Ao longo de anos, Kristi Noem, antiga secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, construiu uma imagem pública firme, alinhada à linha ideológica de Donald Trump e centrada na defesa dos valores familiares — um retrato que resistiu a polémicas e rumores, incluindo insinuações de um caso extraconjugal. Nada parecia abalar a sua trajetória política. Até agora. A recente divulgação de fotografias, mensagens de teor sexual explícito e alegações de relações extraconjugais abriu uma fissura na imagem construída por Kristi: no centro da polémica está o seu marido.
Na terça-feira, o Daily Mail divulgou um conjunto de fotografias em que Byron Noem parece surgir com roupas de mulher: camisolas justas por cima do que aparentam ser balões que simulam seios (cujos nós servem para mamilos) e calções curtos, mantendo o rosto visível. A par das imagens, o tabloide revela alegadas conversas de teor sexual com três mulheres fora do casamento, envolvendo pagamentos de cerca de 25 mil dólares (21 mil euros) através de plataformas como Cash App e PayPal.
Optando por não ignorar — nem desmentir — os acontecimentos, Kristi Noem reagiu através de um comunicado transmitido por um porta-voz. Em declarações ao New York Post, disse sentir-se “devastada” e que a família, que “foi apanhada de surpresa por isto”, “pede privacidade e orações neste momento”.
https://twitter.com/DailyMail/status/2038982362852118775
Byron Noem não negou as conversas explícitas, analisadas pelo tabloide, nem o envio das fotografias em que surge vestido de mulher, quando o Daily Mail o contactou por telefone. Durante a conversa, foi-lhe ainda comunicado que teria feito comentários indiscretos sobre a mulher, que poderiam, segundo o tabloide, ter colocado a segurança nacional em risco, expondo-a a chantagens. “Não fiz nenhum comentário desse tipo que pudesse causar isso. Nego totalmente a segunda parte”, respondeu Byron. Questionado novamente pelo New York Times (NYT), que procurou uma reação, limitou-se a dizer: “Um dia acabarei por fazê-lo. Hoje não é o dia. Agradeço a sua boa vontade!”.
Donald Trump também reagiu. Ao Daily Mail, o Presidente norte-americano disse estar surpreendido por a família Noem não ter desmentido o relatório sobre o comportamento indecente de Byron. “Eles confirmaram? Uau, bem, sinto muito pela família, se for esse o caso, é uma pena”, disse Trump numa chamada telefónica.

De acordo com o tabloide, Byron Noem explora um fetiche ligado à hiperfeminilidade e à criação de uma imagem exagerada e estereotipada da mulher. “Chama-se ‘bimbofication’. São pessoas que modificam o corpo para se parecerem com bonecas. O visual da Barbie”, explicou uma das mulheres com quem Noem terá trocado mensagens. Byron elogiava frequentemente os corpos das mulheres, muitas vezes submetidos a cirurgias estéticas, confessou ter uma atração por “seios enormes e ridículos” e chegou a fazer comentários indiscretos sobre o seu casamento de 34 anos com Kristi Noem, alega o Daily Mail. “Transformaste-me numa rapariga”, terá escrito Byron. “Devo vestir leggings?”
Segundo a mulher com quem o tabloide falou, Byron dizia que amava a mulher e queria “melhorar”. Depois, “desaparecia, voltava e começava tudo de novo”, acrescentou. Com o tempo, as mulheres terão começado a descobrir a verdadeira identidade do homem com quem falavam. Uma delas chegou a questioná-lo sobre o alegado caso extraconjugal de Kristi Noem com o assessor Lewandowski, que também era casado e tinha filhos. “A resposta dele foi: ‘Eu sei. Não há nada que eu possa fazer a esse respeito.'”
Em Castlewood, no Dakota do Sul, a notícia sobre Byron Noem chocou a comunidade que sempre viu o casal — que tem três filhos adultos e vários netos — como exemplar, segundo o NYT. Kristi Noem tornou-se conhecida nacionalmente pelo seu papel no ICE e pela carreira política, mas Byron era apenas o marido discreto e respeitado: alto, simpático, dono de um pequeno escritório de seguros em Watertown, com o lema na placa a prometer um “serviço à moda antiga, fácil como uma tarte!”.
“Deve ser inteligência artificial”, disse Kevin Ruesink, um criador de gado, ao jornal de Nova Iorque. “Nunca o vi envolvido em coisas assim. Não acredito nisso de maneira alguma.” “Um homem tão bom”, disse outro dos conhecidos. “Isso parte-me o coração”.