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(A) :: Meio século depois, Ted Bundy foi oficialmente ligado ao assassinato de adolescente no Utah

Meio século depois, Ted Bundy foi oficialmente ligado ao assassinato de adolescente no Utah

Laura Ann Aime, desaparecida em 1974, é "sem sombra de dúvidas" uma vítima de Bundy. Esta descoberta, 51 anos depois, graças ao ADN, pode ajudar a fechar outros casos ligados ao serial killer.

Marta Ramos
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Autoridades do estado do Utah encerraram formalmente, na quarta-feira, um caso arquivado há 51 anos, após utilizarem novas tecnologias de ADN que permitiram identificar uma adolescente assassinada em 1974 como sendo uma das vítima do serial killer Ted Bundy nos Estados Unidos da América (EUA).

Laura Ann Aime, de 17 anos, desapareceu na noite de 31 de outubro de 1974, depois de sair de uma festa de Halloween em Lehi, uma pequena cidade do estado norte-americano. Um mês mais tarde, a 27 de novembro, o seu corpo foi encontrado por excursionistas num trilho do American Fork Canyon, segundo o Departamento de Segurança Pública, recorda o jornal local Deseret News.

Aime tinha ficado em casa de amigos nas semanas antes do seu desaparecimento, disse então a família à polícia, pelo que não reportaram a sua ausência imediatamente, segundo avançava na altura o The Salt Lake Tribune. Inicialmente, a polícia pensou que os caminhantes tinham encontrado outra jovem de 17 anos, Debra Kent, que tinha desaparecido a 8 de novembro (e que, mais tarde, Bundy confessou ter matado, apesar de o corpo nunca ter sido encontrado).

Na quarta-feira, o xerife do Condado de Utah, Mike Smith, anunciou em conferência de imprensa que os novos testes “confirmaram irrefutavelmente que o ADN encontrado no corpo de Laura era de Bundy”, pelo que podia agora “afirmar, sem sombra de dúvida, que Theodore ‘Ted’ Bundy de facto assassinou Laura Ann Aime no outono de 1974”.

Embora Bundy tenha confessado o assassínio de Aime antes de ser executado na Flórida em 1989, nunca foi oficialmente acusado pela sua morte. E até há pouco tempo não havia provas suficientes para confirmar a 100% a sua confissão, disse Smith.

Ao longo dos anos, vários detetives do condado reabriram o caso para analisá-lo, na esperança de encontrarem novas provas. Há cerca de um ano, o sargento Mike Reynolds reabriu o caso de Aime e em colaboração com o Laboratório Criminal do Utah, conseguiu-se recolher uma amostra de ADN de fluidos corporais encontrados na cena do crime de Aime.

Com base nisso, um perfil de ADN de um homem foi identificado, afirmou o Comissário do Departamento de Segurança Pública, Beau Mason, cujas funções incluem a supervisão do laboratório criminal, diz o Deseret News. Esse perfil foi inserido no Sistema CODIS, o banco de dados nacional do FBI com mais de 25 milhões de perfis do código genético de criminosos condenados. Em março, o detetive e o xerife receberam a confirmação de que havia uma correspondência com o perfil de Bundy.

Reynolds e Smith, na quarta, agradeceram aos detetives que trabalharam inicialmente na investigação e àqueles que o analisaram ao longo dos anos por preservarem tão bem as evidências que “resistiram ao tempo e permaneceram intactas”, salientando a importância que esse cuidado teve na resolução do caso e reforçando que daqui para a frente poderá ser usado para resolver casos semelhantes que ainda estejam abertos.

O xerife insinuou que o seu departamento estava perto de anunciar um avanço noutro caso de homicídio arquivado que pode estar ligado a Bundy, refere o Deseret News. E sublinhou que se o assassino ainda estivesse vivo, procuraria por todos os meios conseguir a pena de morte para ele, reporta a imprensa local.

https://observador.pt/2019/02/09/quem-foi-ted-bundy-o-psicologo-e-serial-killer-que-matou-mais-de-30-mulheres-nos-eua/

Bundy, um dos assassinos em série mais conhecidos dos Estados Unidos, começou a sua vaga de crimes violentos em 1974 em Washington. Lynda Ann Healy, uma estudante de 21 anos, foi a sua primeira vítima confirmada. Nos anos seguintes, também cometeu assassinatos no Utah, Colorado e Idaho.

Foi preso pela primeira vez em 1975 por sequestrar uma mulher, sendo condenado a 15 anos de prisão. Em dezembro de 1977, fugiu de uma prisão no Colorado. No mês seguinte, atacou quatro mulheres, na residência estudantil Chi Omega, no campus da Universidade Estadual da Flórida, em Tallahassee, sendo que duas das vítimas acabaram por morrer dos ferimentos. Mais tarde, sequestrou, violou e matou Kimberly Leach, de 12 anos, a sua vítima mais nova (conhecida), também na Flórida. Em fevereiro de 1978, Bundy foi capturado outra vez e, em 1980, condenado a três penas de morte, sendo executado em 1989, na cadeira elétrica.

Na época da morte de Laura Ann Aime, o serial killer morava em Salt Lake City, estando a estudar Direito na Universidade do Utah.

Texto editado por Dulce Neto