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O último aviso de Trump e a morte do líder das secretas. O que aconteceu no último dia de guerra?

Trump confirmou que prazo para reabrir Estreito de Ormuz é "definitivo" e acaba esta terça-feira, podendo destruir o Irão "numa noite". Israel confirma morte de altos dirigentes do regime iraniano.

José Carlos Duarte
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O relógio está a contar. O Irão tem até às 20h00 (hora em Washington) desta terça-feira para reabrir o Estreito de Ormuz, ou então as infraestruturas do país serão destruídas. O Presidente norte-americano, Donald Trump, avisou, numa conferência de imprensa, que será o derradeiro prazo para Teerão aceitar um acordo. O chefe de Estado avisou ainda o regime iraniano de que pode destruir o país “numa noite”.

Publicamente, o Irão mantém a postura desafiadora face aos Estados Unidos: rejeitou a proposta de cessar-fogo de 45 dias que estava a ser mediada pelo Paquistão. Teerão apresentou uma contraproposta com dez exigências, que não deverão agradar a Donald Trump. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, já classificou as ameaças de Donald Trump de atacar centrais elétricas e pontes como “potenciais crimes de guerra”.

No Irão, Israel avançou com a morte de mais dois altos dirigentes do regime iraniano. O major-general Majid Khademi, que era o líder dos serviços de informações da Guarda Revolucionária, foi assassinado num ataque em Teerão, juntamente com Ashar Bagheri, que desempenhava o cargo de comandante da Unidade 840 da Força Quds.

Pode recordar os acontecimentos de domingo aqui.

https://observador.pt/2026/04/06/o-novo-prazo-de-trump-e-a-escalada-dos-houthis-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta segunda-feira, dia 6 de abril:

No Irão

  • O aviso é final: Donald Trump exigiu que o Irão abrisse o Estreito de Ormuz até esta terça-feira às 20h00 (hora em Washington). Esse prazo é “definitivo”, assinalou numa conferência de imprensa. O Presidente norte-americano ameaçou que poderia destruir o Irão apenas “numa noite”, incluindo com o ataque a pontes e centrais elétricas.
  • O Irão rejeitou formalmente uma proposta de cessar-fogo de 45 dias mediada pelo Paquistão. Em resposta, Teerão apresentou uma contraproposta com dez exigências, incluindo um cessar-fogo regional, a criação de um protocolo de “passagem segura” no Estreito, apoio à reconstrução do país e o levantamento de sanções.
  • Na mesma linha, a Guarda Revolucionária Islâmica assinalou que o Estreito de Ormuz “nunca mais voltará ao estado anterior” para os Estados Unidos e Israel.
  • O secretário da Defesa, Pete Hegseth, usou parte da sua intervenção na mesma conferência de imprensa de Donald Trump e declarou que terça-feira seria “o dia com maior volume de ataques desde o dia 1 da operação”. “Amanhã, ainda mais do que hoje.”
  • O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, classificou as ameaças de Donald Trump de atacar centrais elétricas e pontes como “potenciais crimes de guerra”.
  • As Forças de Defesa de Israel confirmaram a morte do Major-General Majid Khademi, que era o líder dos serviços de informações da Guarda Revolucionária, e de Ashar Bagheri, que desempenhava o cargo de comandante da Unidade 840 da Força Quds, em ataques em Teerão. 
  • Israel confirmou ter atingido o complexo de South Pars (em Asaluyeh) e o complexo Petroquímico de Bandar Imam. De acordo com as IDF, South Pars continha infraestruturas para a produção de propelente destinados a mísseis balísticos. 
  • Foi registado um ataque ao centro de investigação eletrónica da Universidade de Tecnologia Sharif, em Teerão, que resultou em danos num posto de combustível e na mesquita da instituição.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, condenou publicamente o bombardeamento à instituição de ensino superior. O chefe da diplomacia deixou no ar a possibilidade de retaliação: “Os agressores verão a nossa força”.
  • Estados Unidos e Israel continuaram a bombardear o complexo militar iraniano, visando as empresas Electronics Industries em Shiraz e a Shahid Mousavi Offshore Industries em Khorramshahr.
  • Foram bombardeados os aeroportos de Mehrabad, Sepehr e Shahid Aryafor, em Teerão. 
  • Os Estados Unidos atacaram alvos militares no Irão: os ataques atingiram o edifício que albergava a 2.ª Brigada de Forças Especiais Imam Sajjad em Kazeroun. Registaram-se ainda ataques à 92.ª Divisão Blindada em Teerão e ao quartel-general da milícia Basij em Ahvaz. 
  • A Agência Internacional de Energia Atómica confirmou que um projétil caiu a 75 metros do perímetro da Central Nuclear de Bushehr. O fragmento feriu um elemento da segurança e danificou um edifício, mas não foi detetada qualquer radiação. 
  • Ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel a uma zona residencial mataram pelo menos cinco pessoas na cidade de Qom, a sul de Teerão.
  • Bombardeamentos atingiram uma zona residencial em Teerão com equipas da Cruz Vermelha a serrem acionadas para o local.
  • O Irão denunciou que mais de 100 mil instalações civis, incluindo universidades, foram danificadas ou destruídas nos bombardeamentos desde dia 28 de fevereiro.
  • O Irão impediu a passagem de dois navios do Qatar destinados à China. Dezasseis navios de bandeira indiana permanecem retidos no Golfo. 
  • Ao mesmo tempo, quinze navios atravessaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas com autorização explícita do Irão.
  • O regime iraniano executou um homem acusado de atacar uma instalação militar durante os protestos de janeiro.
  • O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano sugeriu que a operação norte-americana de resgate do piloto do caça F-15 pode ter servido de cobertura para roubar urânio enriquecido.
  • O embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir Saeed Irvani, enviou carta ao secretário-geral António Guterres acusando Donald Trump de incitar ao terrorismo.

Em Israel e no Líbano

  • Num intervalo de 10 minutos, o Irão, o Hezbollah e os Houthis lançaram um ataque sincronizado para desgastar as defesas israelitas.
  • Pelo menos sete mísseis balísticos iranianos atingiram Israel.
  • Na cidade israelita de Haifa, o uso de bombas de fragmentação atingiu 10 locais. Um míssil iraniano atingiu um edifício em Haifa; duas pessoas foram retiradas dos escombros e os serviços de emergência israelitas confirmaram duas mortes.
  • Em Petah Tikvah, uma mulher ficou gravemente ferida em resultado dos destroços dos sistemas de defesa aérea de Israel. 
  • O Hezbollah reivindicou 33 ataques em 24 horas, incluindo contra a base militar de Giv’at Olga.
  • Por sua vez, Israel garante ter eliminado 1.100 militantes do Hezbollah desde o início da invasão a 2 de março.
  • Na lógica do prolongamento da ofensiva terrestre no sul do Líbano, as IDF ordenaram a evacuação imediata de mais de 40 aldeias a sul do rio Zahrani.
  • Um ataque israelita em Beirute, destinado a alvos do Hezbollah, acabou por matar um alto funcionário das Forças Libanesas (um partido político cristão do Líbano), o que levou Israel a reconhecer o erro e a pedir desculpa. 
  • Ataques israelitas no Líbano mataram pelo menos 15 pessoas, segundo dados do Ministério da Saúde libanês. Pelo menos quatro civis foram mortos num ataque no sul do Líbano.
  • Um ataque aéreo israelita a um veículo em Kfar Roummane (distrito de Nabatieh) matou quatro pessoas.
  • O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, felicitou Donald Trump pela “missão perfeitamente executada” para resgatar os dois pilotos do caça F-15 que se despenhou.

No Golfo

  • O Irão disparou dois mísseis de cruzeiro contra território dos Emirados Árabes Unidos.
  • Um drone iraniano atingiu um edifício da empresa de telecomunicações Du em Fujairah.
  • As autoridades dos Emirados Árabes Unidos confirmaram que um cidadão do Gana sofreu ferimentos moderados devido à queda de estilhaços de interceção em Abu Dhabi.
  • O território do Kuwait foi alvo de dois mísseis iraniano.
  • A milícia xiita iraquiana pró-Irão, Saraya Awliya al Dam, reivindicou o lançamento de três drones contra a Base Aérea de Ali al Salem, no Kuwait.
  • Quinze militares norte-americanos terão ficado feridos na sequência do ataque à Base Aérea de Ali al Salem, controlada pelos Estados Unidos.
  • Seis pessoas ficaram feridas no Kuwait após um ataque iraniano a uma zona residencial.
  • O Ministério da Defesa da Arábia Saudita confirmou a interceção de dois drones iranianos.
  • A Arábia Saudita intercetou e destruiu sete mísseis balísticos; fragmentos caíram perto de instalações energéticas.
  • Vizinhos na Arábia Saudita no Iémen, os Houthis declararam que o grupo não vai atacar território saudita nos próximos tempos se Riade continuar a mostrar sinais de que pretende uma “desescalada”.
  • No Bahrein, o grupo iraquiano pró-iraniano Jaysh al Ghadab reivindicou um ataque de drones contra a Base Aérea de Sheikh Isa.

No resto do mundo

  • As milícias aliadas do Irão no Iraque reivindicaram 21 ataques de drones contra posições norte-americanas, incluindo o Aeroporto de Bagdade e o consulado norte-americano em Erbil.
  • O Irão lançou quatro vagas de ataques contra bases de grupos de oposição curdos (PAK e Komala) perto de Erbil e Sulaymaniyah, no Iraque, alegando que poderiam estar a querer iniciar uma revolta em território irainao.
  • Em reação às palavras de Donald Trump, os partidos curdos iranianos negaram ter recebido armas dos Estados Unidos para armar manifestantes.
  • A Jordânia intercetou dois drones, mas um terceiro drone e um míssil iranianos caíram em território jordano. A Base Aérea Muwaffaq al Salti era um dos alvos.
  • Israel manteve as operações militares na Faixa de Gaza e realizou rusgas com detenções na Cisjordânia.
  • O Programa Alimentar Mundial da ONU alertou que a guerra no Irão pode desencadear uma crise alimentar global sem precedentes.
  • Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e da Rússia, Sergei Lavrov, falaram por telefone sobre a escalada da guerra no Irão e no Médio Oriente.
  • A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, avisou que a guerra provocará inflação mais alta e crescimento económico global mais lento, mesmo que termine rapidamente.
  • O Conselho de Segurança da ONU vai votar uma resolução sobre as ameaças à navegação no Estreito de Ormuz.