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Do ritual de lava-pés à Via Sacra: Papa Leão XIV celebra primeira Páscoa como pontífice

Na quinta-feira, ajoelhou-se junto de 12 sacerdotes, repetindo o gesto de Cristo na véspera da morte. Já na Sexta-Feira Santa, carregou a cruz de madeira ao longo das 14 estações da Via Sacra.

Carolina Sobral
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O Papa Leão XIV está a celebrar aquela que é a sua primeira Páscoa enquanto pontífice. Após o ritual de lava-pés, assinalou a Sexta-Feira Santa ao recuperar a tradição de ter o chefe da Igreja Católica a transportar a cruz por todas as estações da via-sacra no Coliseu, em Roma, algo que não acontecia desde 1994.

Perante mais de 30 mil pessoas, de acordo com as autoridades locais, citadas pela agência de notícias EFE, Leão XIV presidiu, pela primeira vez desde que tomou posse, a uma das cerimónias mais solenes da Semana Santa, marcada por um apelo contra a guerra e os abusos de poder, ao longo das 14 estações da Via Sacra.

https://observador.pt/2026/04/04/toda-a-autoridade-tera-de-responder-pela-forma-como-exerce-o-poder-recebido-papa-leao-xiv-carregou-a-cruz-em-toda-a-via-sacra/

No trajeto, que durou mais de uma hora, o papa carregou uma cruz de madeira, recuperando uma tradição que não se via desde o pontificado de João Paulo II.

No seu primeiro ano a presidir à celebração, o papa Leão XIV encarregou o frade Francesco Patton de redigir as “meditações” que orientaram a Via Sacra.

O texto, lido ao longo das 14 estações, centrou-se na advertência ao mundo contra a tirania, o autoritarismo e os excessos do poder político, embora sem citar nomes ou países concretos.

Através das orações, foi denunciado o “desastre da guerra” e os “genocídios”, e feitos apelos pelas mulheres vítimas de tráfico, pelos migrantes que naufragam em “viagens desesperadas” e pelas “crianças sem infância” devido aos conflitos.

O texto de Francesco Patton incluiu também uma crítica direta à indústria do espetáculo e ao sensacionalismo, denunciando a “mercantilização da nudez” e a violação da privacidade das pessoas em busca de audiência.

A presença do Papa esta sexta-feira no Coliseu marca também o regresso do líder da Igreja Católica ao local para uma cerimónia da Sexta-Feira Santa, algo que não acontecia desde 2022, devido aos problemas de saúde do Papa Francisco nos últimos anos do pontificado.

Antes ainda da Via Sacra, o Papa presidiu esta sexta-feira à Celebração da Paixão do Senhor, a cerimónia litúrgica de Sexta-Feira Santa que se realiza anualmente na Basílica de São Pedro no Vaticano. Já na quinta-feira, celebrou-se o ritual de lava-pés: ajoelhado junto de 12 sacerdotes, Leão XIV repetiu o gesto de Cristo na véspera da morte quando lavou os pés aos 12 apóstolos.