(c) 2023 am|dev

(A) :: Irão atinge dois caças e dois helicópteros dos EUA deixando um piloto desaparecido: O que aconteceu no último dia de guerra?

Irão atinge dois caças e dois helicópteros dos EUA deixando um piloto desaparecido: O que aconteceu no último dia de guerra?

Um F-15 abatido, um A-10 Warthog despenhado e dois Blackhawk atingidos marcaram o último dia de guerra. Um piloto dos EUA está desaparecido mas Trump garante que manobra do Irão não afeta negociações.

Carolina Sobral
text

O 36.º dia de guerra do Irão foi marcado pelo abate a um caça norte-americano no sudoeste daquele país do Médio Oriente. Um dos pilotos foi resgatado mas as operações de busca e salvamento pelo segundo continuam, ao mesmo tempo que o Irão apela aos residentes a encontrar e entregar o militar norte-americano em troca de uma recompensa. Já Donald Trump garante que o caça abatido pelo Irão não vai afetar as negociações com Teerão. Um outro avião de combate dos EUA despenhou-se no Golfo Pérsico e o único piloto a bordo foi resgatado em segurança. Também este avião de combate terá sido abatido pelo Irão, que atingiu ainda dois helicópteros Blackhawk UH-60 envolvidos nas operações de busca e resgate dos pilotos do F-15, deixando alguns militares com ferimentos ligeiros.

Pode recordar os acontecimentos de sexta-feira aqui.

No Irão:

  • Pelo menos oito pessoas morreram e 95 ficaram feridas em vários ataques aéreos dos Estados Unidos contra a província de Alborz, norte do Irão. De acordo com as autoridades de Alborz, citadas pela agência de notícias Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irão, as vítimas estavam a celebrar o Dia da Natureza.
  • O Irão abateu um caça norte-americano no sudoeste do país. As autoridades americanas apressaram-se a organizar uma operação de busca e salvamento antes que o Irão pudesse chegar aos sobreviventes e conseguiram resgatar um dos tripulares do F-15. O segundo piloto continua desaparecido. O Irão lançou um apelo aos residentes locais, oferecendo uma recompensa a quem capturar e entregar vivo o piloto às forças de segurança.
  • O Irão informou oficialmente os mediadores que não está disposto a reunir-se com as autoridades norte-americanas em Islamabad nos próximos dias e que as exigências dos EUA são inaceitáveis. Ainda assim, a Turquia e o Egito continuam empenhados em encontrar uma solução para o conflito e estão a considerar novos locais para as negociações, incluindo Doha, capital do Catar, ou Istambul, além de novas propostas para superar o impasse, disseram os mediadores.
  • O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu que o caça abatido pelo Irão não vai afetar as negociações com Teerão. “Não, de forma nenhuma. Não, é guerra. Estamos em guerra, Garrett”, disse Donald Trump, numa curta conversa telefónica com o jornalista da NBC Garrett Haake.
  • Para além de ter abatido dois aviões de combate norte-americanos, o Irão também atingiu dois helicópteros Blackhawk UH-60 envolvidos nas operações de busca e resgate dos pilotos do F-15. A mesma fonte adiantou que alguns militares sofreram ferimentos ligeiros nesse ataque, mas que todos estão a salvo.

Em Israel e no Líbano:

  • Israel está a considerar um plano para destruir infraestruturas civis em cidades e aldeias libanesas situadas num raio de 2 a 3 quilómetros da sua fronteira, com o objetivo de criar uma zona tampão, afirmou um oficial militar israelita. O oficial referiu que a proposta é uma das várias que as forças armadas estão a ponderar, enquanto traçam o caminho a seguir na guerra contra o Hezbollah, o grupo militante apoiado pelo Irão que opera a partir do sul do Líbano.
  • Israel, Kuwait e Bahrein anunciaram ter registados novos ataques aéreos por parte do Irão, horas depois de Teerão ter dito que pelo menos oito pessoas morreram em vários ataques dos Estados Unidos. As Forças de Defesa de Israel noticiaram um ataque iraniano contra o território israelita.
  • Israel juntou-se ao apoio internacional ao Panamá na defesa do Estado de direito em matéria marítima, num contexto de crescentes tensões devido a inspeções e atrasos a navios panamianos em portos chineses. “Israel apoia a posição clara do Panamá: a aplicação da lei no domínio marítimo deve manter-se justa, técnica e livre de pressões políticas”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita numa mensagem publicada na rede social X.
  • A embaixada dos EUA no Líbano instou os cidadãos norte-americanos a abandonarem aquele país do Médio Oriente enquanto ainda há voos comerciais disponíveis, escreve o Haaretz. A embaixada alertou que o Irão e os seus aliados podem vir a atacar universidades no Líbano. No entanto, EUA e Israel atacaram uma universidade em Teerão e uma residência estudantil ficou danificada.
  • Israel adiou alguns dos ataques planeados contra o Irão esta sexta-feira, de forma a não perturbar as operações de busca e resgate dos dois tripulantes de um caça norte-americano nos céus do Irão, afirmou um oficial israelita à CNN.
  • As Forças de Defesa de Israel anunciaram ter matado três operacionais do grupo xiita Hezbollah, que se preparavam para lançar rockets na direção de Israel. Segundo as IDF, tropas da unidade de elite identificaram um lançador de rockets pronto para ser usado durante operações no sul do Líbano. O lançador acabou por ser destruído e os operacionais do Hezbollah foram mortos.

No Golfo:

  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenksy, disse ter oferecido a ajuda de Kiev às monarquias do Golfo para desbloquear o estreito de Ormuz, cujo bloqueio pelo Irão provocou uma crise energética mundial.
  • Um avião de combate dos EUA A-10 Warthog despenhou-se esta sexta-feira no Golfo Pérsico e o único piloto a bordo foi resgatado em segurança. O avião de ataque A-10 Warthog caiu perto do Estreito de Ormuz quase ao mesmo tempo em que um F-15E da Força Aérea foi abatido sobre o Irão, disseram os oficiais. Este avião de combate também terá sido abatido pelo Irão.
  • A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, chegou à região do Golfo para uma visita-surpresa, desembarcando na Arábia Saudita na tarde de sexta-feira num voo vindo de Roma. Meloni é a primeira chefe de governo dos países ocidentais a visitar o país desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irão no final de fevereiro.
  • Três navios atravessaram na quinta-feira o estreito de Ormuz e navegaram por uma rota oposta à recomendada pelo Irão, segundo dados de tráfego marítimo.
  • O Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês) pediu à Organização das Nações Unidas (ONU) que autorize o uso da força para desobstruir o estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão. “O Irão fechou o estreito de Ormuz, impedindo a passagem de navios comerciais e petroleiros e impondo condições para permitir que alguns o façam”, declarou, na quinta-feira, o secretário-geral do GCC.

No resto do mundo:

  • A China instou as refinarias privadas do país a manterem os níveis de produção nos mesmos patamares de 2025 “a todo o custo”, face ao impacto da guerra no Médio Oriente, avançou a Bloomberg, que afirma que a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma reuniu-se com executivos das empresas para lhes transmitir que a prioridade é garantir o abastecimento interno de combustíveis, mesmo que isso implique prejuízos.
  • O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, alertou para “consequências graves” caso o conflito no Médio Oriente se intensifique, durante uma conversa telefónica com o homólogo saudita, Faisal bin Farhan. Wang indicou que “o conflito no Irão se prolonga há mais de um mês, causando várias vítimas e perdas, e afetando a segurança e a estabilidade da Arábia Saudita e de outros Estados do Golfo”, segundo um comunicado divulgado pela diplomacia da China.
  • A Coreia do Norte vai realizar uma cerimónia de enterro, em meados de abril, para os soldados norte-coreanos mortos enquanto lutavam ao lado da Rússia contra a Ucrânia, anunciou a imprensa estatal.
  • O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou numa publicação na rede social X que, durante uma conversa com o Papa Leão XIV, as forças russas atacaram a Ucrânia, naquela que descreve como “uma escalada na Páscoa”. Pelo menos dez pessoas morreram na sexta-feira na Ucrânia na sequência de novos ataques aéreos da Rússia, de acordo com as autoridades regionais e o governo ucraniano, que denunciou uma “escalada” no conflito.