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(A) :: Trump avisou que "uma civilização inteira" ia morrer, mas por fim chegou o cessar-fogo. O que aconteceu no último dia de guerra?

Trump avisou que "uma civilização inteira" ia morrer, mas por fim chegou o cessar-fogo. O que aconteceu no último dia de guerra?

Presidente norte-americano escalou as ameaças ao longo do dia, mas cessar-fogo foi anunciado hora e meia antes do prazo terminar. Dia tinha sido marcado por ataques continuados.

Cátia Bruno
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À beira do 40.º dia de guerra, chegou um cessar-fogo. Esta terça-feira ficou marcada por mais ameaças de Donald Trump, que tinha imposto um prazo até às 20h (hora de Washington) para que o Irão abrisse o Estreito de Ormuz, prometendo “um inferno” se tal não acontecesse.

Durante o dia, Trump declarou “uma civilização inteira vai morrer esta noite”, mas tal não aconteceu. Hora e meia antes de o prazo terminar, o Presidente anunciou que foi alcançado um acordo para um cessar-fogo de duas semanas e que usará o plano de dez pontos apresentado pelo Irão como base para as negociações, que terão lugar em Islamabade e arrancam já na sexta-feira.

Antes disso, o dia tinha sido marcado por vagas de ataques sucessivos de parte a parte. EUA e Israel bombardearam aeroportos e fábricas petroquímicas no Irão, Israel e Hezbollah voltaram a defrontar-se e os países do Golfo foram alvos de vários drones e mísseis iranianos. Ao final do dia, sobravam questões: “como irá funcionar daqui para a frente a circulação no Estreito de Ormuz?” e “irá o cessar-fogo abranger o Líbano” eram algumas.

Pode recordar os acontecimentos de segunda-feira aqui.

https://observador.pt/2026/04/07/o-ultimo-aviso-do-trump-e-a-morte-do-lider-das-secretas-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta terça-feira, dia 7 de abril:

No Irão

  • Faltava uma hora e meia para terminar o prazo que o Presidente Donald Trump deu ao Irão — prometendo bombardear pontes e centrais energéticas se o país não reabrisse o Estreito de Ormuz — quando surgiu a notícia de um acordo de cessar-fogo. Foi Trump quem fez o anúncio, na Truth Social, explicando que será bilateral e que durará duas semanas. Enquanto isso, as duas partes continuarão a negociar, com um primeiro encontro em Islamabade (Paquistão) na próxima sexta-feira.
  • O anúncio de um cessar-fogo chegou depois de um dia em que Trump tinha reforçado as ameaças ao Irão, com o Presidente a declarar: “Uma civilização inteira vai morrer esta noite.”
  • Os EUA bombardearam alvos militares na ilha de Kharg, esclarecendo que não atingiram alvos petrolíferos.
  • As IDF atingiram oito pontes ferroviárias que eram usadas pelo regime iraniano para transportar armamento.
  • Ataques conjuntos EUA-Israel destruíram a sinagoga Rafi-Nia, em Teerão. Telavive explicou que queria atacar o quartel-general de emergência Jatam al-Anbiya e lamentou “os danos colaterais à sinagoga”.
  • As IDF anunciaram que levaram a cabo ataques em três aeroportos de Teerão.
  • Israel atingiu a maior fábrica petroquímica em território iraniano, que fornece o campo de gás de South Pars, e outra instalação petroquímica mais pequena em Shiraz.
  • Os ataques EUA-Israel atingiram áreas residenciais na província de Alborz, matando pelo menos 18 pessoas.
  • As IDF dizem ter atingido mais de 130 sistemas de defesa aérea iranianos.
  • Navios da Malásia e da Turquia tiveram autorização para passar no Estreito de Ormuz.
  • Fontes dos serviços de informações ucranianos avançaram à Reuters que a Rússia estará a usar os seus satélites para “monitorizar ativamente” o Estreito de Ormuz e depois fornecer essas imagens ao Irão.
  • Vários civis iranianos formaram “correntes humanas” em pontes e centrais energéticas, locais que Trump tinha prometido atacar caso o Irão não abrisse o Estreito de Ormuz até ao final desta terça-feira.
  • As autoridades judiciais iranianas detiveram 85 pessoas, acusadas de terem passado informações ao “inimigo”.
  • O Comando Central norte-americano (CENTCOM) anunciou que os EUA atingiram mais de 13 mil alvos no Irão desde o início da guerra.

Em Israel e no Líbano

  • O Irão disparou sete mísseis, dois deles com munições de fragmentação, contra território israelita.
  • Os Houthis reivindicaram ter levado a cabo ataques contra território israelita, em coordenação com o Irão e o Hezbollah.
  • Fragmentos de rockets caíram em cinco cidades israelitas.
  • Um míssil atingiu um edifício residencial em Haifa, matando pelo menos quatro pessoas.
  • Pelo menos 133 pessoas ficaram feridas ao longo do dia, em Israel.
  • O Hezbollah levou a cabo 56 ataques contra forças israelitas, o maior número diário desde o início da guerra.
  • Israel destacou mais uma divisão militar para o sul do Líbano: a 98.ª Divisão de Páraquedistas, que se junta assim às outras seis que já estavam no país.
  • O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, garantiu, depois de ser anunciado o cessar-fogo, que este também engloba o Líbano.
  • Israel ordenou a evacuação de 41 locais no Líbano. Um dos ataques ao sul do país matou cinco pessoas.
  • As Nações Unidas estimaram que haja agora 1,1 milhão de deslocados no Líbano.

No Golfo

  • Um drone iraniano atingiu a base aérea de Ali al-Salem, no Kuwait, ferindo 15 norte-americanos.
  • A Arábia Saudita foi alvo de pelo menos 22 drones e 11 mísseis balísticos. Deflagrou um incêndio no hub industrial de Jubail.
  • O Bahrain fechou uma ponte que ligava o país à Arábia Saudita, como “medida de precaução” pelos ataques iranianos.
  • Os Emirados Árabes Unidos intercetaram vários mísseis e drones iranianos ao longo do dia.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar sublinhou a gravidade do momento, voltando a apelar a todas as partes para que “encontrem uma resolução para acabar esta guerra antes que seja tarde demais”.

No resto do mundo

  • Um drone iraniano matou duas pessoas na região autónoma curda do norte do Iraque. Foram ainda registadas explosões perto do aeroporto de Erbil.
  • O Exército iraquiano intercetou vários drones que terão sido disparados por milícias pró-Irão.
  • Israel e os EUA atacaram vários alvos das Forças de Mobilização Popular (milícia próxima de Teerão no Iraque), nas províncias de Anbar, Salah al-Din, Kirkuk, Diyala e Basra.
  • A milícia iraquiana pró-Irão Kataib Hezbollah libertou a jornalista norte-americana Shelly Kittleson, em troca da libertação de vários membros do grupo autorizada pelo Governo iraquiano.
  • A Rússia e a China vetaram um rascunho do Conselho de Segurança da ONU que havia sido apresentado pelo Bahrain a pedir aos países que recorram a “quaisquer meios necessários” para reabrir o Estreito de Ormuz, num sinal de apoio a Teerão.
  • A Coreia do Sul anunciou que vai enviar cinco navios para o porto saudita de Yanbu, para criar uma rota de fornecimento de petróleo alternativa.
  • Três atiradores morreram depois de terem aberto fogo contra o consulado israelita em Istambul, na Turquia.
  • O preço do petróleo baixou abruptamente depois do anúncio do cessar-fogo. O preço do Brent desceu 15%, fechando o dia a 93 dólares por barril.