A tripulação da missão Artemis II está, oficialmente, a ser puxada pela Lua. Os astronautas ainda não estão em órbita, mas na madrugada desta segunda-feira a cápusla Orion, que leva os quatro elementos da tripulação, entrou na esfera de influência gravitacional da Lua.
Neste momento, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen estão a cerca de 40 mil quilómetros do satélite natural da Terra e espera-se que daqui a cerca de 12 horas a tripulação perca comunicações com a equipa terrestre da NASA durante aproximadamente 40 minutos e complete uma passagem pelo lado oculto da Lua.
Esta zona de influência gravitacional não é ainda a órbita lunar — ou uma chegada à Lua. A nave entrou nesta região a cerca de 66 mil quilómetros de distância da Lua, onde as forças gravíticas exercidas pelo satélite são superiores às da Terra. Por isso, neste preciso momento, a gravidade terrestre já não está a influenciar a rota da missão. O trabalho está a ser feito pela Lua.
A Orion não chega a entrar na órbita lunar, passando, no seu ponto mais próximo, a 6.500km da Lua. Trata-se de um “fly by“, uma passagem “livre” em que a tripulação vai utilizar as forças gravíticas lunares para catapultar o regresso à Terra sem necessitar de gastar combustível para definir a rota — apenas correções de trajetória que já estão previstas no plano de missão.
Será pela 0h02 (hora de Lisboa) que será esta passagem mais próxima pela superfície lunar, numa altura em que a tripulação já estará sem comunicações com a equipa em Terra há mais de 15 minutos (e ainda durante outros 20 após esta etapa). Durante cerca de seis horas, os quatro astronautas vão dedicar o seu tempo a tirar fotografias e registar observações nunca antes feitas sobre o lado oculto da Lua com olhos humanos, que deverão ser divulgadas durante a próxima madrugada.