Os astronautas da missão Artemis II já percorreram mais da metade do percurso até a Lua e vislumbraram o lado oculto do satélite natural da Terra, que é impossível de ver a partir da Terra. Numa entrevista à NBC News, a partir do espaço, o comandante, o norte-americano Reid Wiseman, classificou a missão, que já entrou no quarto dia, como uma “conquista magnífica” e e disse que a possibilidade contemplar a Terra e a Lua a meio caminho entre os dois astros foi “verdadeiramente inspiradora”.
“A Terra está quase em eclipse total. A Lua está quase em plena luz do dia, e a única maneira de se ter essa visão é estar a meio caminho entre os dois corpos celestes”, disse Wiseman.
Os quatro astronautas já conseguem ver até o lado oculto da Lua, algo que apenas os tripulantes de algumas missões Apollo conseguiram ver até hoje, embora apenas parcialmente. A astronauta da NASA Christina Koch descreveu ter visto a Lua pela janela da cápsula Orion, percebendo que era diferente da que estava habituada a ver a partir da Terra.
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“Tivemos a nossa primeira visão da Lua e foi absolutamente espetacular. Uma das coisas que acontecem quando olhamos para a Lua, que parece diferente, é que as partes mais escuras da Lua não estão no lugar certo. E os teus sentidos dizem que essa não é a Lua que estamos habituados a ver […] O lado escuro da Lua é algo que nunca tínhamos visto“, disse a astronauta norte-americana, em resposta ao jornalista da NBC Tom Costello, que estava em Houston, a mais de 320 mil quilómetros de distância da Artemis II.
Koch acrescentou que, embora os astronautas estejam muito entusiasmados, têm conseguido descansar e dormir confortavelmente. “Ser humano aqui em cima é uma das coisas mais giras dessa missão”, disse Koch. “Somos apenas pessoas que tentam sobreviver”.
Os quatro astronautas — os norte-americanos Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover e o canadiano Jeremy Hansen — tiveram tempo na sexta e no sábado para conversar com as famílias, o que, segundo Wiseman, foi um dos pontos altos da viagem. “Foi surreal”, disse o comandante da missão Artemis II. “Por um instante, reencontrei-me com a minha família. Foi simplesmente o melhor momento de toda a minha vida“, sublinhou.
https://observador.pt/2026/04/04/e-uma-vista-maravilhosa-astronautas-da-artemis-ii-avistam-a-lua-e-ja-percorreram-mais-de-metade-do-percurso/
Desde que chegou ao espaço, a tripulação tem estado bastante ocupada. Nas primeiras horas após a descolagem, começaram a testar os vários sistemas a bordo da Orion. Os astronautas tiveram também que solucionar diversos problemas, incluindo falhas no email e problemas com a casa de banho a bordo.
Às 00h41 (horário da costa leste dos EUA) de segunda-feira (5h41 em Portugal Continental), espera-se que os astronautas entrem na esfera de influência lunar, o que significa que a força gravitacional da Lua se tornará mais forte do que a da Terra. O tão aguardado sobrevoo lunar ocorrerá ainda nesse dia, durante o qual os astronautas da Artemis II vão conseguir partes da superfície lunar que nunca antes terão sido vistas.
Essas zonas do lado oculto da Lua não são visíveis da Terra porque essa parte da Lua está sempre voltada para o lado oposto ao nosso planeta. Nem mesmo os astronautas da Apollo conseguiram observar grande parte do lado oculto da Lua devido às trajetórias das missões, nota a NBC. Os astronautas deverão sobrevooar a Lua durante seis horas, a partir das 19h45 de segunda-feira, horário de Portugal Continental. Durante esse percurso, e se tudo correr como previsto, os quatro astronautas da Artemis II deverão bater um recorde, ao tornarem-se nos seres humanos a afastarem-se mais da Terra. Cerca de quatro horas depois do início do sobrevoo lunar, deverão ficar a 406.700 quilómetros da superfície terrestre, mais 6.600 quilómetros do que a missão Apollo 13 conseguiu, em 1970.
Ao longo desse dia, ficarão a ‘apenas’ 7.400 quilómetros da superfície da Lua.