Era um jogo que vinha de um arquipélago e que, na verdade, era mesmo uma ilha na vida do Sporting. Depois da pausa para os compromissos das seleções nacionais e antes dos quartos de final da Liga dos Campeões, os leões recebiam o Santa Clara e procuravam a terceira vitória consecutiva para continuar a perseguir o FC Porto e manter a distância para o Benfica. Para isso, porém, era preciso vergar um adversário que se revelou complexo nos últimos tempos.
Em dois jogos já disputados contra o Santa Clara na atual temporada, entre Campeonato e Taça de Portugal, o Sporting sofreu para derrotar os açorianos e fê-lo sempre com muita polémica à mistura: em novembro, no Campeonato, com um golo tardio de Hjulmand depois de um canto que não terá existido e em dezembro, na Taça, com um prolongamento que apareceu após 12 minutos de espera por uma decisão do VAR. Esta sexta-feira, em Alvalade, Rui Borges queria fazer diferente.
Ficha de jogo
Sporting-Santa Clara, 4-2
28.ª jornada da Primeira Liga
Estádio José Alvalade, em Lisboa
Árbitro: André Narciso (AF Setúbal)
Sporting: Rui Silva, Vagiannidis, Debast, Eduardo Quaresma, Ricardo Mangas (Faye, 68′), Morita (Hjulmand, 68′), Daniel Bragança (João Simões, 60′), Geny Catamo (Flávio Gonçalves, 88′), Trincão, Pedro Gonçalves (Maxi Araújo, 45′), Rafael Nel
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Kochorashvili, Gonçalo Inácio, Diomande
Treinador: Rui Borges
Santa Clara: Gabriel Batista, Guilherme Romão, Pedro Ferreira (Vinícius, 59′), Gabriel Silva (Brenner Lucas, 71′), Sidney Lima, Fernando (Gonçalo Paciência, 77′), Serginho, Lucas Soares, Welinton Torrão (Djé Tavares, 59′), Gustavo Klismahn (Darlan Mendes, 71′), Henrique Silva
Suplentes não utilizados: Neneca, Diogo Calila, Frederico Venâncio, Paulo Victor
Treinador: Petit
Golos: Gustavo Klismahn (3′), Pedro Gonçalves (gp, 22′), Daniel Bragança (39′), Trincão (42′), Gonçalo Paciência (89′), Rafael Nel (90+5′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Trincão (24′), a Pedro Ferreira (44′), a João Simões (75′), a Vagiannidis (76′), a Djé Tavares (90′), a Hjulmand (90+7′), a Gonçalo Paciência (90+7′)
“Polémica? Isso vai existir sempre no futebol. Não vou focar-me na polémica, erramos todos. Se nos focarmos só na polémica o nosso futebol vai ficar degradado aos poucos e isso não pode acontecer. Parte de mim e de vocês torná-lo melhor e valorizá-lo. É o que tento fazer, valorizar a equipa, torná-la melhor, capaz, para os jogadores terem um futuro, para serem melhores. O Santa Clara ainda não perdeu nos últimos cinco jogos e é a quinta equipa que fez mais pontos neste período. Demonstra bem as melhorias que tem tido com o novo treinador. É uma equipa competitiva, muito intensa nos duelos, das equipas com mais cartões. Demonstra bem a intensidade que coloca nos duelos e no jogo. Vai criar-nos problemas”, disse o treinador leonino na antevisão, sendo que procurou fugir às declarações de Frederico Varandas e André Villas-Boas após o caso do cheiro tóxico no balneário leonino na Dragão Arena no clássico de andebol da semana passada.
Assim e sem Luis Suárez, que estava castigado depois de um gesto que fez para as câmaras de televisão durante o jogo da Taça de Portugal contra o FC Porto, Rui Borges apostava em Rafael Nel e oferecia a primeira titularidade ao jovem avançado. Gonçalo Inácio, Hjulmand, Maxi Araújo e Diomande começavam todos no banco, Iván Fresneda nem sequer era convocado e Daniel Bragança fazia dupla com Morita no meio-campo, enquanto que Vagiannidis e Ricardo Mangas surgiam nas laterais e Eduardo Quaresma era titular ao lado de Debast. Do outro lado, num Santa Clara que vinha de três vitórias consecutivas, Petit lançava Fernando, Welinton Torrão e Gabriel Silva no ataque.
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O jogo começou praticamente com um golo — e com uma surpresa. Na primeira aproximação a qualquer uma das balizas e na sequência de um lançamento de linha lateral, Fernando amorteceu um cruzamento já na área e Gustavo Klismahn, vindo de trás, rematou forte para bater Rui Silva e colocar o Santa Clara a vencer em Alvalade ainda dentro dos cinco minutos iniciais (3′). Pedro Gonçalves esboçou uma reação com um pontapé de fora de área que passou por cima (10′), mas o Sporting ia tendo dificuldades para contrariar a rebeldia açoriana.
Os leões tinham mais bola, estavam apoiados dentro do meio-campo adversário e rondavam a grande área contrária, mas não conseguiam criar verdadeiras oportunidades e tremiam sempre que os açorianos, com espaço para correr, tentavam acionar a transição rápida. Pouco depois dos 20 minutos, porém, a lógica mudou: Guilherme Romão fez falta sobre Geny Catamo dentro da grande área e Pedro Gonçalves, na conversão da grande penalidade, empatou (22′).
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O ascendente do Sporting intensificou-se depois do golo e o Santa Clara desceu no relvado, descendo as linhas e abdicando de atacar para tentar evitar a reviravolta. Gabriel Batista ainda voou para defender um cabeceamento de Morita (26′), Geny Catamo obrigou o guarda-redes a duas intervenções com remates fortes (27′ e 32′) e a cambalhota no marcador apareceu mesmo: Daniel Bragança combinou com Pedro Gonçalves, recebeu para voltar a combinar com Rafael Nel e voltou a receber já na área para, de pé esquerdo, atirar cruzado para marcar (39′).
Os açorianos capitularam, os leões aproveitaram. Rafael Nel insistiu e jogou com Morita, que assistiu Trincão e viu o internacional português rodar na área para rematar de pé esquerdo, à meia-volta, e aumentar a vantagem (42′). Ao intervalo, depois do susto dos instantes iniciais, o Sporting estava a vencer o Santa Clara e parecia preparado para confirmar a terceira vitória consecutiva.
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Rui Borges mexeu logo no início da segunda parte e tirou Pedro Gonçalves para lançar Maxi Araújo na esquerda do ataque. O Sporting voltou do balneário tal como tinha deixado o primeiro tempo, dominador e com um claro ascendente face ao Santa Clara, mas a verdade é que acabaram por ser os açorianos a fazer o primeiro remate com um pontapé de Gabriel Silva que Rui Silva encaixou na sequência de um erro de Debast (50′).
Petit fez as primeiras substituições já perto da hora de jogo, colocando Djé Tavares e Vinícius, e os minutos iam passando com os leões a gerirem o resultado e os açorianos a procurarem manter a organização defensiva e explodir apenas em situações de transição rápida. Rafael Nel ficou muito perto de marcar num lance em que atirou ao lado à boca da baliza depois de um cruzamento na esquerda (60′) e Rui Borges, logo a seguir, trocou Daniel Bragança por João Simões.
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O jogo entrou numa toada mais aborrecida e arrastada na última meia-hora, com um remate perigoso de Geny Catamo a funcionar como a exceção (67′), e o Sporting ia aproveitando para manietar o Santa Clara e aproximar-se cada vez mais dos três pontos sem acelerar muito. Hjulmand e Faye entraram, com Maxi Araújo a recuar para a esquerda da defesa face à saída de Ricardo Mangas, e os derradeiros instantes da partida acabaram por compensar o marasmo que tinha sido toda a segunda parte.
Gonçalo Paciência marcou pouco depois de entrar, com um remate de pé esquerdo na área, mas o lance foi anulado por falta de Vinícius num momento inicial da jogada (82′). Pouco depois, porém, o mesmo Gonçalo Paciência voltou a bater Rui Silva num instante de insistência (89′), colocando um ponto de interrogação no resultado. Os leões sofreram nos descontos, os açorianos carregaram nos mesmos descontos e Rafael Nel acabou por ter o condão de fechar as contas com um remate cruzado com assistência de Eduardo Quaresma (90+5′), estreando-se a marcar no Campeonato no dia em que completou 21 anos.
No fim, o Sporting venceu o Santa Clara em Alvalade e somou a terceira vitória consecutiva, garantindo que vai pelo menos manter as distâncias para a liderança do FC Porto e o terceiro lugar do Benfica. Em dia de aniversário, Rafael Nel estreou-se a titular, estreou-se a marcar no Campeonato e convidou toda a gente para a festa de aniversário antes de apagar as velas.
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