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"O patriarcado cometeu muitos erros no mundo", diz produtor de "Os Testamentos"

A sequela de "A História de Uma Serva" - "Os Testamentos" - estreia a 08 de abril no Disney+. Face aos erros do patriarcado, "a esperança está nesta próxima geração", diz o produtor executivo.

Agência Lusa
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Na nova série “Os Testamentos”, sequela de “A História de Uma Serva”, que estreia a 08 de abril no Disney+ Portugal, é a nova geração de mulheres oprimidas que enfrenta os erros do patriarcado, disse à Lusa o produtor executivo Warren Littlefield.

“O patriarcado cometeu muitos erros no mundo”, afirmou. “E, por isso, a esperança está nesta próxima geração”, que vai tomar medidas para se libertar.

A história é baseada no livro com o mesmo título publicado por Margaret Atwood em 2019.

“Esta é uma mensagem que reconhece os erros do presente e do passado e um sentimento de que a esperança reside nas gerações futuras”, salientou Littlefield.

Com a ação situada cerca de quatro anos depois do final de “A História de Uma Serva (“The Handmaid’s Tale”, no original em inglês), “Os Testamentos” mostra o que aconteceu à primeira geração de meninas criadas na sociedade ultrarreligiosa de Gilead, em que não lhes foi permitido ler nem aprender nada fora do contexto do serviço doméstico e da subserviência aos futuros maridos.

Entre elas está Agnes (interpretada por Chase Infiniti), a filha de June em “A História de Uma Serva”, que lhe foi retirada à força e perdeu o seu nome verdadeiro, Hannah. A jovem vive em Gilead e não conhece o seu passado.

“Se olharmos para o início da série ‘The Handmaid’s Tale’, a primeira coisa que aparece é uma mãe e uma filha que tentam escapar e são separadas”, lembrou o ‘showrunner’ Bruce Miller, na mesma entrevista. Na primeira série seguimos a mãe, June. “Parecia absolutamente lógico que seguíssemos a filha na história seguinte e víssemos o que aconteceu no outro lado dessa moeda”, frisou.

O tema da nova série é o despertar das jovens mulheres doutrinadas para serem obedientes e serviçais, sem autodeterminação. “Elas estão a aperceber-se da realidade do mundo e do poder que têm como pessoas”, apontou o ‘showrunner’. “E como o poder que têm as suas amizades e a forma como pensam pode mudar o mundo”.

Além do regresso de Aunt Lydia, encarnada por Ann Dowd, outra grande protagonista da história é Daisy (Lucy Halliday), que chega à escola de elite onde Agnes estuda como “rapariga pérola”, recrutada no estrangeiro para Gilead.

Bruce Miller notou que a série é mais do que uma história de rebelião, tocando na liberdade, nas relações e no perigo que advém do despertar. “Começamos com as mulheres a perceber onde estão, o que são e como estão limitadas no seu mundo”, disse. “A rebelião pode ser só o início”.

A história de “Os Testamentos” passa-se em Maryland, Virgínia, numa zona mais rural mas que está próxima do centro do poder, em Washington, D.C. É um mundo mais colorido que o da história anterior, mais ensolarado e agrário.

“O ponto de vista mudou e queríamos que parecesse diferente”, explicou Warren Littlefield, acrescentando que a audiência não tem de saber nada sobre a série anterior para apreciar a nova história, e que os criadores não queriam algo que aparentasse ser a sétima temporada de “A História de Uma Serva”.

A dupla, que escreveu e produziu as duas séries, notou que as histórias continuam a ser relevantes hoje em dia, embora se trate de ficção escrita sem correlação com eventos atuais.

“Há algum tempo que Bruce e eu dizemos que, se os nossos temas deixarem de ser relevantes, iremos parar e ficaremos contentes por isso”, notou Littlefield. “Infelizmente, o mundo continua a puxar-nos de volta e a dizer que isto pode ser relevante. Temos a Margaret para nos guiar e, por isso, continuamos”.

“Os Testamentos” tem 10 episódios e os três primeiros estreiam-se a 08 de abril, com um episódio novo por semana.