Em mais um dia de reunião (é já a 53ª) entre o Governo, a UGT e as confederações patronais, a CGTP convocou os jornalistas para uma declaração à frente do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSS). “Estamos perante um Governo profundamente antidemocrático e que aquilo que está a fazer é inconstitucional“, acusou Tiago Oliveira, secretário-geral da central sindical.
“A CGTP tem o inteiro direito de estar presente nas reuniões de concertação social. Este processo tem mostrado que o Governo está a cozinhar o seu processo à margem das reuniões da concertação social”, afirmou também o dirigente sindical à porta do edifício governamental, onde às 15h00 da tarde arrancou a nova ronda negocial entre a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, a UGT e os representantes das confederações patronais.
A central sindical garantiu ainda que tem recusado participar em “reuniões paralelas” para que o Governo fique sem hipótese de dar “a impressão que está a discutir” com a central. A CGTP tem defendido desde julho do ano passado que o Executivo retire na totalidade o anteprojeto da reforma laboral.
O líder da central sindical considera mesmo que o Governo está a “formar à socapa” uma nova lei do Trabalho. “Quer construir um pacote laboral que vai contra os trabalhadores”, atirou ainda.
O secretário-geral da CGTP acusou também Luís Montenegro de “não ter a mínima noção da realidade” quando diz que o “país está melhor e que os trabalhadores estão melhor”, referindo o aumento do cabaz alimentar e o recente aumento significativo do preço dos combustíveis.
“Todas as formas de luta estão em cima da mesa”, referiu ainda o dirigente sindical, a recordar que a “vontade do Governo, não havendo acordo em sede de concertação social, é a de avançar com o documento para a Assembleia da República”.
Questionado sobre a hipótese de convocar uma greve geral, Tiago Oliveira diz que chegará uma hora em que os trabalhadores “se farão ouvir e responsabilizar os partidos sobre a posição que vão tomar em relação ao pacote laboral”.