O ex-dirigente do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e antigo ministro José Luis Ábalos começa a ser julgado esta terça-feira, em Madrid, num dos casos de alegada corrupção que atingem o líder do Governo de Espanha, Pedro Sánchez.
O julgamento de Ábalos, antiga figura de peso do PSOE, é o primeiro de vários casos de corrupção que abalam a coligação minoritária em Espanha a chegar a tribunal. Ábalos foi ministro entre 2018 e 2021 e, perante as suspeitas de corrupção, foi expulso do PSOE em 2024. O caso colocou o primeiro-ministro numa situação embaraçosa, tendo este chegado ao poder com a promessa de limpar a política espanhola após derrubar um Governo do Partido Popular (PP) conservador numa moção de censura devido ao seu próprio escândalo de corrupção.
Ábalos e o seu antigo assessor, Koldo García, sentam-se no banco dos réus por suspeitas de corrupção com contratos de compra de máscaras e outro material sanitário por organismos e empresas públicas durante a pandemia da Covid-19. São suspeitos de terem ficado com comissões ilegais pela adjudicação de contratos públicos no valor de milhões de euros. O Supremo Tribunal de Madrid vai julgá-los por alegados crimes de suborno, peculato, tráfico de influências, pertença a uma organização criminosa e uso indevido de informação confidencial. Para o ex-ministro, o Ministério Público pediu 24 anos de prisão e para o assessor 19,5 anos. Os arguidos negam as acusações.
Abalos assistiu ao processo com aparente calma enquanto eram lidos os primeiros depoimentos, de acordo com a agência France-Presse (AFP). Ao seu lado, Garcia mantinha o olhar fixo no chão, com a cabeça apoiada na mão, descreve.
Mais de 75 testemunhas e cerca de 20 peritos deverão depor durante o processo, que tem sessões agendadas até 30 de abril. Entre as 11 testemunhas que deverão apresentar-se em tribunal esta terça-feira está Jessica Rodriguez, uma ex-companheira de Abalos que alegadamente recebeu cargos em empresas públicas e auferiu um salário sem comparecer ao trabalho.
Entre as restantes testemunhas chamadas pelo tribunal estão o ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Victor Ángel Torres, e a presidente do Congresso dos Deputados (parlamento), Francina Armengol. Torres e Armengol, que deverão testemunhar por escrito, presidiam, na altura dos alegados crimes, aos governos regionais das Canárias e das Baleares, duas administrações que compraram material sanitário através de contratos agora sob suspeita.
Outras testemunhas que deverão passar pelo tribunal são a presidente do Tribunal de Contas, Enriqueta Chicano, ex-presidentes de várias empresas públicas, um ex-secretário de Estado, o diretor geral da Polícia Nacional e antigos chefes de gabinete dos Ministérios da Saúde e da Indústria.
Esta investigação originou outro processo mais alargado, ainda em investigação, em que estão em causa suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE, relacionadas com eventuais comissões na adjudicação de obras públicas. O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver “indícios muito graves” de corrupção envolvendo alguns dos seus antigos homens de confiança, e pediu desculpa e perdão aos espanhóis e aos militantes socialistas, mas tem reiterado que o PSOE é “uma organização limpa” e não há suspeitas de financiamento ilegal do partido.