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Guterres adverte EUA, Israel e Teerão que "já passou da hora" de parar guerra

O secretário-geral da ONU alertou que o mundo está "à beira de uma guerra mais ampla" no Médio Oriente e anuncia envio de enviado pessoal à região para mediação.

Agência Lusa
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O secretário-geral da ONU, António Guterres, advertiu esta quinta-feira os Estados Unidos e Israel que “já passou da hora” de parar a guerra contra o Irão e instou novamente Teerão a cessar os ataques contra países vizinhos.

“Precisamos de encontrar uma saída pacífica. A minha mensagem é clara: aos Estados Unidos e a Israel, já passou da hora de parar a guerra que está a causar imenso sofrimento humano e está já a desencadear consequências económicas devastadoras”, disse Guterres numa declaração à imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.

“Ao Irão: que deixe de atacar os seus vizinhos. O Conselho de Segurança condenou estes ataques e reafirmou a necessidade de respeitar os direitos e liberdades de navegação ao longo de rotas marítimas críticas, incluindo o Estreito de Ormuz”, insistiu o líder das Nações Unidas.

O antigo primeiro-ministro português sublinhou que os conflitos não terminam sozinhos, mas sim quando os líderes escolhem o diálogo em vez da destruição.

“Essa escolha ainda existe. E precisa de ser feita – agora”, defendeu.

Guterres notou que cada dia que passa, o sofrimento humano associado a esta guerra só aumenta, assim como não para de crescer a escala da devastação, os ataques indiscriminados, os ataques contra civis e infraestruturas civis aumentam e os perigos para o mundo também.

O secretário-geral afirmou que se está “à beira de uma guerra mais ampla que engolfaria todo o Médio Oriente, com impactos dramáticos em todo o mundo“, frisando que o conflito já se faz sentir em todos os lugares do planeta.

Deu como exemplo o impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz, que está a ter impacto direto nos mais pobres e vulneráveis.

“Vemos isso no dia-a-dia das pessoas que lutam contra o aumento dos custos dos alimentos e da energia, desde as Filipinas ao Sri Lanka, a Moçambique, a comunidades muito além”, disse.

“Muitos aspetos do conflito podem ser incertos, mas uma coisa é certa: Se os tambores da guerra continuarem a soar, a escalada só irá piorar a situação. A espiral de morte e destruição tem de parar“, apelou.

Guterres recordou que estão em curso esforços diplomáticos para encontrar um caminho pacífico para esta guerra, iniciada a 28 de fevereiro com os ataques de Washington e Telavive contra o Irão.

O líder da ONU reforçou que esses esforços diplomáticos merecem o espaço e o apoio necessários para serem bem-sucedidos, insistindo que devem estar firmemente ancorados no direito internacional, incluindo na Carta da ONU.

“A soberania e a integridade territorial de todos os Estados-membros devem ser respeitadas. Os civis e as infraestruturas civis, incluindo as instalações nucleares, devem ser respeitados e protegidos. E a liberdade de navegação deve ser mantida”, declarou.

O chefe das Nações Unidas assumiu manter contacto próximo com as partes em conflito e está a enviar para a região o seu enviado pessoal, Jean Arnault, para apoiar os esforços de mediação.