São cada vez mais sólidas as provas que mostram que a filha adolescente do líder norte-coreano, Kim Jong Un, vai ser a sua sucessora. É nisso que acreditam os serviços de informações sul-coreanos, depois de a jovem ter sido vista a conduzir um tanque.
Apesar de esta não ser uma prova definitiva e de a agência garantir que recolheu “informação credível”, a imagem escolhida parece, de resto, pouco subtil: como a Reuters escreve, as imagens de Kim Jong Un e a sua filha a conduzirem um novo tanque — divulgadas pela agência estatal do país –, que se seguem a fotografias da jovem a disparar e segurar armas, são uma “homenagem” às aparições públicas que o próprio líder fez quando se preparava para suceder ao seu pai.
A agência cita deputados sul-coreanos que, com base na avaliação do Serviço Nacional de Informações, acreditam assim que a jovem — que se “acredita” que tem 13 anos e se chama Kim Ju e, existindo muito pouca informação oficial sobre a potencial sucessora — chegará ao poder a seguir ao pai.
Segundo esta avaliação, as imagens da jovem a conduzir o tanque ou a pegar em armas, mas também a participar em vários eventos militares, servem para garantir que será uma líder com “aptidão militar”, além de tentar dissipar dúvidas ou reservas sobre o facto de ser mulher.
É assim que Kim Jong Un estará a construir a “narrativa da sucessão”, numa altura em que a adolescente assume uma posição cada vez mais proeminente no Estado norte-coreano.
Ainda assim, a Reuters citam especialistas em política norte-coreana, como o analista Hong Min, do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, que desvalorizam a importância da imagem do tanque por um detalhe: na altura em que estava a ser preparado para suceder ao pai, Kim Jong Un costumava aparecer sozinho e não ao lado dele, ao contrário do que acontece com a filha.
A mesma agência sul-coreana tinha feito um relatório, em fevereiro, em que já defendia, ainda que de forma mais preliminar, que Ju Ae estaria a ser posicionada de forma diferente, “estando no passo de ser internamente apontada como sucessora”, dizia o deputado Lee Seong-kweun, citado também pela Reuters na altura.
A dinastia Kim governa o país desde a sua fundação, em 1948, tendo Kim Jong-un sucedido ao pai e ao avô. A existência de Ju Ae foi revelada em 2022, quando esta assistiu com o pai ao lançamento de um míssil balístico intercontinental.