Luís Montenegro assinalou esta quinta-feira os dois anos de Governo rodeado de atuais e antigos governantes nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro. No final, numa declaração lida aos jornalistas, o chefe do Executivo projetou o que falta da legislatura, deixando um aviso sério à oposição: “Não contam connosco para jogos de semântica ou politiquices estéreis”.
Foi um dos muitos recados nos 17 minutos em que Montenegro discursou. A rematar, e prometendo “responsabilidade” aos portugueses, o primeiro-ministro voltou a citar, tal como já fizera no artigo publicado esta quinta-feira no Observador, Francisco Sá Carneiro. “Os portugueses estão ansiosos por que se deixem os governantes de debate ideológico, de grandes discursos, para se aterem ao exercício singelo e discreto da sua função: trabalhar para resolver os problemas das pessoas, os problemas da nação.”
Antes disso, Montenegro já tinha tentado fazer uma distinção entre os dois anos à frente do Governo e a herança que recebeu de António Costa, falando numa “teimosia ideológica a que corresponderam resultados demasiados escassos”. Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro reescreveu uma frase de má memória para ele, dizendo que “o país está melhor e os portugueses também estão melhores”.
Recorde-se que, durante a intervenção da troika em Portugal, Luís Montenegro, então líder parlamentar do PSD, foi muito criticado pela oposição por ter dito que a vida dos portugueses não estava melhor mas que a do país estava — frase que o perseguiu durante muito tempo, mesmo já depois de ter assumido as funções de presidente do PSD.

Voltando ao discurso de dois anos de Governo, o líder da AD passou em revista as principais medidas adotadas pelo Executivo e anunciou uma novidade: o lançamento de uma linha de apoio de 600 milhões de euros destinada a financiar as empresas cujos os custos da energia representam mais de 20% dos seus custos de produção. Esta linha de financiamento vai-se chamar “Portugal Resiliência Energética” e será financiada pelo Banco Português de Fomento.
Mesmo reconhecendo que o Governo “ainda não” está onde gostaria de estar, Montenegro respondeu a todos aqueles que acusam o atual Executivo de irreformismo. “Estão em curso reformas estruturais. Foram dois anos intensos. Superámos todo o pessimismo e negativismo de tantos e tantos, às vezes tendo de enfrentar tantas notícias, tantos comentários, tantas opiniões a querer mostrar uma realidade virtual, que não existia.”
“Alguns anunciaram que o Governo andava a distribuir folgas sem critério. Essas vozes estão hoje muito silenciosas. O que está a acontecer é o equilíbrio e o reforço do Estado social”, atira Montenegro, referindo-se indiretamente às acusações de que foi sendo alvo pela oposição ao longo destes dois anos.
Nesse mesmo sentido, o primeiro-ministro aproveitou a cerimónia para voltar a elogiar os resultados económicos e orçamentais conseguidos pelo Executivo que lidera, e a forma como foi possível fazer esse equilíbrio sem colocar em causa a paz social. “Somos um exemplo de estabilidade política e social na Europa. Estamos na Liga dos Campeões da estabilidade económica e financeira da Europa.”
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