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(A) :: EGEAC decidiu que este ano o Festival Política não acontece em Lisboa

EGEAC decidiu que este ano o Festival Política não acontece em Lisboa

A EGEAC Lisboa Cultura justificou a decisão de pôr um fim à parceria "desde a primeira hora" com o Festival Política por entender que "era o momento de apoiar novos projetos".

Agência Lusa
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O Festival Política não se vai realizar em Lisboa este ano, por decisão comunicada pela empresa municipal de gestão cultural EGEAC, disse uma das organizadoras da iniciativa, inaugurada na capital há nove anos.

Em declarações à agência Lusa, Bárbara Rosa, cofundadora do Festival Política, sublinhou que a decisão da EGEAC Lisboa Cultura “foi comunicada já muito em cima da hora”, o que “impossibilitou” à organização “tentar arranjar outras parcerias para não sair da cidade de Lisboa”.

A decisão foi comunicada em 28 de fevereiro, quando a iniciativa — focada este ano se focaria no tema da Constituição, que esta quinta-feira assinala meio século — estava apontada para abril.

“Isto vem na sequência de uma sessão de comunicações que durou quase três meses e (…) nunca nos foi dito taxativamente que não iriam renovar a parceria”, notou.

Questionada pela Lusa, a EGEAC Lisboa Cultura justificou a decisão de pôr um fim à parceria “desde a primeira hora” com o Festival Política por entender que “era o momento de apoiar novos projetos”, mencionando em concreto uma iniciativa do Hot Clube de Portugal, que se realizará no Cinema São Jorge entre os dias 23 e 25 de abril.

Em resposta escrita, a empresa municipal assinala que o Festival Política “se foi afirmando e até expandindo por outras cidades do país”.

A iniciativa sempre teve arranque em Lisboa, tendo no ano passado realizado edições em Braga, Coimbra e Loulé. Este ano está já confirmado que levará os seus conteúdos a Aveiro, Coimbra e Loulé, adiantou Bárbara Rosa.

“Foi-nos dito que, por razões programáticas, em 2026 não era possível continuar a parceria. Portanto, no fundo, é uma não fundamentação”, qualifica Bárbara Rosa, considerando que a decisão “transmite uma opção de política cultural” para Lisboa “que é preocupante”.

A atual administração da EGEAC já havia mostrado, “em reunião protocolar”, que o Festival Política “não seria propriamente o projeto mais acarinhado”, segundo relato da cofundadora.

“Nós acreditamos que o Estado, através das suas instituições, tem o dever de proporcionar um acesso a determinados conteúdos”, assume Bárbara Rosa.

“A decisão é inquestionavelmente legítima, pese embora não ser fundamentada e há quem defenda que decisões não fundamentadas relativamente a conteúdos políticos podem assumir a forma de censura”, observa.

O Festival Política — esclarece — “é e vai continuar a ser”, seja onde for, “um espaço de debate e de reflexão, tendo em vista fomentar a participação cívica, o envolvimento social dos cidadãos na construção democrática”.

Bárbara Rosa lamenta que esta quinta-feira em dia falar sobre estes temas seja considerado “uma forma de ideologia” e lamenta que o fim do Festival Política em Lisboa seja “mais um espelho dessa postura, que está a acontecer em muitas instituições, nomeadamente nas autarquias e também no Governo”.

E deixa um compromisso: “Lutaremos para que volte a Lisboa, ainda que não pela mão da EGEAC.”

O atual presidente do conselho de administração da EGEAC Lisboa Cultura, Pedro Moreira, foi reconduzido em fevereiro, tendo afastado os diretores do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade, Rita Rato, e do Teatro do Bairro Alto, Francisco Frazão, decisão que foi criticada por vários quadrantes culturais e políticos, motivando mesmo petições públicas, com milhares de assinaturas.

Num debate na Assembleia Municipal de Lisboa, os partidos de esquerda acusaram o executivo camarário liderado por Carlos Moedas (PSD) de ceder à “pressão da extrema-direita radical” para mudar a política cultural da cidade.

Em resposta, o presidente da Câmara de Lisboa disse que não tem em conta o cartão partidário quando avalia responsáveis para cargos, lembrando que, no seu primeiro mandato, reconduziu Rita Rato e nomeou Francisco Frazão.