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Netanyahu critica Supremo israelita por autorizar "manifestação da esquerda" contra a guerra

Apesar da autorização para a manifestação, agentes das forças de segurança entraram em confronto com alguns manifestantes opositores da ofensiva militar israelita no Irão e no Líbano.

Agência Lusa
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O primeiro-ministro de Israel criticou este domingo o Supremo Tribunal israelita por autorizar uma “manifestação da esquerda” em Telavive contra a ofensiva militar no Irão e Líbano, quando “se restringe” a oração no Muro das Lamentações.

“Ao mesmo tempo que se restringe aos judeus a possibilidade de rezarem no Muro das Lamentações durante as festas, o Supremo Tribunal autorizou uma manifestação da esquerda em Telavive”, criticou Benjamin Netanyahu numa mensagem publicada nas redes sociais, onde considerou a autorização “inacreditável”.

https://twitter.com/netanyahu/status/2040843902190493996

O chefe do Governo israelita sublinhou que, embora a liberdade de manifestação “seja importante”, a liberdade de culto “não o é menos”, acrescentando que “em tempos de guerra, a única entidade que estabelece as medidas de segurança é o Comando da Frente Interna”.

A manifestação, realizada este sábado na praça Habima, em Telavive, foi autorizada pelo Supremo israelita, que vetou a dispersão pela polícia de manifestações com menos de 600 pessoas na cidade e de menos de 150 em manifestações convocadas em Jerusalém, Haifa e Kefar Saba.

Apesar da autorização, agentes das forças de segurança entraram em confronto com alguns manifestantes opositores da ofensiva militar israelita no Irão e no Líbano, executando ordens do comandante do contingente policial local de dispersão e evacuação da praça.

Os agentes avançaram violentamente contra os manifestantes depois de a polícia ter informado que o limite máximo de 600 pessoas reunidas tinha sido ultrapassado, o que tornava a manifestação ilegal.

O discurso de Netanyahu foi criticado por membros da oposição, como o seu líder, Yair Lapid, que afirmou que o primeiro-ministro israelita “continua a incitar à violência em tempos de guerra”.

“Enquanto se continua a procurar sobreviventes entre os escombros de Haifa, a única coisa que Netanyahu consegue fazer para sair do aperto são as tentativas de dividir o povo e incitar [a população] contra os juízes”, considerou Lapid numa mensagem na rede social X.

https://twitter.com/yairlapid/status/2040851720733962653

Se o primeiro-ministro “é tão contra as manifestações, por que não condenou os ultraortodoxos evasivos que se manifestaram esta manhã contra o recrutamento nas Forças de Defesa de Israel?”, interrogou ainda.

Por seu lado, o líder da coligação Azul e Branco-Nacional, Benny Gantz, dirigiu-se ao chefe do Governo pedindo-lhe que pare de “semear desânimo e divisão”, sublinhando que a guerra em que “todo” o país está envolvido “é contra o Irão”, não “contra o Supremo Tribunal de Justiça”, que “tomou uma decisão de acordo com as diretrizes do Comando da Frente Interna”.

Finalmente, o líder do partido “Os Democratas”, Yair Golan, considerou que Netanyahu está “em pânico” porque a guerra “ficou fora de controlo em todos os aspetos”, bem como porque “as sondagens não mostram sinais de recuperação” a poucos meses das eleições previstas para o outono de 2026, afirmou nas redes sociais.