Acompanhe o nosso liveblog sobre os conflitos no Médio Oriente
Uma ex-deputada e diplomata israelita foi agredida em Telavive no sábado numa manifestação contra a guerra no Irão. Colette Avital, de 86 anos, acusa a polícia israelita de empurrões que lhe provocaram ferimentos. “Num determinado momento, eu estava parada a tirar fotografias e fui atirada ao chão”, disse à rádio do Exército, declarações que foram citadas pelo jornal Haaretz. Avital, que é natural da Roménia e imigrou para Israel em 1950 após sobreviver ao Holocausto, foi embaixadora de Israel em Lisboa entre 1988 e 1992.
A ex-diplomata defendeu na entrevista que, no início, o protesto decorria de forma pacífica até que os agentes da polícia avançaram sobre os manifestantes. As Forças de Defesa de Israel limitaram as manifestações a 150 pessoas durante a guerra, o que foi contestado pelo Supremo Tribunal de Israel. A polícia terá, então, permitido que participassem no protesto na Praça Habima até 600 pessoas, tendo atuado depois para dispersar os manifestantes.
Também no sábado, o primeiro-ministro de Israel declarou ser “inacreditável” que o Supremo tivesse aprovado uma “manifestação de esquerda” em Telavive. “Numa guerra, a única autoridade que determina as medidas de segurança é o Comando da Defesa Civil”, afirmou Benjamin Netanyahu.
https://twitter.com/netanyahu/status/2040843902190493996
Colette Avital garantiu não ter visto qualquer comportamento agressivo ou provocador que justificasse a intervenção policial. Um vídeo publicado nas redes sociais mostra a confusão que se formou após a atuação da polícia. “Não tenho dúvidas de que receberam ordens superiores para retirar as pessoas à força“, declarou ainda Avital na mesma entrevista.
“Eu estava parada na lateral, então não sei como os polícias chegaram até mim”, disse, falando numa politização da polícia no país. “Não tenho grandes expectativas, mas espero que a polícia não se torne tão violenta“. Vários manifestantes que presenciaram o momento ofereceram-se para chamar os serviços de emergência devido aos ferimentos causados pela queda.
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Roménia, país onde nasceu Avital, fez saber que recebeu com “grande preocupação” a agressão contra Avital, que define como “uma voz tão clara de dignidade e humanismo, seja como uma lutadora determinada contra o antissemitismo ou como promotora da paz e dos direitos humanos”. Toiu Oana disse, no X, que tem a convicção de que o incidente será investigado. O embaixador da Roménia em Israel, Radu Ioanid, expressou também naquela rede social a sua “profunda consternação” e “preocupação com a brutalidade policial”. Dezassete manifestantes foram detidos, segundo o The Times of Israel.
Avital está a ser acompanhada pelos médicos devido aos ferimentos na cabeça, segundo o líder da oposição do Governo de Israel, Yair Lapid. No X, o político questionou “quem foi o polícia que considerou [Avital] uma ameaça tão perigosa ao ponto de empurrá-la?”, e perguntou também “como é possível que o Comissário não tenha ligado para saber como ela está e para pedir desculpa?”.
Colette Avital é ex-deputada do Partido Trabalhista (HaAvoda), tendo atuado no parlamento israelita (Knesset) por dez anos. Foi também diplomata por oito anos, ao representar Israel como embaixadora em Paris (entre 1982 e 1985) e Lisboa (entre 1988 e 1992), e como cônsul-geral em Nova Iorque, entre 1992 e 1996. Nascida em Bucareste, Avital sobreviveu ao Holocausto na Roménia, tendo a sua família sido ameaçada pelos soldados nazis antes de imigrar para Israel, em 1950.
Em entrevista ao jornal Expresso, em janeiro de 2025, Avital relembrou como “tempos difíceis” a sua chegada com a família a Israel, quando havia apenas areia onde hoje há arranha-céus. “Não tínhamos nada, nada. Chegámos com um casaco, dois pares de sapatos para cada pessoa e dois pares de calças. Tivemos de começar do zero”. E declarou ter vivido em Portugal, em 1989, um dos dias mais importantes da sua vida. Naquele ano, o então Presidente Mário Soares convidou-a para um evento em Castelo de Vide, onde o chefe de Estado pediu o perdão oficial aos judeus, que há quase 500 anos haviam sido expulsos do nosso país.