Os EUA vão “continuar a bombardear” o Irão “com força extrema nas próximas duas a três semanas”, avisou Donald Trump, num discurso ao país do qual se esperava uma mensagem muito mais tranquilizadora do que aquela que, na realidade, acabou por ser transmitida. E, devido a essa surpresa, a tensão voltou aos mercados financeiros, com o preço do petróleo a subir novamente para os valores mais elevados da semana.
Trump admitiu, no seu longo discurso de 19 minutos, que esses ataques podem incluir as “infraestruturas energéticas”, se o Irão não fizer cedências nas negociações que estarão em curso, de forma indireta (através de países mediadores). A mensagem contrastou com as notícias que foram publicadas pouco antes do discurso, que davam a entender que seria um discurso mais conciliador e tranquilizador no que diz respeito ao conflito no Médio Oriente.
O discurso fez os preços do petróleo dispararem mais de 6%, regressando aos valores mais elevados da semana, apesar de Trump não ter, além do já referido, acrescentado muito de novo em relação ao que tem vindo a dizer sobre o rumo da guerra, nomeadamente os alvos atingidos, o que considera ter sido uma mudança de regime e com o alegado dizimar da marinha e da força aérea iranianas.
Ainda assim, quando se previa que Trump falasse num fim gradual para o conflito, o discurso acabou por ser diferente do que se esperava, com o Presidente dos EUA a dar a entender que a guerra ainda irá durar várias semanas. As bolsas asiáticas fecharam em queda e as ações europeias, a meio da manhã desta quinta-feira, perdiam mais de 1,5%.

Ainda falou, de raspão, da Venezuela. Mas não se referiu uma única vez a uma retirada dos EUA da NATO. Nem do papel de Israel.
Trunp também voltou a dizer, sobre a inflação, que os preços da energia cairão rapidamente quando a guerra terminar travando a inflação, o crescimento económico e levando ao aumento dos preços dos alimentos. E afirmou que o “o estreito de Ormuz abrirá naturalmente mal a guerra termine”.
O Presidente norte-americano reconheceu, também, que prometeu que o Irão nunca teria uma arma nuclear “desde o primeiro dia em que anunciou a sua candidatura presidencial em 2015” e falou também das críticas internas dos que consideram que esta guerra viola as suas promessas de campanha de evitar envolver o país em novos conflitos. Só assim se consegue proteger a América de um dos grandes inimigos, justificou Trump.
No mesmo discurso, Trump voltou, também, a acusar o seu antecessor Barack Obama de ter dado ao Irão 1,7 mil milhões de dólares em dinheiro, o montante do Irão que os EUA congelaram durante décadas. Criticou, também, o acordo nuclear da era Obama, do qual saiu em 2018, sem referir que Obama conseguiu retirar do país 97% do stock nuclear iraniano.
Donald Trump continuou, dizendo que está “a fazer o que nenhum outro Presidente quis fazer”, insiste que “reduziu o Irão à Idade da Pedra”, e que se não cederem “irá atacar várias infraestruturas mas não o petróleo”, apesar “de esse ser o mais fácil”.
No início do discurso, porém, Trump deu os “parabéns à NASA pelo grande feito da missão Artemis”, “são grandes pessoas, Deus os abençoe”, mas rapidamente passou para o tema Irão, dizendo que conseguiu “grandes vitórias”: desde “destruir toda a sua marinha e força aérea, que também já desapareceu”, também as “suas instalações de produção de mísseis”, e garantindo que já foram atingidos “11 mil alvos”. “Nunca na história da guerra um inimigo sofreu perdas em larga escala tão claras e devastadoras em poucas semanas”, alegou o Presidente dos EUA.