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EUA. Criança de 3 anos permaneceu mais de cinco meses sob custódia federal e terá sofrido abusos sexuais

Durante cinco meses, o pai, de origem mexicana e residente legal nos EUA tentou, sem sucesso, recuperar a filha. Só após recorrer aos tribunais é que os alegados abusos sexuais vieram a público.

Margarida Vieira dos Santos
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Uma advogada norte-americana especializada em imigração afirma que uma menina de três anos permaneceu mais de cinco meses sob custódia federal nos Estados Unidos. De acordo com Lauren Fisher Flores, a criança terá sido vítima de abusos sexuais por parte de outra criança mais velha, durante esse período, num lar de acolhimento no Texas.

Lauren Fisher Flores, advogada que presta apoio jurídico gratuito a pessoas que procuram asilo no país, contou à ABC News que a criança foi separada da mãe quando ambas tentavam atravessar a fronteira com o México, em setembro de 2025. Pouco depois, foi encaminhada para um lar de acolhimento do Gabinete de Reinstalação de Refugiados (ORR, sigla em inglês) no Texas, onde foi mantida mais de cinco meses.

De acordo com os relatos da advogada à emissora norte-americana, o pai da criança de 3 anos, de origem mexicana e residente legal nos Estados Unidos, tentou, sem sucesso, recuperar a filha. O homem terá apresentado de imediato um documento formal num tribunal federal a declarar a sua responsabilidade pelos cuidados da criança. Em fevereiro de 2026, os seus advogados deram entrada a um pedido de habeas corpus, um mecanismo constitucional que protege contra detenções ou privações de liberdade ilegais, tendo o ORR libertado a criança dois dias depois.

“O pai dela preencheu imediatamente a documentação e, em seguida, recebeu uma série de outros requisitos que continuaram a aumentar, embora a política do ORR indique que, para um dos pais, a libertação deve ocorrer no prazo de 10 dias“, disse Lauren Fisher Flores, citada pela ABC News.

A advogada contou que o pai foi inicialmente informado pelo ORR de que teria ocorrido um “acidente”. Só no decorrer da preparação do processo judicial é que o pai terá tomado conhecimento, através dos seus advogados, de que o alegado “acidente”, referido pelas autoridades norte-americanas, correspondia a um caso de abuso sexual.

“Perguntei-lhes: “O que aconteceu? Quero saber. Sou o pai dela. Quero saber o que se passa”. Eles simplesmente disseram-me que não me podiam dar mais informações, que o caso estava sob investigação”, relatou o pai em entrevista à Associated Press.

Uma cuidadora terá reparado em novembro que a roupa interior da menina estava do avesso, escreve a mesma agência de notícias. De seguida, a criança terá contado à cuidadora que foi vítima de abusos várias vezes, alegando que esses episódios lhe causaram sangue, sendo posteriormente submetida a um exame forense e a uma entrevista. Embora o pai não tenha sido informado dos resultados, a criança mais velha acusada de abuso foi retirada do programa de acolhimento.

O facto foi comunicado à polícia local, segundo Lauren Fisher Flores. “Ter um filho sob os cuidados do governo e vê-lo sofrer abusos, sem compreender o que aconteceu ou como protegê-lo, sem sequer ser informado sobre o abuso… é inimaginável”, criticou a advogada, citada pela mesma agência de notícias. “As crianças merecem segurança e devem estar com os pais”, acrescentou.

O caso ocorre numa altura em que o tempo médio de detenção de crianças migrantes aumentou para 195 dias em fevereiro de 2026, face aos 24 dias registados em 2024, de acordo com dados do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, segundo a ABC News.

O pai e a menina de 3 anos estão agora juntos, disse Lauren Fisher Flores aos jornalistas.