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Quase 1.000 mortos ou desaparecidos no Mediterrâneo este ano, avança Organização Internacional para as Migrações

Ano de 2026 tornou-se dos mais mortíferos desde 2014: em todo o Mediterrâneo, registaram-se pelo menos 990 mortes. "Salvar vidas" é prioridade, mas diretora-geral pede esforços para impedir tráfico.

Agência Lusa
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Mais de 180 pessoas foram dadas como mortas ou desaparecidas nos mais recentes naufrágios no Mediterrâneo, elevando o número total de mortes em 2026 para perto de 1.000, avançou esta terça-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com a agência, que faz parte da ONU, só na rota do Mediterrâneo Central — que liga o Norte de África, nomeadamente a Tunísia e a Líbia, à Europa, através de Itália e Malta — morreram este ano cerca de 765 pessoas.

Este número representa um aumento de mais de 460 pessoas face ao mesmo período do ano passado, o que significa que houve um crescimento de mais de 150% no número de mortos.

Em todo o Mediterrâneo, foram registadas pelo menos 990 mortes em 2026, tornando este um dos inícios de ano mais mortíferos desde 2014.

“Estas tragédias mostram, mais uma vez, que muitas pessoas ainda arriscam a vida em percursos perigosos”, afirmou a diretora-geral da OIM, Amy Pope.

“Salvar vidas tem de ser a prioridade, mas também precisamos de esforços mais fortes e unificados para impedir que os traficantes explorem pessoas vulneráveis e para expandir as rotas seguras e regulares — para que ninguém seja forçado a estas viagens mortais”, defendeu.

Alguns dos piores desastres do ano aconteceram nos últimos dias, sendo que no domingo passado, mais de 80 migrantes desapareceram quando o mau tempo levou um barco a virar-se no Mediterrâneo Central, depois de partir de Tajoura, na Líbia, com cerca de 120 pessoas a bordo.

Um total de 32 sobreviventes foi resgatado por um navio mercante e um rebocador e, posteriormente, levado para a ilha italiana de Lampedusa pela guarda costeira italiana. Apenas dois corpos foram recuperados.

Na quarta-feira passada, 19 pessoas foram encontradas mortas a bordo de uma embarcação no sul de Itália, perto de Lampedusa.

Os sobreviventes disseram que o barco tinha partido de Zuara, na Líbia, durante a noite de 28 para 29 de março.

Cinquenta e oito pessoas foram resgatadas, incluindo mulheres e crianças, várias das quais estavam em estado grave, depois de três dias à deriva no mar devido a uma falha no motor, a falta de combustível e alimentos, e com as condições meteorológicas a agravarem-se.

Os primeiros relatos sugerem que muitas vítimas morreram antes das operações de resgate, possivelmente devido a hipotermia, embora as circunstâncias ainda estejam a ser investigadas.

No mesmo dia, pelo menos 19 migrantes morreram no Mar Egeu, perto de Bodrum, na Turquia, depois de um bote insuflável se ter virado quando estava a caminho da Grécia.

Outros incidentes recentes realçam os riscos ao longo das rotas do Mediterrâneo. A 28 de março, pelo menos 22 pessoas morreram perto de Creta, depois de terem partido do leste da Líbia, enquanto um naufrágio a 30 de março perto de Sfax, na Tunísia, fez 19 mortos e cerca de 20 desaparecidos.

Apesar de se registar uma queda acentuada nas chegadas de migrantes irregulares à Europa, o número de mortes está a aumentar.

A Itália registou, este ano, cerca de 6.200 chegadas, um número inferior às 9.400 contabilizadas no mesmo período de 2025.

A OIM alerta que a capacidade de busca e salvamento continua a ser insuficiente, pedindo uma coordenação mais rigorosa para salvar vidas no mar e apelando ao alargamento das vias legais de migração, de forma a reduzir a dependência de travessias perigosas.

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