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"Daqui, vocês parecem-nos lindos": astronautas da missão Artemis II falam pela primeira vez desde o espaço

No segundo dia de viagem, os astronautas da Artemis II relataram auroras boreais vistas do espaço, noites em gravidade zero e uma sanita avariada naquela que foi a 1.ª transmissão para a Terra.

Carolina Sobral
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Os quatro astronautas da missão Artemis II falaram pela primeira vez para a Terra naquele que foi o segundo dia da viagem de quatro dias em direção à Lua. Na transmissão ao vivo, destacaram “a vista espetacular da Terra a partir do espaço”, assim como os contratempos que ultrapassaram, como uma sanita avariada.

“Ontem não consegui deixar de lhes dizer que adoro estar aqui em cima. Quem me dera ter chegado mais cedo”, começou por afirmar o canadiano Jeremy Hansen, a primeira pessoa não norte-americana a ser designada para uma missão lunar. “É extraordinário estar a flutuar. Sinto-me como uma criança”, acrescentou.

Por sua vez, o comandante Reid Wiseman destacou a visão que os quatro tiveram durante a manobra que colocou a missão rumo à Lua, na qual foi “possível ver o globo inteiro”. “Houve um momento em que Houston assumiu o controlo da nave enquanto o Sol se punha atrás de nós. Naquele instante, pudemos observar o planeta de polo a polo, África, Europa… Se prestássemos atenção, podíamos ver até as auroras boreais. Foi o momento mais espetacular. Deixou-nos boquiabertos“, relatou.

A tripulação garantiu ainda que o lançamento correu inesperadamente bem, apesar de alguns problemas iniciais com a casa de banho, resolvidos depois pela especialista espacial Christina Koch, agora autoproclamada “canalizadora espacial”, que desmontou partes da sanita sob instruções do controlo da missão. “Gosto de dizer que [o desentupidor] é o equipamento mais importante no espaço. Todos respiramos de alivio quando funcionou”, disse Koch junto dos colegas entre risos, explicando que o problema se deveu “ao facto de não ser utilizada há muito tempo e de a bomba precisar de algum tempo para arrancar”. “Ficámos com medo de que o motor se tivesse encravado, mas, afinal, não foi isso que aconteceu”, acrescentou.

https://twitter.com/NASA/status/2039908597748940872

As janelas são outra parte da nave espacial que não está a funcionar exatamente como planeado, depois de terem ficado sujas pelos astronautas que passaram muito tempo “colados às janelas” enquanto tiravam fotografias da Terra. Segundo a BBC, foram instruídos a usar um pouco de água e um toalhete seco para limpá-las.

Por sua vez, o piloto Victor Glover destacou a importância de uma equipa tão eclética: “Isto mostrou-nos o que podemos fazer juntos, não só quando deixamos as nossas diferenças de lado, mas quando as unimos e fazemos coisas incríveis”, afirmou o primeiro astronauta negro a ser designado para uma missão lunar. “Daqui, vocês parecem-nos lindos. Da nossa perspetiva, vocês são vistos apenas como um só. Somos todos Homo sapiens, não importa de onde venham ou qual seja a vossa aparência. Somos todos iguais“, defendeu.

Durante a transmissão, a tripulação da Artemis II contou ainda a gestão das dormidas, descrevendo como Koch dorme “suspensa como um morcego”, enquanto Glover se encaixa num recanto entre o equipamento espacial e o teto da nave. “É cómico… [mas] mais confortável do que se poderia pensar”, garantiu, acrescentando: “É bom voltar a dormir em gravidade zero.”

O foguetão SLS – o mais poderoso já lançado pela NASA – levantou voo na quarta-feira do Centro Espacial Kennedy, no estado da Florida, para o primeiro voo tripulado em torno da Lua em mais de 50 anos. Esta missão lunar é histórica por ser a primeira cuja tripulação inclui uma mulher, Christina Koch, um homem negro, o piloto Victor Glover, e um canadiano, Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana.

Assim que chegarem perto da Lua, os astronautas irão orbitá-la e sobrevoar o seu lado oculto, a mais de 400 mil quilómetros da Terra, esperando-se que batam o recorde da missão Apollo 13, tornando-se os humanos que viajaram mais longe da Terra. A viagem de regresso durará três ou quatro dias e será marcada pela reentrada atmosférica, um dos momentos mais perigosos da missão, após o que a nave espacial amarará no oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia.