(c) 2023 am|dev

(A) :: Especialista em contra-espionagem e em conter fugas de informação. Quem era Majid Khademi, o chefe das secretas iranianas morto por Israel?

Especialista em contra-espionagem e em conter fugas de informação. Quem era Majid Khademi, o chefe das secretas iranianas morto por Israel?

Majid Khademi foi o mais recente líder de topo iraniano morto por Israel. Liderava os serviços secretos da Guarda Revolucionária do Irão e tinha uma longa carreira em segurança e contra-espionagem.

João Francisco Gomes
text

Siga aqui o liveblog do Observador sobre a guerra no Irão

No mais recente ataque contra a cúpula política e militar iraniana, as forças armadas israelitas mataram esta segunda-feira o major-general Majid Khademi, chefe dos serviços secretos da Guarda Revolucionária do Irão.

A informação foi confirmada pela própria imprensa iraniana, que atribuiu a morte de Khademi a um “ataque terrorista do inimigo americano-sionista (israelita)”.

Descrito como um comandante “estimado” que dedicou “quase meio século” às forças iranianas, Khademi foi o mais recente alvo de uma série de ataques dos EUA e de Israel que, com vista a decapitar o regime iraniano, têm vindo a eliminar dezenas de altos líderes políticos e militares do país.

Como chefe dos serviços secretos da Guarda Revolucionária do Irão, Khademi era um dos principais responsáveis da cúpula político-militar iraniana. Como explica a Reuters, atuando em paralelo com os serviços de informações civis, os serviços secretos da Guarda Revolucionária do Irão têm um papel central no aparelho de vigilância interna, assumindo entre os seus principais objetivos o combate à influência externa (particularmente norte-americana) na sociedade iraniana.

https://observador.pt/liveblogs/ataques-iranianos-a-haifa-e-ao-centro-de-israel-fazem-2-mortos-e-varios-feridos-mediadores-estarao-a-fazer-ultimo-esforco-para-cessar-fogo/

Khademi ocupava este cargo desde junho de 2025, altura em que substituiu naquelas funções o seu antecessor, o general Mohammad Kazemi, morto nos ataques israelitas contra o território iraniano durante a Guerra dos Doze Dias. Quando anunciou a morte de Khademi, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, descreveu-o como um dos três principais líderes da Guarda Revolucionária do Irão.

Antes de ter sido nomeado como líder do braço de informações da Guarda Revolucionária, Khademi liderava desde 2022 a Organização de Proteção das Informações, também dentro da Guarda Revolucionária iraniana, diretamente responsável pela vigilância interna e pela contra-espionagem.

Segundo a edição persa da BBC, este general surgia em público com dois nomes: por vezes era identificado como Majid Khademi; outras vezes, surgia sob o nome Majid Hosseini. A BBC diz que nunca ficou claro qual era o seu nome verdadeiro.

O que se sabe, contudo, é que Khademi teve uma longa carreira, ocupando múltiplos cargos ligados ao aparelho de segurança do Irão, tanto na Guarda Revolucionária como no Ministério da Defesa do país.

Como líder da Organização de Proteção das Informações, Khademi foi diretamente responsável por investigar as possíveis infiltrações estrangeiras nos serviços secretos iranianos e conter fugas de informação de dentro do aparelho de segurança iraniano — uma preocupação particularmente intensa para o regime de Teerão, que, sobretudo nos últimos anos, foi alvo de ataques especialmente eficazes contra a sua cúpula política e militar.

No passado, Khademi subiu na carreira da espionagem iraniana, liderando os departamentos de contra-espionagem no Ministério da Defesa e na Guarda Revolucionária.

Antes de 2022, altura em que trabalhava no Ministério da Defesa, o nome de Khademi já surgia nos radares dos analistas internacionais como uma figura promissora do regime iraniano a que importava prestar atenção — já que era apontado como um dos principais elementos da nova geração que podiam chegar ao topo hierarquia da Guarda Revolucionária.

De acordo com a BBC, em fevereiro deste ano, Khademi acusou o Presidente dos EUA, Donald Trump, de alimentar intencionalmente a violência dos protestos no Irão com o objetivo de maximizar as mortes de manifestantes e obter uma justificação para intervir militarmente no país.

Khademi terá mesmo alegado que, durante os fortes protestos anti-regime do início do ano, em que morreram pelo menos 7 mil pessoas, mais de uma dezena de serviços secretos estrangeiros estiveram envolvidos na promoção das manifestações.

Israel afirma que Khademi foi um dos principais responsáveis pelo aparelho de repressão interna do Irão, monitorizando civis iranianos ligados aos protestos anti-regime para esmagar a oposição.