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(A) :: Governo britânico proíbe Kanye West de entrar no Reino Unido devido a atos de anti-semitismo. Festival Wireless foi cancelado

Governo britânico proíbe Kanye West de entrar no Reino Unido devido a atos de anti-semitismo. Festival Wireless foi cancelado

O rapper mostrou-se disposto a reunir com membros da comunidade judaica britânica antes dos concertos para sanar anteriores atos anti-semitas. Starmer diz que Kanye "nunca devia ter sido convidado".

António Moura dos Santos
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Agência Lusa
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O rapper norte-americano Kanye West foi proibido pelo Governo britânico de entrar no Reino Unido devido a declarações anti-semitas que fez nos últimos anos, noticiou a BBC. Perante a proibição da entrada do ‘rapper’, agora conhecido como Ye, o Festival Wireless — no qual tinha três atuações marcadas — foi cancelado, anunciou por seu lado a organização.

“O Ministério do Interior revogou a Autorização Eletrónica de Viagem (ETA) de Ye, negando-lhe a entrada no Reino Unido”, diz o comunicado da promotora Festival Republic. “Como resultado, o Festival Wireless foi cancelado e serão emitidos reembolsos para todos os portadores de bilhetes”.

Kanye West, de 48 anos, que tem um concerto marcado para o Estádio do Algarve, em agosto, pediu na segunda-feira uma Autorização Eletrónica de Viagem para entrar no Reino Unido, mas o pedido foi negado porque “a sua presença não é de interesse público”, noticiou hoje a BBC, citando o ministério britânico do Interior.

https://observador.pt/2026/03/20/kanye-west-anuncia-concerto-no-estadio-do-algarve-a-7-de-agosto/

O rapper estava anunciado como cabeça de cartaz para as três noites do Wireless, marcado para os dias 10 a 12 de julho, no Finsbury Park, em Londres. Hoje, a Festival Republic, no comunicado sobre o cancelamento do Wireless, adianta que “foram consultadas várias partes interessadas antes da contratação de Ye e não foram levantadas preocupações na ocasião” e que “o anti-semitismo em todas as suas formas é abominável e reconhecemos o impacto real e pessoal que estas questões tiveram”.

O primeiro-ministro britânico já reagiu à decisão da proibição da entrada do artista, afirmando que “Kanye West nunca deveria ter sido convidado para ser a atração principal do Wireless”. “Este governo está firmemente ao lado da comunidade judaica e não vamos parar na nossa luta para enfrentar e derrotar o veneno do anti-semitismo. Tomaremos sempre as medidas necessárias para proteger o público e defender os nossos valores”, escreveu Keir Starmer na rede social X.

A polémica com a confirmação de West neste festival deve-se ao facto de, nos últimos anos, ter não só feito várias declarações incendiárias e de conteúdo anti-semita como até ter lançado músicas como Heil Hitler em 2025 e ter tentado vender t-shirts com simbologia nazi num site entretanto removido.

Em janeiro, o rapper pediu desculpa num anúncio no Wall Street Journal, afirmando que “não era nazi nem anti-semita” e que o seu comportamento se devia a um episódio bipolar. “Lamento e fico aterrorizado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com responsabilização, tratamento e mudança significativa. Ainda assim, isso não perdoa o que fiz. Não sou um nazi ou um antissemita. Adoro pessoas judias. À comunidade negra — que me segurou por todos os altos e baixos e durante os tempos mais tenebrosos. A comunidade negra é, sem dúvida, a fundação de quem sou. Lamento imenso ter-vos deixado ficar mal. Adoro-vos”, escreveu.

https://observador.pt/2026/01/26/nao-sou-um-nazi-ou-um-antissemita-kanye-west-faz-pedido-publico-de-desculpa-por-acoes-que-destruiram-a-sua-vida/

Num novo ato de contrição, West divulgou hoje um comunicado em que afirmava estar ciente da polémica. “O meu único objetivo é ir a Londres e fazer um concerto que promova a mudança, trazendo união, paz e amor através da minha música”, lia-se no comunicado publicado na comunicação social britânica. “Gostaria de ter a oportunidade de me encontrar pessoalmente com membros da comunidade judaica do Reino Unido para a ouvir. Sei que as palavras não são suficientes. Terei de demonstrar a mudança através das minhas ações”, escreveu.

A reação de Starmer não foi a primeira em relação a este caso. O primeiro-ministro já tinha condenado o convite ao rapper num artigo publicado no jornal The Sun, no fim de semana, considerando “profundamente preocupante” que West tivesse sido contratado, “apesar das declarações anti-semitas e dos elogios ao nazismo no passado”.

A ministra da Educação britânica, Bridget Phillipson, alinhou pela mesma mensagem esta segunda-feira, citando as declarações “completamente inaceitáveis e absolutamente repugnantes” que o artista fez sobre judeus. O presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, criticou igualmente as declarações do músico e salientou que a autarquia não estava envolvida no festival.

A recusa à vinda de West recolheu apoio generalizado dos vários quadrantes políticos do país, à exceção da extrema-direita, com o líder do Reform, Nigel Farage, a afirmar que o Governo não deveria proibir Kanye West de entrar no Reino Unido. “Se começarmos a proibir pessoas de entrar no país só porque não gostamos do que dizem, receio saber onde isso vai parar… é um caminho perigoso a seguir”, afirmou.

Várias organizações judaicas também já tinham pedido ao governo britânico que proibisse a entrada do rapper no Reino Unido. Em resposta à confirmação de Kanye West como cabeça de cartaz do Wireless, dois dos patrocinadores, a Pepsi e Diageo, retiraram os seus apoios ao festival.

A Festival Republic, que organiza o Wireless, faz parte da Live Nation Entertainment, que se apresenta como “a maior empresa de entretenimento ao vivo do mundo” e opera em várias frentes nesta indústria, em diferentes países, incluindo Portugal.

O concerto de West em Portugal, anunciado pela BOL, está marcado para 7 de agosto, no Estádio do Algarve, em Loulé, e acontece no âmbito da digressão mundial do rapper, com várias datas na Europa, na sequência da edição do seu novo álbum, Bully.