Temos assistido a várias crises energéticas. A atual, imposta pelo conflito no Médio Oriente, está a produzir efeitos profundos e transversais no tecido empresarial. A escalada dos preços do petróleo e do gás, aliada à crescente instabilidade geopolítica, veio expor fragilidades estruturais que há muito são conhecidas, mas que continuam por resolver.
Os impactos fazem-se sentir de forma particularmente intensa na indústria transformadora, sobretudo nos setores com maior intensidade energética. Paralelamente, o setor dos transportes e logística enfrenta pressão acrescida, com efeitos de arrastamento sobre toda a economia. O aumento dos custos operacionais, associado à subida dos preços energéticos, terá (já está a ter) repercussões no preço final dos bens e serviços, afetando empresas e consumidores.
A instabilidade no Estreito de Ormuz trouxe, ainda, constrangimentos adicionais às cadeias de abastecimento globais, com atrasos na entrega de matérias-primas e mercadorias, aumento significativo dos custos dos fretes e dos seguros marítimos. Este contexto agrava a incerteza e dificulta o planeamento empresarial, num momento em que a previsibilidade é essencial.
Importa recordar que no cenário macroeconómico do Orçamento do Estado para 2026 está projetado um preço do barril de petróleo de 65,4 dólares, e à hora em que escrevo este artigo está mais de 70% acima desse valor, o que diz muito quanto à necessidade de uma resposta eficaz, como forma de mitigar o impacto nas empresas.
A resposta não pode, contudo, limitar-se ao plano nacional, sendo fundamental uma ação concertada ao nível europeu, célere e robusta, que permita enfrentar esta crise com a dimensão que ela exige.
Ainda assim, esta não é uma questão meramente conjuntural. A crise energética é, acima de tudo, um problema estrutural. Portugal e a Europa continuam excessivamente dependentes de combustíveis fósseis, o que nos torna vulneráveis a choques externos. Urge, por isso, acelerar a transição energética e apostar em soluções sustentáveis que reforcem a autonomia e a competitividade, como também defende Draghi.
Apesar das dificuldades, acredito firmemente na resiliência dos empresários portugueses. Nos últimos anos, demonstraram uma notável capacidade de adaptação perante sucessivas crises. Contudo, o momento atual exige um esforço conjunto — entre empresas, governo nacional e instituições europeias — para garantir não apenas a sobrevivência, mas também o futuro da nossa economia.
Aguardo, pois, com forte expectativa pelas medidas que vão ser tomadas a nível europeu e nacional.