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Coreia do Sul lamenta incursão de drones em território norte-coreano

Declarações surgem no contexto de investigações sobre vários voos não autorizados de drones em direção à Coreia do Norte. Três pessoas estão acusadas de traição e violação da lei de segurança aérea.

Agência Lusa
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O Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, manifestou esta segunda-feira o seu pesar à Coreia do Norte pelas incursões de drones civis no território norte-coreano, numa declaração que constitui a primeira referência a Pyongyang sobre o assunto.

“Embora isto não tenha sido um ato do nosso Governo, expresso o meu pesar à parte norte-coreana pela tensão militar desnecessária causada por tal comportamento imprudente”, afirmou esta segunda-feira Lee numa reunião do Conselho de Ministros sul-coreano.

As declarações surgem no contexto de investigações sobre vários voos não autorizados de drones em direção ao território norte-coreano entre setembro de 2025 e janeiro deste ano, pelos quais o Ministério Público sul-coreano acusou três pessoas de traição e violação da lei de segurança aérea: um estudante de pós-graduação, um funcionário do Serviço Nacional de Inteligência e um oficial militar.

Segundo as autoridades sul-coreanas, os suspeitos utilizaram aeronaves não tripuladas para gravar imagens em zonas como Kaesong, após terem contornado as defesas aéreas, e alguns dispositivos chegaram a despenhar-se no território norte-coreano, o que levou Pyongyang a denunciar uma violação da soberania.

Lee sublinhou que a Constituição sul-coreana proíbe atos de provocação contra o Norte realizados por particulares e classificou os factos como “irresponsáveis”, ao mesmo tempo que alertou para o impacto na segurança dos residentes das zonas fronteiriças.

O Presidente também sublinhou a necessidade de se analisar “quem beneficia” com este tipo de incidentes e ordenou medidas institucionais imediatas para evitar que se repitam.

Lee Jae-myung salientou ainda que a paz e a estabilidade na península coreana devem ser a máxima prioridade, sobretudo num contexto internacional marcado por conflitos que abalam a ordem global.

Embora seja a primeira vez que o chefe de Estado se pronuncia diretamente em relação ao Norte sobre o caso, o ministro sul-coreano para a Unificação, Chung Dong-young, tinha já manifestado em março último o seu pesar pelo envio de drones civis, um gesto que foi invulgarmente reconhecido por Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano, Kim Jong-un, que afirmou apreciar o gesto do ministro.

Esta primeira manifestação de pesar do líder sul-coreano dirigida a Pyongyang após a deteção dos drones junta-se a outros gestos conciliatórios do seu Governo, como a suspensão das emissões por altifalantes na fronteira, embora a Coreia do Norte continue a rejeitar o diálogo intercoreano e considere o Sul uma nação “hostil”.