No Irão, as componentes política e religiosa do islão estão intimamente ligadas e estipulam o totalitarismo, ou seja, todos os partidos políticos e todas as pessoas têm de se submeter à autoridade total do clérigo supremo. Isso é conseguido pelas forças de segurança com uma vigilância permanente sobre a população e uma repressão brutal que inclui tortura e morte.
No livro “O caminho da servidão”, Friedrich von Hayek explicou que as políticas socialistas conduzem progressivamente ao aumento do Estado e à imposição da sua força coerciva perante as pessoas e as empresas, limitando cada vez mais a sua liberdade e caminhando inexoravelmente para o totalitarismo e a consequente servidão.
Hayek observou que as políticas socialistas do partido operário social-democrata russo resultaram no totalitarismo comunista soviético, observou que as políticas socialistas do partido dos trabalhadores alemães resultaram no totalitarismo nazista e observou que as políticas socialistas do partido nacional fascista resultaram no totalitarismo fascista (Mussolini foi um alto dirigente do partido socialista italiano e editor do jornal socialista Avanti!). Face a essas experiências nefastas, Hayek demonstrou que o socialismo tem o gene do totalitarismo.
Vários académicos, políticos, jornalistas e comentadores têm observado que na Europa actual há muitos movimentos políticos de esquerda que se aliaram ao islamismo com a expectativa de ganhar votos e conquistar o poder. No entanto, mais do que uma aliança de conveniência, é um alinhamento de ideias e práticas. O islamismo é totalitário e o socialismo tende a ser totalitário. Efectivamente, o socialismo tem muitos pontos de convergência com o islamismo.
É elucidativo observar a atitude dos socialistas perante o conflito entre EUA, Israel e Irão.
Nos últimos 3 milénios, o território ocupado actualmente por Israel e pelos árabes palestinianos (o Território) foi dominado por diferentes povos. Quando só havia tribos israelitas dispersas por pequenas povoações no Território, Saul unificou-as criando o primeiro reino em 930 antes de Cristo. Desde aí, a história dessa região inclui diversas guerras e períodos diferentes de ocupação israelita, babilónica, persa, macedónica, egípcia, árabe, romana, bizantina, otomana e britânica. Olhando para essa história até ao fim da segunda guerra mundial, não se vai encontrar uma solução de paz que seja aceite por todos.
Talvez a única solução de paz possa vir do respeito pelo direito internacional.
É consensual afirmar que o direito internacional orientador da relação entre Estados começou a desenvolver-se em 1648 com os acordos de paz de Vestfália e culminou na criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945, embora outras normas, tratados, acordos, convenções e declarações o tenham enriquecido posteriormente.
Desde esse momento fundador em 1945, a primeira resolução sobre o Território foi a resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, que estabeleceu a sua partilha em estados árabe e judeu, enquanto ainda vigorava o mandato britânico. A resolução 181 foi aprovada em 29 de novembro de 1947 com os seguintes votos:
- 33 a favor: África do Sul, Austrália, Bélgica, Bielorrússia, Bolívia, Brasil, Canadá, Checoslováquia, Costa Rica, Dinamarca, Equador, EUA, Filipinas, França, Guatemala, Haiti, Islândia, Libéria, Luxemburgo, Nicarágua, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Polónia, República Dominicana, Suécia, Ucrânia, União Soviética, Uruguai, Venezuela.
- 13 contra: Afeganistão, Arábia Saudita, Cuba, Egipto, Grécia, Iémen, Índia, Irão, Iraque, Líbano, Paquistão, Síria, Turquia.
- 10 abstenções: Argentina, Chile, China, Colômbia, El Salvador, Etiópia, Honduras, Jugoslávia, México, Reino Unido.
O direito internacional determinou a partilha do Território, mas os países muçulmanos não o aceitaram. Desde que Israel declarou a sua independência em 1948, terminando o mandato britânico, os países muçulmanos iniciaram vários conflitos:

Infelizmente, morreram milhares de pessoas prematuramente.
É relevante notar que nenhum conflito foi iniciado por Israel.
Desde 1947, muitos países e movimentos muçulmanos tiveram como orientação o extermínio de Israel e agiram contra o direito internacional. Felizmente e com muito esforço, alguns países do médio oriente foram mudando de atitude e passaram a aceitar uma convivência pacífica. Em 2023, a Arábia Saudita estava na iminência de celebrar um acordo de paz com Israel, mas suspendeu o processo devido à chacina brutal que o Hamas cometeu em 7 de outubro de 2023, com o patrocínio do Irão. A reacção de Israel foi invadir Gaza para esmagar o Hamas.
Mas Israel não ficou por aí. Esse foi o momento de viragem. Até esse momento, Israel reagia. A partir desse momento, Israel passou também a agir. Em 2024, começou a atacar alvos do Hezbollah no Líbano. Em 2025, começou a atacar directamente o Irão, focado em destruir a sua capacidade nuclear, com um contributo dos EUA. Em 2026, Israel e EUA começaram um conflito com o Irão. Segundo o Irão, a luta é contra o pequeno satã e o grande satã, defensores dos males da democracia e do capitalismo. Segundo os EUA e Israel, a luta é contra a cabeça da serpente do terrorismo internacional, que provoca situações de dano e caos em todo o mundo, matando diversas pessoas que apenas tentam viver pacificamente.
Tudo isto é lamentável.
Se o Irão e os restantes países do médio oriente acatassem a resolução 181 da ONU, haveria paz imediata. Se observassem o direito internacional, não haveria mais matança.
Nenhum socialista (ou outro esquerdista) aceita isto publicamente. Ao invés, omitindo a história, procura explicações rebuscadas, parciais e distorcidas para condenar Israel e EUA. No fundo, consciente ou inconscientemente, o que os socialistas e outros esquerdistas fazem é minar a democracia e o mundo livre.
Perante o conflito entre EUA, Israel e Irão, os socialistas revelam a sua essência totalitária.
Porquê?
A revolução francesa de 1789 instituiu o lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, mas os socialistas e outros esquerdistas deturparam-no.
Fraternidade significa solidariedade para os mais necessitados. Os socialistas (e outros esquerdistas) deturparam o conceito afirmando que a fraternidade corresponde ao assistencialismo, ou seja, há pessoas permanentemente necessitadas que não têm de se esforçar para sair dessa circunstância e o Estado tem de garantir permanentemente a sua subsistência. Para os socialistas, em vez de solidariedade em situações excepcionais, o Estado deve extorquir dinheiro aos contribuintes para manter pobres e necessitados em permanência (na expectativa de que votem em movimentos de esquerda).
Igualdade significa que as pessoas são iguais em deveres e direitos. Os socialistas (e outros esquerdistas) deturparam o conceito afirmando que a igualdade é relativa aos resultados, ou seja, todas as pessoas devem ser igualmente pobres (embora alguns consigam fugir a esse desígnio, nomeadamente bons empreendedores e militantes fiéis dos movimentos de esquerda). Basta lembrar Angola, China, Coreia do Norte, Cuba, Irão, Moçambique, Rússia, Venezuela.
Liberdade significa que cada pessoa é livre de decidir desde que não interfira com a liberdade dos outros. Os socialistas (e outros esquerdistas) deturparam o conceito afirmando que cada pessoa é livre desde que cumpra a lei civil, ou seja, os socialistas são amorais e imorais. É incompatível ser religioso e socialista (muitos cristãos não têm noção disto).
Ora, a igualdade de resultados e a liberdade das pessoas são mutuamente exclusivas, como explicou Hayek.
Dando liberdade às pessoas, é impossível ter resultados iguais, porque a natureza humana tem o instinto básico da competição, tal como em todos os outros seres vivos. Por isso, os socialistas são avessos à liberdade. Para ter igualdade de resultados, o Estado socialista vai aprovando legislação que impõe cada vez mais constrangimentos à vida das pessoas, em todos os domínios da sociedade, o que leva à progressiva redução da liberdade das pessoas. Isto tem como consequência o crescimento imparável do leviatã Estado.
Agora já é possível responder à questão acima.
Perante o conflito entre EUA, Israel e Irão, os socialistas revelam a sua essência totalitária porque, como demonstrou Hayek, para os socialistas (e outros esquerdistas), o Estado é o determinante do funcionamento da sociedade e é preciso impor a sua força coerciva para limitar a liberdade das pessoas. Tal como no islamismo.