naval britânica Diego Garcia.

O relatório refere ainda que os satélites russos também vigiaram ativamente o Estreito de Ormuz, a importante rota no comércio do petróleo e do gás. Acrescenta também que hackers russos e iranianos estiveram a colaborar em várias atividades.

https://observador.pt/especiais/o-caminho-maritimo-pelo-estreito-de-ormuz-que-o-irao-quer-bloquear-a-importancia-desta-rota-no-comercio-do-petroleo-e-do-gas/

Não é a primeira vez que vêm a público dados que referem esta colaboração de Moscovo com Teerão. Aliás, o Kremlin propôs mesmo aos EUA parar de fornecer informações ao Irão se Washington fizesse o mesmo com a Ucrânia. 

https://observador.pt/2026/03/20/kremlin-propos-aos-estados-unidos-parar-de-fornecer-informacoes-militares-ao-irao-se-americanos-fizessem-o-mesmo-com-ucrania/

O Wall Street Journal também tinha avançado em março passado, citando fontes europeias conhecedoras do tema que a Rússia estava a  fornecer imagens de satélite e tecnologia avançada de drones para ajudar o Irão a atingir forças norte-americanas na região.

https://observador.pt/2026/03/18/a-ajuda-secreta-da-russia-ao-irao-ataques-iranianos-passaram-a-refletir-as-taticas-usadas-por-moscovo-dizem-analistas/

E no mesmo mês o Presidente ucraniano anunciou na rede social X que Kiev tinha provas “irrefutáveis” de que a Rússia continua a passar informações secretas ao regime iraniano. Volodymyr Zelensky falava de um relatório do líder dos serviços de informação, Oleh Ivashchenko, sobre a forma como Moscovo estava a passar a Teerão informações que obtém diretamente e também através de parceiros no Médio Oriente.

https://twitter.com/ZelenskyyUa/status/2036103791993344303

https://observador.pt/2026/03/26/nao-e-chantagem-zelensky-reage-a-alegada-proposta-da-russia-de-nao-partilhar-informacoes-com-o-irao-se-os-eua-nao-ajudarem-a-ucrania/

Já na semana passada, em entrevista à NBC News, Volodymyr Zelensky revelou que os russos captaram imagens de satélite de uma base norte-americana na Arábia Saudita — a Prince Sultan — por três vezes. Segundo o Presidente, isso aconteceu nos dias 20, 23 e 25 de março. De notar que a 26 de março o Irão atacou essa base, deixando vários soldados feridos e atingindo uma sofisticada aeronave norte-americana E-3 Sentry AWACS.

O relatório agora divulgado pela Reuters refere que no dia seguinte, 28 de março, um satélite russo sobrevoou aquela zona para avaliar o impacto do ataque.

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