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UE admite "crise longa", racionamento de combustíveis e libertação de mais reservas de petróleo

Os preços dos bens energéticos, com os combustíveis à cabeça, irão permanecer "elevados por muito tempo", admite comissário europeu da Energia. "Todas as possibilidades de medidas" em cima da mesa.

Edgar Caetano
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Todas as possibilidades” estão em cima da mesa. A Comissão Europeia admite medidas como o racionamento de combustíveis e a libertação de mais reservas de emergência, perante o risco de uma “crise longa” associada ao conflito no Médio Oriente.

Dan Jørgensen, comissário europeu da Energia e Habitação, avisa em entrevista ao Financial Times que “esta será uma crise longa” e que “os preços dos bens energéticos irão manter-se elevados por muito tempo“. O responsável não quis ser mais específico mas acrescentou que em alguns produtos “essenciais prevemos que as coisas vão ainda piorar nas próximas semanas”.

A União Europeia “ainda” não está numa situação que se possa considerar de “crise de fornecimento” de combustíveis e de outros bens energéticos, igualmente afetados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. No entanto, o dinamarquês confirma que Bruxelas está a trabalhar em planos de contingência para o caso de surgirem “impactos estruturais, duradouros“.

A Europa está a preparar-se para o pior, embora ainda não tenhamos chegado a uma situação em que é preciso racionar produtos essenciais, entre os quais o jet fuel e o gasóleo. Mas, quero dizer, é melhor prevenir do que remediar”, assinalou.

“Estamos a avaliar todas as possibilidades e é claro que quando mais a situação se agrava, mais teremos de avaliar medidas legislativas”, acrescentou Dan Jørgensen, reconhecendo que “a retórica e as palavras que se está a utilizar hoje é mais contundente do que no início desta crise”.

À medida que o conflito se arrasta no tempo, será cada vez mais um cenário em cima da mesa a libertação de mais reservas de emergência, na linha do que foi feito no mês passado (a maior libertação de reservas estratégicas da história da União Europeia, com o objetivo de travar o aumento dos preços). Essa foi uma libertação de reservas coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE) em que Portugal contribuiu com dois milhões de barris de petróleo, 10% do total armazenado.

https://observador.pt/2026/03/11/agencia-internacional-de-energia-liberta-400-milhoes-de-barris-de-petroleo-portugal-contribui-com-dois-milhoes-das-suas-reservas/

Os comentários de Dan Jørgensen surgem na sequência de outras ideias que tinha transmitido numa conferência de imprensa no final de março. “Ninguém sabe quanto tempo durará a crise, mas penso que é muito importante sublinhar que não será curta porque, mesmo que houvesse paz amanhã, continuariam a existir consequências, já que as infraestruturas energéticas da região foram destruídas pela guerra e continuam a ser destruídas”, salientou o responsável.