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Bloqueio do Estreito de Ormuz: 40 países, incluindo Portugal, ameaçam Irão com sanções coordenadas

Reino Unido presidiu a reunião internacional com Portugal entre os presentes. Tráfego no estreito caiu 93% desde março, afectando um quinto do petróleo mundial.

Agência Lusa
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Mais de 40 países, incluindo Portugal, apelaram, esta quinta-feira, à “reabertura imediata e incondicional” do Estreito de Ormuz, ameaçando o Irão com novas sanções, segundo a ministra dos Negócios Estrangeiros britânica, que presidiu a uma reunião internacional dedicada ao assunto.

“O Irão está a tentar fazer refém a economia mundial no Estreito de Ormuz. Não pode levar a melhor. Para tal, os parceiros apelaram hoje à reabertura imediata e incondicional do estreito e ao respeito pelos princípios fundamentais da liberdade de navegação e do direito do mar”, declarou Yvette Cooper num comunicado final do encontro.

Os países concordaram em “explorar medidas económicas e políticas coordenadas, tais como sanções, para pressionar o Irão caso o estreito permaneça fechado”, acrescentou após a reunião, convocada pelo Reino Unido e que juntou mais de 40 países incluindo Portugal, representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Os países também concordaram em “aumentar a pressão diplomática” sobre o Irão. Este bloqueio é uma “ameaça direta à prosperidade mundial”, sublinhou a chefe da diplomacia britânica.

A quase total paralisia do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita normalmente um quinto da produção mundial de petróleo, bem como de gás natural liquefeito e fertilizantes, está a ter um impacto económico mundial e provocou um forte aumento do preço dos produtos petrolíferos.

Na próxima semana, Londres vai organizar a uma reunião ao nível de “planeadores militares” a fim de examinar as opções para tornar o Estreito de Ormuz acessível e seguro à navegação após o fim das hostilidades.

Apenas alguns navios – essencialmente iranianos, dos Emirados Árabes Unidos, indianos, chineses e sauditas – continuam a transitar diariamente pelo estreito.

Desde o início de março, 225 navios de transporte de mercadorias passaram pelo estreito, segundo a empresa de análise marítima Kpler, o que representa uma queda de 93% relativamente à situação em tempo de paz.

O Irão, que controla a costa norte do Estreito de Ormuz, tem bloqueado este ponto crucial para o comércio global de energia em resposta à ofensiva de grande escala de Israel e dos Estados Unidos, lançada em 28 de fevereiro.