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Justiça norte-americana rejeita as acusações de assédio sexual apresentadas por Blake Lively contra Justin Baldoni

Das 13 alegações de Blake Lively contra Baldoni, só três sobrevivem, e nenhuma envolve o ator pessoalmente. Wayfarer, a produtora de "Isto Acaba Aqui", continua no processo.

Carolina Sobral
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A pouco mais de um mês do julgamento, um juiz federal de Nova Iorque rejeitou as acusações de assédio sexual apresentadas pela atriz norte-americana Blake Lively contra o ator norte-americano Justin Baldoni, com quem contracenou no filme Isto Acaba Aqui. Das 13 alegações contidas na ação judicial, apenas três se mantêm no processo, e nenhuma inclui Baldoni a título pessoal.

A decisão foi proferida esta quinta-feira pelo juiz federal do Distrito Sul de Nova Iorque, Lewis J. Liman, que rejeitou 10 das 13 acusações de Lively, incluindo assédio, difamação e conspiração. A relativa a quebra de contrato e duas sobre retaliação são as que permanecem. Baldoni não é réu em nenhuma das alegações restantes mas permanece uma alegação contra a sua produtora, a Wayfarer.

Em causa está a queixa civil que Lively apresentou contra Baldoni, na qual acusa o realizador de Isto Acaba Aqui de assédio sexual durante a produção do filme e de ter orquestrado uma campanha de difamação contra a atriz. Baldoni tem negado sempre as acusações.

Em declarações à CNN Internacional, os representantes da Wayfarer afirmaram estar “muito satisfeitos” por o tribunal ter indeferido todas as alegações de assédio sexual e as alegações contra réus individuais. “Tratam-se de alegações muito graves, e estamos gratos ao Tribunal pela análise cuidadosa dos factos, da legislação e das numerosas provas que foram apresentadas”, afirmam em comunicado. “O que resta é um processo significativamente reduzido, e estamos ansiosos por apresentar a nossa defesa relativamente às alegações remanescentes em tribunal.”

“Este caso sempre se centrou e continuará a centrar-se na retaliação devastadora e nas medidas extraordinárias que os réus tomaram para destruir a reputação de Blake Lively por ela ter defendido a segurança no set, e é esse o caso que vai a julgamento”, afirmou por sua vez Sigrid McCawley, advogada de Lively.

O comunicado acrescentou que, para Lively, “a maior forma de justiça é que as pessoas e o manual por trás destes ataques digitais coordenados tenham sido expostos e já estejam a ser responsabilizados por outras mulheres que foram alvo dos mesmos”.

“Ela está ansiosa por testemunhar no julgamento e continuar a lançar luz sobre esta forma cruel de retaliação online, para que se torne mais fácil de detetar e combater”, concluiu o comunicado. O julgamento está marcado para dia 18 de maio.

De recordar que em dezembro de 2024 Blake Lively deu entrada com um processo civil no qual acusa Justin Baldoni e o produtor Jamey Heath de assédio sexual, retaliação e de uma campanha de difamação para a “enterrar” durante a produção do filme e após a estreia mundial.

Na queixa, divulgada em primeira mão pelo New York Times, Blake Lively acusava Baldoni de forçar cenas de beijos improvisados e indesejados, de fazer comentários sobre a sua própria vida sexual, incluindo encontros sem consentimento, e de entrar no camarim da atriz repetidamente, junto de Heath, enquanto a atriz trocava de roupa. Terá mesmo chegado a fazê-lo sem autorização quando Lively estava a amamentar.

Já o produtor, e na época presidente dos estúdios Wayfarer, terá mostrado vídeos e fotografias da sua mulher nua e entrado também no camarim de Blake quando esta estava sem roupa a retirar a maquilhagem corporal. Mesmo depois de lhe ter pedido para não olhar, Heath fê-lo. Na época, Lively pedia uma indemnização superior a 160 milhões de dólares.

Em resposta, em janeiro de 2025 Baldoni veio processar Blake Lively, e o marido, Ryan Reynolds, por difamação, extorsão e invasão de privacidade. Acusava-os de o tentarem “destruir” com acusações de assédio sexual e exigia uma indemnização de 400 milhões dólares (cerca de 388 milhões de euros). O tribunal acabaria por rejeitar o processo, dando a vitória a Lively.