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(A) :: O novo prazo de Trump e a escalada dos Houthis. O que aconteceu no último dia de guerra?

O novo prazo de Trump e a escalada dos Houthis. O que aconteceu no último dia de guerra?

Numa mensagem cheia de linguagem obscena, o Presidente norte-americano fez mais um ultimato ao Irão, alargando o prazo para terça-feira. Os Houthis dispararam em direção a Israel.

Cátia Bruno
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“Vocês vão viver no inferno.” Foi assim que Donald Trump ameaçou o Irão, numa mensagem publicada nas redes sociais com vários palavrões em que dá um novo prazo ao país para acabar com os ataques no Estreito de Ormuz — terça feira, dia 7, às 20h (hora de Washington DC). O Irão respondeu pela voz de um dos seus vice-presidentes, acusando os EUA de estarem a falhar no fornecimento de serviços sociais ao seu próprio povo, invocando a guerra como desculpa.

O 37.º dia de guerra também ficou marcado pela escalada de envolvimento dos Houthis. O grupo do Iémen disparou um míssil em direção a Israel, o quinto desde o início da guerra. E um antigo conselheiro do aiatola Khamenei ameaçou que basta “um sinal” do Irão para que os Houthis bloqueiem o Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, o que atrofiaria ainda mais o comércio mundial.

Para além disso, neste domingo voltou a haver troca intensa de fogo entre Israel e o Hezbollah, com várias baixas a registarem-se em território libanês e com o grupo xiita a usar pela primeira vez desde o início do conflito um míssil de cruzeiro anti-navio.

Pode recordar os acontecimentos de sábado aqui.

https://observador.pt/2026/04/05/eua-renovam-ultimato-ao-irao-e-resgatam-piloto-em-territorio-iraniano-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste domingo, dia 5 de abril:

No Irão

  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, deu um novo prazo para o Irão deixar de conduzir ataques no Estreito de Ormuz: 20h (hora de Washington DC) da próxima terça-feira, dia 7. Numa mensagem cheia de palavrões, publicada nas redes sociais, o Presidente ameaçou fazer explodir todas as centrais energéticas e pontes no Irão se este não responder ao ultimato. “Vocês vão viver no inferno”, ameaçou.
  • Um dos vice-presidentes do Irão reagiu à mensagem de Trump. “Na noite passada Trump falou da sua incapacidade de fornecer ‘creches e saúde’ ao povo americano, invocando a guerra como desculpa, e hoje ameaçou destruir as ‘centrais energéticas e pontes’ do Irão”, escreveu Mohammad Reza Aref no X.
  • O Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou que a operação de resgate para libertar os militares de um F-15 que foi abatido em território iraniano foi bem sucedida. Durante a missão de resgate, cinco pessoas terão morrido, nenhuma delas norte-americana.
  • Israel atacou várias entradas de túneis no Irão. O objetivo é atacar os túneis onde as IDF acreditam que os iranianos estarão a esconder lançadores de mísseis.
  • Pelo menos nove pessoas morreram em ataques norte-americanos à província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, no sul do Irão.
  • Outras três pessoas terão morrido em ataques conjuntos EUA-Israel na fronteira norte do Irão com o Azerbaijão.
  • Um ataque a uma fábrica petroquímica no Irão terá matado sete pessoas e ferido 170.
  • Os EUA e Israel destruíram dois lançadores de mísseis iranianos, um na província do Curdistão e outro em Fars. Os lançadores seriam adaptados aos mísseis Haj Qassem, que têm um alcance de 1.400 quilómetros.
  • Os ataques de Washington e Telavive atingiram várias bases da Guarda Revolucionária: uma no aeroporto de Ahvaz e outra em Esfahan.
  • Israel e Estados Unidos mataram várias figuras de topo do regime, incluindo o brigadeiro-general Mostafa Azizi, da Guarda Revolucionária, Mohammad Ghahi, que liderava o comércio petrolífero da Guarda, e o brigadeiro-general Masoud Zare, comandante da academia de Força Aérea.
  • As IDF disseram ter atingido mais de 120 sistemas de mísseis e de defesa aérea iranianos em 24 horas.
  • A Rússia retirou mais de 200 pessoas da sua equipa que trabalhavam na central nuclear de Bushehr, no Irão, depois de esta ter sido atacada. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse haver risco de contaminação radioativa na região.
  • O banco iraniano Sepah terá sofrido perturbações na sua rede informática, o que terá impossibilitado o pagamento de salários a vários membros da Guarda Revolucionária e do Exército.
  • O antigo conselheiro do Líder Supremo Ali Khamenei, Ali Akbar Velayati, declarou que o Irão olha para o Estreito de Bab el-Mandeb, controlado pelos Houthis, da mesma forma que olha para Ormuz. O comércio energético mundial, disse, pode ser completamente afetado com “um simples sinal”.
  • O Irão manteve conversações com Omã para discutir a possibilidade de permitir a passagem de navios do país no Estreito de Ormuz.
  • Um petroleiro iraquiano conseguiu passar pelo Estreito sem ser atacado, depois de o Irão ter dito que o Iraque tem autorização para circular naquela zona.
  • A Procuradoria-Geral de Teerão ordenou o confisco de bens e congelamento de contas de mais de cem pessoas, acusadas de “apoiar o inimigo no estrangeiro”.
  • O Irão executou duas pessoas que foram detidas durante os protestos de janeiro.
  • O Presidente Donald Trump revelou que os EUA terão tentado fornecer armamento aos manifestantes iranianos no ano passado, através dos curdos, e que estes terão ficado com esse armamento, que não chegou aos destinatários.

Em Israel e no Líbano

  • O Irão disparou pelo menos cinco mísseis contra Israel. Um deles terá caído na zona industrial de Neot Hovav e outro num edifício residencial em Haifa, ferindo gravamente uma pessoa.
  • As IDF dizem ter sido disparado um míssil do Iémen em direção a Israel — é o quinto projétil dos Houthis contra território israelita desde o início da guerra.
  • Um pacote fumegante foi detetado no aeroporto de Ben-Gurion, em Israel. Os bombeiros responderam ao incidente.
  • O Ministério da Saúde israelita diz que 108 pessoas foram hospitalizadas com ferimentos ao longo de domingo. O número de feridos no país desde o início da guerra é de quase sete mil pessoas.
  • Um ataque israelita no sul de Beirut, que terá atingido os arredores do maior hospital público libanês, matou pelo menos quatro pessoas.
  • Israel atacou a cidade de Kfar Hatta. Sete pessoas, incluindo uma criança de quatro anos, terão morrido no ataque. O Líbano diz que um dos seus soldados foi morto no ataque.
  • Outro ataque das IDF em território libanês, desta vez na região de Tyre, matou outras três pessoas. Em Maarakeh, cinco pessoas também morreram na sequência de ataques.
  • O Exército israelita atacou bases do Hezbollah e da empresa de combustível Amana, que pertence ao Hezbollah.
  • O Hezbollah usou pela primeira vez um míssil de cruzeiro anti-navio, disparando-o contra um navio israelita que estava na costa do Líbano.
  • O Hezbollah diz ter levado a cabo 40 ataques contra militares israelitas num só dia.
  • Israel garante que o Hezbollah já levou a cabo 165 ataques com rockets que atingiram o território controlado pela Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
  • De acordo com o Ministério da Saúde libanês, mais de 1.400 pessoas morreram e mais de quatro mil ficaram feridas desde o início da guerra.

No Golfo

  • O Irão disparou quatro mísseis de cruzeiro contra o Kuwait.
  • Drones iranianos atingiram infraestruturas energéticas e de dessalinização de água no Kuwait. Também a petrolífera estatal do país disse ter registado “perdas materiais significativas” num ataque com drone às suas infraestruturas.
  • Dois mísseis de cruzeiro foram disparados contra o Qatar.
  • Teerão atacou os Emirados Árabes Unidos com outro míssil de cruzeiro.
  • Deflagrou um incêndio numa fábrica petroquímica de Abu Dhabi, depois de esta ser atingida com estilhaços.
  • O Irão disparou um míssil de cruzeiro contra a Arábia Saudita.
  • O Bahrain registou um incêndio numa das suas infraestruturas petrolíferas na sequência de um ataque iraniano.
  • O rei do Bahrain, o xeque Hamad al-Khalifa, declarou que os ataques iranianos devem “parar imediatamente”.
  • A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, concluiu a sua visita aos países do Golfo. Meloni esteve na Arábia Saudita, no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos.
  • Mohamed ElBaradei, antigo diretor da Agência Internacional de Energia Atómica, apelou aos países do Golfo para que tomem uma atitude em relação às ameaças de Donald Trump. “Por favor, mais uma vez, façam tudo o que está ao vosso alcance antes que este louco transforme a região numa bola de fogo”, escreveu no X.

No resto do mundo

  • Os Houthis reivindicaram ter levado a cabo ataques conjuntos com o Irão.
  • EUA e Israel atacaram milícias iraquianas pró-Irão na província de Salah al-Din.
  • Dois familiares do general Qassem Soleimani, morto pelos EUA em 2020, terão sido detidos nos Estados Unidos, depois de lhes terem sido retiradas as suas autorizações de residência.
  • A OPEC sublinhou que a reparação das infraestruturas energéticas atingidas durante esta guerra “é cara e demorará muito tempo”. A organização dos países exportadores de petróleo aceitou aumentar as suas quotas de produção para 206 mil barris de petróleo por dia.