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O Presidente francês, Emmanuel Macron, criticou esta quinta-feira o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, acusando-o de enfraquecer a NATO com dúvidas constantes e de ter iniciado uma guerra que não resolve o problema da política nuclear iraniana.
Macron, que está em Seul numa visita de Estado, acusou Trump de estar “a esvaziar” o acordo da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) ao “criar dúvidas todos os dias sobre o compromisso que ainda tem” para com a Aliança Atlântica.
“É uma responsabilidade que as autoridades norte-americanas estão a assumir hoje ao dizerem todas as manhãs: ‘Faremos isto, não faremos aquilo’, ou algo do género”, disse. “Todos precisamos de estabilidade, calma, um regresso à paz. Isto não é um espetáculo”, advertiu.
O chefe de Estado francês defendeu ainda que “é preciso ser sério” em relação à NATO e ao conflito no Médio Oriente.
“Quando se quer ser sério, não se contradiz todos os dias”, reiterou, referindo-se à estratégia de comunicação de Donald Trump.
Donald Trump intensificou esta semana as suas ameaças de retirar os Estados Unidos da NATO, descrevendo a aliança como um “tigre de papel” e acusando os aliados de abandonar Washington ao recusarem colaborar na proteção do Estreito de Ormuz.
https://observador.pt/2026/04/02/trump-volta-a-ameacar-retirar-eua-do-tigre-de-papel-nato-e-revela-que-quis-testar-apoio-dos-aliados/
O Presidente norte-americano alega que os EUA gastaram “triliões” na NATO sem o devido retorno, criticando os aliados por não atingirem as metas de despesa militar (tendo sugerido anteriormente uma subida para 5%).
Os Estados Unidos foram, no entanto, o único país da aliança que acionou o artigo 5º da NATO, que obriga todos os membros a prestar assistência, incluindo armada, quando um dos países é atacado. A cláusula de legítima defesa foi acionada a seguir ao 11 de setembro nos Estados Unidos.
Trump também recomendou aos aliados europeus que passem a garantir o seu próprio petróleo, afirmando que os EUA não estarão lá para ajudar se não houver reciprocidade no apoio militar, e sugeriu que poderá ter de escolher entre a permanência na NATO e o controlo de partes da Gronelândia.
https://observador.pt/2026/04/02/o-discurso-de-trump-que-relancou-o-medo-nas-bolsas-e-fez-subir-o-preco-do-petroleo/
Na sua intervenção feita esta quinta-feira em Seul, Macron criticou também a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, afirmando que não resolve a questão do programa nuclear de Teerão.
“Não é uma ação militar direcionada, mesmo que por algumas semanas, que permitirá uma resolução duradoura para a questão nuclear”, disse.
Segundo o Presidente francês, “se não houver uma estrutura para negociações diplomáticas e técnicas, a situação poderá voltar a deteriorar-se numa questão de meses ou anos“.
“Só através de negociações aprofundadas, um acordo (…) poderemos garantir um acompanhamento a longo prazo e preservar a paz e a estabilidade para todos”, considerou.
Os ataques lançados no dia 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel ao Irão foram explicados com a necessidade de destruir as infraestruturas nucleares e de mísseis do Irão.
A questão da política nuclear do Irão tem marcado as relações com aquele país nos últimos anos, tendo sido assinado um acordo em 2015 segundo o qual Teerão aceitava restrições severas ao seu programa nuclear para garantir que nunca fabricaria uma bomba, e o Ocidente levantava as sanções económicas.
Em 2018, durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, os Estados Unidos retiraram-se unilateralmente do acordo, reintroduzindo as sanções para reduzir as exportações de petróleo iraniano a zero.
Em resposta, o Irão começou a ultrapassar, passo a passo, os limites de armazenamento e enriquecimento de urânio previstos e a negar as inspeções da Agência Internacional de Energia Atómica.
Em abril passado, Trump afirmou repetidamente que as capacidades nucleares do Irão foram “obliteradas” ou “totalmente destruídas” depois de, em junho de 2025, ter lançado, em conjunto com Israel, uma ofensiva direta às instalações ligadas ao programa iraniano.