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(A) :: Portugal saúda acordo de cessar-fogo entre EUA e Irão. Rangel diz que era "essencial" para haver "tempo para negociar"

Portugal saúda acordo de cessar-fogo entre EUA e Irão. Rangel diz que era "essencial" para haver "tempo para negociar"

Cessar-fogo é “um primeiro passo determinante” para “uma solução diplomática duradoura e sustentável”, escreve o MNE. À Rádio Observador, Rangel diz que era preciso "ganhar tempo" com período de paz.

Marina Ferreira
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Carla Jorge de Carvalho
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Agência Lusa
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“Era essencial um cessar-fogo para ganhar algum tempo”, considerou Paulo Rangel, em declarações à Rádio Observador, na manhã desta quarta-feira. O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que o conflito no Médio Oriente tem “tantas dimensões difíceis de negociar que seria problemático fazê-lo sem um cessar-fogo”.

O Governo português considera que os 10 pontos apresentados pelo Irão para um cessar-fogo “são um ponto de partida”. “Numa negociação tem de haver cedências, mas também posições claras dos dois lados”, referiu também.

Rangel aproveita para “elogiar muito o papel de mediação do Paquistão, apoiado pelo Egito, Arábia Saudita e Turquia”. “Falei detalhadamente com o meu homólogo paquistanês na segunda e ontem ao final da manhã como o meu homólogo egípcio”, acrescenta, revelando que ambos estavam com “esperança” na chegada a acordo para um cessar-fogo.

Nas redes sociais, o Governo português também saudou o acordo de cessar-fogo e de abertura do estreito de Ormuz alcançado na terça-feira pelos EUA e Irão.

Numa mensagem publicada na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português agradece a mediação do Paquistão, assim como “os esforços de todos os seus parceiros nas negociações”.

https://twitter.com/nestrangeiro_pt/status/2041774205952229793

Em declarações à Rádio Observador, Rangel garantiu ainda que “Portugal não acompanha, em caso nenhum, uma escalada militar e uma escalada retórica” e que, portanto, “não acompanha as declarações” de Donal Trump, que esta terça-feira avançou a hipótese de “uma civilização inteira morrer”.

Paulo Rangel recorda ainda que ontem esteve “cinco horas e meia na comissão dos Negócios Estrangeiros”, na Assembleia da República, a prestar esclarecimentos aos deputados, primeiro numa sessão pública e depois à porta fechada.

Já em relação ao Bloco de Esquerda querer que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apure a legalidade da utilização das Lajes pelos EUA, o ministro considera a ação do partido uma “manobra de distração”, destacando que o partido elegeu “um deputado em 230”. Acrescenta que na sessão à porta fechada no Parlamento “os deputados tiveram acesso a matéria reservada”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros considera ainda que o cessar-fogo é “um primeiro passo determinante” para “uma solução diplomática duradoura e sustentável do conflito”.

Portugal apoiou e apoia com todo o empenho este caminho diplomático, como deixou claro nos contactos dos dois últimos dias com os ministros dos Negócios Estrangeiros do Paquistão e do Egito”, pode ler-se ainda na rede social X.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na terça-feira que aceitou suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num “cessar-fogo bilateral”, e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz “viável”.

https://observador.pt/2026/04/08/trump-avisou-que-uma-civilizacao-inteira-ia-morrer-mas-por-fim-chegou-o-cessar-fogo-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/

Depois, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão confirmou o cessar-fogo bilateral de duas semanas com os Estados Unidos e informou que as negociações para um acordo de paz terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril.