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A "operação inacreditável" de resgate de um piloto americano e as novas ameaças de Trump ao Irão

Presidente Donald Trump fez conferência de imprensa para dar os detalhes da operação de resgate de um piloto de território iraniano. Secretário da Defesa prometeu "dia com maior volume de ataques".

Cátia Bruno
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Uma operação “inacreditável”. Foi esse o adjetivo repetido uma e outra vez pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, numa conferência de imprensa que teve lugar esta segunda-feira, para classificar o resgate ao longo do fim-de-semana que conseguiu encontrar e retirar de território iraniano um piloto norte-americano — cuja identidade continua por se conhecer.

“Estamos aqui para celebrar o sucesso de uma das operações de resgate mais impressionantes e complexas”, declarou o Presidente, que reconheceu que o sucesso da missão se deveu a “muito talento”, mas também a “um pouco de sorte”. “É um resgate histórico, vai ficar nos livros”, acrescentou. Sobre o piloto, Trump confirmou que “ficou ferido com bastante gravidade e preso numa área cheia de terroristas, como um grupo duro da Guarda Revolucionária e as milícias Basij”.

O Presidente acabou por revelar também detalhes operacionais. “Tínhamos dois grandes aviões à espera, mas havia muita areia molhada e tínhamos receio que fosse difícil descolar”, explicou. “Mas tínhamos um plano de contingência inacreditável. Veio uma aeronave mais leve e rápida e destruímos os outros aviões, porque tínhamos lá equipamento e não valia a pena ficar lá mais quatro horas para tirar esse equipamento.”

O chefe do Estado-Maior, Dan Caine, clarificou que a estratégia foi a de fazer uma operação sandy, uma tática que foi usada na Guerra do Vietname em que um avião de ataque se coloca entre a força de resgate e o fogo inimigo. Essa aeronave “foi atingida por fogo inimigo”, admitiu Caine, explicando que o piloto que conduzia o avião “continuou a combater, continuou a missão” e “ejetou-se para território amigável e está em segurança.”

Apesar de o chefe do Estado-Maior também ter partilhado detalhes sobre a operação, Donald Trump acabou por revelar muitos mais. A certa altura, o Presidente perguntou a Dan Caine quantos homens foram usados na operação e o chefe do Estado-Maior respondeu que “preferia manter isso em segredo” — como já tinha sublinhado antes, dizendo que não poderia revelar tudo, para o caso de vir a ser necessária outra missão do género no futuro. Mas o Presidente riu-se e depois declarou: “Vou-vos dizer, vou manter o número em segredo, mas foram centenas e centenas”.

Trump também acrescentou um dado que não tinha sido revelado pelo Pentágono: como é que o avião do piloto foi inicialmente atingido. De acordo com o Presidente, a sua aeronave terá sido atingida por um “míssil de ombro”, como os Javelins e os RPGs.

Da conferência de imprensa foi também possível inferir que a CIA terá sido uma das grandes responsáveis pelo sucesso da operação, conseguindo encontrar a localização exata do piloto. “É como encontrar uma agulha num palheiro, encontrar este piloto. E a CIA foi inacreditável”, disse o Presidente. Mais à frente, Trump explicou que o piloto foi encontrado graças a um tipo de equipamento de vídeo — não especificando qual a tecnologia — e deu a entender que tal teria sido fruto do trabalho da agência de espionagem.

Negociação ou escalada com o Irão? Trump diz que há “um participante disponível para fazer um acordo”, mas ameaça deitar abaixo o país “numa só noite”

O diretor da CIA, John Ratcliffe, também esteve presente na conferência de imprensa, bem como o secretário da Defesa, Pete Hegseth. Ambos desfizeram-se em elogios ao Presidente, que classificaram como um homem “sem medo” e com “uma determinação de ferro”. “Acreditem nele quando ele diz que, aconteça o que acontecer, não vamos deixar ninguém para trás”, afirmou Ratcliffe.

Já Hegseth usou parte da sua intervenção para comentar a atual situação da guerra com o Irão. “Seguindo instruções do Presidente, hoje será o dia com maior volume de ataques desde o dia 1 desta operação. Amanhã, ainda mais do que hoje”, avisou.

“O Irão tem uma escolha. Escolham de forma sábia, porque este Presidente não brinca. Podem perguntar ao Soleimani, ao Maduro, ao Khamenei”, acrescentou, referindo-se aos líderes iranianos mortos e ao Presidente deposto da Venezuela.

A propósito do ultimato lançado por Trump ao Irão — ou abrem o Estreito de Ormuz ou os EUA vão destruir centrais energéticas e pontes no Irão, a partir da noite de terça-feira —, o Presidente deixou mais ameaças aos iranianos. “O país pode ser deitado abaixo numa só noite e essa noite pode ser amanhã”, declarou.

Contudo, o Presidente também manteve em aberto a esperança nas negociações, repetindo que está a negociar com novos líderes do regime que são “mais espertos, mais inteligentes, muito menos radicais”. “Não posso falar do cessar-fogo, mas posso dizer que temos um participante disponível do outro lado para fazer um acordo. Não posso dizer quem é”, acrescentou.

Se inicialmente Trump disse não querer dar muitos detalhes do que pode fazer esta terça-feira — “não posso revelar o plano aos media” —, acabou por concretizar mais à frente. “Nós temos um plano, graças ao poder do nosso Exército, para que cada ponte no Irão seja dizimada às 12h da noite, que cada central energética esteja a arder e a explodir, sem poder ser usada novamente, às 12h da noite. Aconteceria num período de quatro horas.”

Questionado várias vezes se está mais inclinado para a negociação ou para a escalada do conflito, o Presidente colocou a bola do lado iraniano: “Depende do que eles fizerem, isto é um período crítico”.

Contudo, Donald Trump reconheceu que reabrir o Estreito de Ormuz “é uma grande prioridade” e descreveu os iranianos como “uns tangas”, por conseguirem causar disrupção no comércio mundial com apenas algumas minas. Questionado sobre a aplicação de portagens pelo Irão no Estreito de Ormuz, que terão sido aprovadas pelo Parlamento em Teerão, Trump respondeu: “Por que não sermos nós a cobrar portagens? Nós somos o vencedor”.