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(A) :: Familiares de general iraniano Qassem Soleimani detidas pelo ICE nos Estados Unidos

Familiares de general iraniano Qassem Soleimani detidas pelo ICE nos Estados Unidos

Hamideh Soleimani Afshar, de 47 anos, sobrinha de Soleimani, e a sua filha, Sarinasadat Hosseiny, de 25 anos, viram as suas autorizações de residência revogadas, anunciou Marco Rubio.

João Francisco Gomes
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As autoridades norte-americanas detiveram uma sobrinha e uma sobrinha-neta do general iraniano Qassem Soleimani, o líder da Guarda Revolucionária morto pelos EUA em 2020, anunciou este sábado o Departamento de Estado dos EUA, confirmando que a decisão foi tomada por decisão direta do secretário de Estado do país, Marco Rubio.

Em causa está Hamideh Soleimani Afshar, de 47 anos, sobrinha de Soleimani, e a sua filha, Sarinasadat Hosseiny, de 25 anos, que viram as suas autorizações de residência revogadas e se encontram agora sob custódia do ICE, a agência federal norte-americana para as fronteiras e imigração, que tem protagonizado a forte repressão à imigração irregular sob a presidência de Donald Trump.

De acordo com o comunicado do Departamento de Estado dos EUA, Hamideh Soleimani Afshar era uma “defensora declarada do regime totalitário e terrorista no Irão”.

A mulher entrou nos EUA em 2015 com um visto de turista. Quatro anos depois, recebeu das autoridades norte-americanas asilo político e, em 2021, recebeu a autorização de residência. Já a filha, Sarinasadat Hosseiny, entrou em 2015 com um visto de estudante, recebeu asilo em 2019 e tornou-se residente legal em 2023.

“Vivendo nos EUA, ela [Hamideh Soleimani Afshar] promovia a propaganda do regime iraniano, celebrou ataques contra soldados norte-americanos e instalações militares nos EUA, elogiou o novo Líder Supremo iraniano, denunciou os EUA como ‘O Grande Satanás’ e manifestou o seu apoio incondicional à Guarda Revolucionária, uma organização designada como terrorista”, destacou o comunicado do Departamento de Estado, acrescentando que, durante tudo isto, a sobrinha de Soleimani “gozava de um estilo de vida luxuoso em Los Angeles”.

As duas mulheres encontram-se detidas a aguardar a deportação.

No Irão, contudo, rejeita-se que as duas mulheres sejam familiares de Soleimani, considerado o grande arquiteto das operações externas da Guarda Revolucionária iraniana. “Os indivíduos detidos nos EUA não têm qualquer ligação ao mártir Soleimani e as alegações feitas pelo Departamento de Estado dos EUA são falsas”, disse, num comunicado citado pelo The Telegraph, a filha de Soleimani, Narjes Soleimani.

À imprensa norte-americana, o Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou mais detalhes destes casos e argumentou que o pedido de asilo de Hamideh Soleimani Afshar foi “fraudulento”. Como prova dessa fraude, as autoridades norte-americanas apontam o facto de a mulher ter viajado para o Irão pelo menos quatro vezes desde o pedido — o que demonstraria que não enfrentava qualquer perigo no seu país-natal.

Sublinhando que ter o direito de residência nos EUA é um “privilégio” e não um direito, o governo norte-americano salientou que, havendo razões para acreditar que um residente “representa uma ameaça para os EUA”, essa autorização é revogada.

“A administração Trump não vai permitir que o nosso país se torne uma casa para estrangeiros que apoiam regimes terroristas anti-americanos”, disse Marco Rubio numa publicação na rede social X.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou ainda que Fatemeh Ardeshir-Larijani, a filha do antigo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Ali Larijani, e o seu marido, Seyed Kalantar Motamedi, também viram as suas autorizações de residência revogadas, saíram do país e estão proibidos de voltar a entrar.