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A Petrobras demitiu o seu diretor de logística responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis, uma semana após o Presidente do Brasil criticar o avultado leilão do gás de cozinha.
O Conselho de Administração da petrolífera estatal aprovou na segunda-feira o fim antecipado do mandato do diretor-executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Romeo Schlosser, com efeitos imediatos.
Em comunicado aos investidores, a Petrobras indicou que o Conselho da petrolífera também aprovou a nomeação de Angélica Laureano que assumiu esta terça-feira o cargo de Schlosser, com mandato até abril de 2027.
A demissão de Schlosser é a primeira baixa no alto escalão da Petrobras na gestão da presidente da estatal Magda Chambriard, que atualmente enfrenta a crise da subida dos combustíveis provocada pela guerra no Médio Oriente.
A demissão antecipada do ex-diretor de Logística da Petrobras ocorre após o Presidente brasileiro, Lula da Silva, criticar o leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), de 70 mil toneladas que foram vendidas por mais do dobro dos preços tabelados.
Lula da Silva classificou o leilão como “bandidagem” e disse que a oferta desrespeitou orientação do Governo Federal e da direção da própria Petrobras.
“Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou Lula da Silva na ocasião.
Em comunicado ao mercado, a Petrobras designou, também na segunda-feira, o conselheiro Marcelo Weick Pogliese como presidente do Conselho de Administração até à próxima Assembleia Geral.
Também no mesmo dia, a companhia informou ter recebido do Governo Federal o nome do atual secretário de Política Económica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para substituir Bruno Moretti no Conselho de Administração da Petrobras e que o nome do economista seja levado em conta para a presidência do órgão.
Moretti deixou a administração da companhia para ser o novo ministro do Planeamento e Orçamento, após a saída de Simone Tebet na semana passada, que, juntamente com outros ministros de Lula da Silva, deixaram o Governo para disputar as eleições de outubro.
“Em conformidade com os procedimentos de governança interna da Petrobras e com a sua Política de Indicação de Membros da Alta Administração, essas indicações serão submetidas à análise dos requisitos legais, de gestão e integridade pertinentes”, informou a Petrobras, em comunicado ao mercado, ao lembrar que o Governo Federal do Brasil é o acionista controlador da companhia.
A convocatória da Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobras está prevista para quinta-feira da próxima semana, 16 de abril.