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Áudio revela que Trump ameaça começar uma guerra para evitar que sejam revelados os ficheiros Epstein?

“Se vou abaixo, levo toda a gente comigo." É possível ouvir a frase num áudio com suposta voz de Donald Trump. Presidente dos EUA terá ameaçado começar guerra por causa do caso Epstein. É verdadeiro?

José Carlos Duarte
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A frase

Um suposto áudio atribuído ao presidente Donald Trump gerou uma onda de choque diplomática e política neste sábado (7), ao sugerir que o mandatário teria ameaçado iniciar uma guerra para impedir a divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein

— Utilizador de Facebook, 07 de março de 2026

A ligação entre Donald Trump e Jeffrey Epstein continua a motivar várias publicações nas redes sociais. O mistério em redor dos documentos e as possíveis ligações do Presidente norte-americano ao magnata condenado por montar uma rede sexual de menores terá tido um novo desenvolvimento, segundo alguns posts nas redes sociais.

De acordo com essas publicações, teria sido divulgado ao público um áudio confidencial de Donald Trump. A voz parece ser do Presidente norte-americano. No ficheiro partilhado nas redes sociais, o líder dos Estados Unidos terá garantido que não “ia divulgar os ficheiros do Epstein” na íntegra (apesar de 3,5 milhões já terem sido revelados pelo Departamento de Justiça).

Num áudio que contém uma alusão à congressista Marjorie Taylor Greene — que entrou em rota de colisão com Donald Trump por causa dos ficheiros Epstein e do apoio norte-americano a Israel —, o Presidente norte-americano terá sugerido que se “deveria começar uma guerra” para que os ficheiros não fossem relevados e o assunto perdesse mediatismo.

“Se eu vou abaixo, levo toda a gente comigo”, ouve-se no áudio atribuído a Donald Trump. As publicações ressurgiram no início de março, numa altura em que a guerra do Irão estava a começar. Os posts sugerem assim que o conflito iraniano foi uma forma que o Presidente norte-americano arranjou para desviar as atenções dos ficheiros Epstein — argumento que, aliás, tem sido repetido pelos seus críticos.

“Um suposto áudio atribuído ao presidente Donald Trump gerou uma onda de choque diplomática e política”, lê-se nas publicações, que recordam também que a sua divulgação ocorreu num momento em que o líder republicano e Marjorie Taylor Greene cortaram relações, após “acusar o Presidente de tentar bloquear documentos” do caso Epstein.

As publicações sugerem que a Casa Branca já apelidou este áudio como sendo “fake news”. Contudo, nenhuma fonte credível comprova que a presidência norte-americana foi alguma vez questionada em relação a este assunto ou teve conhecimento do áudio em questão. Na mesma medida, não existe qualquer fonte verídica que confirme que Donald Trump tenha mesmo feito estas declarações.

Este áudio surgiu inicialmente em meados de novembro de 2025 (muito antes da guerra do Irão) na conta do TikTok entretanto eliminada chamada fresh_florida_air. Ainda assim, o vídeo original ainda está disponível online, tendo a inscrição: “Trump noutra chamada com o seu gabinete”.

Ora, além dessa inscrição, existe outra que revela que o áudio é falso: vê-se o símbolo do Sora, a ferramenta do ChatGPT que permite criar vídeos com o recurso à Inteligência Artificial (IA). O Observador consultou também detetores de áudio de IA — como o undetectable.ai — que garantem que o áudio foi “provavelmente gerado com inteligência artificial”, havendo a probabilidade de apenas 1% de ser real.

Conclusão

Não é verdade que o áudio difundido nas redes sociais comprove que Donald Trump tenha querido criar uma guerra para divergir atenções. Ainda que vários oponentes políticos tenham sugerido esse cenário, o que está a ser divulgado não é verdadeiro. O áudio surgiu numa conta de TikTok com uma indicação da Sora — uma ferramenta do ChatGPT — em novembro de 2025. Os detetores de AI também consideram que, com uma elevada probabilidade, o áudio foi gerado através de Inteligência Artificial.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.