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Air France-KLM e Lufthansa entregam propostas não vinculativas pela TAP. IAG fora da corrida

No dia em que terminou prazo para a entrega de propostas não vinculativas pela TAP, a Air France-KLM foi a primeira a entrar na corrida. Lufthansa também apresentou proposta. IAG ficou de fora.

Ana Sanlez
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A Air France-KLM e a Lufthansa estão oficialmente na corrida pela compra da TAP. Já a IAG, dona da British Airways e da Iberia, ficou fora da corrida. A Parpública já confirmou, em comunicado, que “recebeu duas propostas não-vinculativas, apresentadas pelos interessados convidados a fazê-lo após a conclusão da primeira etapa da referida operação, Air France-KLM e Deutsche Lufthansa”.

A Air France foi a primeira companhia aérea a confirmar que apresentou a sua proposta não vinculativa à Parpública para a compra de até 44,9% do capital da TAP. Em comunicado, o CEO do grupo Air France KLM destaca a “marca valiosa” e a “proposta de valor única que proporciona conectividade e orgulho a milhões de portugueses”, que “confirma o forte, continuado e reiterado interesse” no grupo na companhia portuguesa. O valor da proposta não foi divulgado.

Já ao início da tarde desta quinta-feira a Lufthansa também avançou que vai entrar na corrida à privatização da TAP. Numa breve nota enviada aos jornalistas, fonte oficial da Lufthansa adianta apenas que “confirmamos que submetemos uma proposta não vinculativa pela TAP Air Portugal”, escusando-se a fazer mais comentários.

Outro dos expectáveis candidatos era o grupo IAG, dono da British Airways e da Iberia. Mas acabou por não apresentar qualquer proposta, tendo confirmado essa decisão já depois do fim do prazo para a entrega, às 17h00 desta quinta-feira. “Após uma análise cuidada, a IAG decidiu que não seria do melhor interesse dos nossos acionistas avançar no processo de aquisição de uma participação na TAP, a companhia aérea portuguesa”, adiantou o grupo IAG numa nota enviada à imprensa.

“Sempre afirmámos que, em qualquer situação de aquisição, precisamos de um caminho para o controlo total, de forma a podermos gerir e transformar o negócio”, justifica o grupo. A privatização da TAP prevê, nesta fase, a alienação de 49,9% do capital.

Ao contrário da Lufthansa, a Air France-KLM enviou uma nota longa, na qual explica os motivos pelos quais quer comprar a TAP. “Acreditamos firmemente que o próximo capítulo da história desta companhia aérea deve ser escrito enquanto parte do Grupo Air France-KLM, partindo deste legado e elevando a TAP a um novo patamar. A TAP encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos a conectividade noutras cidades do país, incluindo o Porto. Aguardamos com expectativa as próximas etapas deste processo de privatização”, destaca o CEO.

Além da Air France e da Lufthansa, é esperadas mais uma proposta no processo de privatização da TAP, do grupo IAG.

No mesmo comunicado, a Air France diz que no caso de ser a proposta vencedora, “Lisboa tornar-se-ia o hub único do Grupo no Sul da Europa”, graças “à sua posição geográfica ideal”, destacando a “vasta conectividade, nomeadamente para as Américas – incluindo o Brasil, um mercado fundamental tanto para a TAP como para a Air France-KLM – e para África”.

Já a TAP, defende a companhia, “beneficiaria da integração numa organização comercial de âmbito mundial, que abrange a Air France, a KLM e a Transavia, bem como de uma estreita colaboração com a Delta Air Lines e a Virgin Atlantic, parceiras da Air France-KLM na Joint Venture transatlântica”. A integração no grupo Air France “ajudaria a TAP a concretizar a sua visão de “abraçar o mundo'”, destaca a Air France.

A Air France defende ainda a sua proposta ao considerar que “Portugal, como um todo, beneficiaria de um aumento da conectividade aérea” com a aquisição, que seria concebida “para maximizar as sinergias económicas e operacionais”.

O modelo, continua a nota, “permitiria à TAP beneficiar plenamente de uma integração suave num grupo de maior dimensão, robusto, com economias de escala e um alcance global, reforçando a sua competitividade”.

A Air France-KLM diz ter um histórico de “preservação e crescimento de marcas históricas e quer permitir que a TAP se mantenha fiel à sua herança portuguesa, ao mesmo tempo que potencia a sua identidade distintiva no cenário global. Isto reforçaria o crescimento sustentável da TAP e o desenvolvimento regional em Portugal, salvaguardando simultaneamente a conectividade para a diáspora portuguesa, em linha com os requisitos estabelecidos pelo Governo português”.

A companhia reforça ainda a sua “vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais“.

“Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma nação”, conclui o grupo.

https://observador.pt/2026/02/19/air-france-klm-esta-a-preparar-oferta-nao-vinculativa-para-a-tap-e-ja-reuniu-com-a-gestao-portuguesa/

No mesmo comunicado, a Parpública indica que irá agora “elaborar, de modo fundamentado, um relatório que deverá descrever as propostas não-vinculativas apresentadas e conter uma apreciação das mesmas, determinando o seu mérito absoluto e relativo em função dos critérios de seleção previstos”. O relatório será entregue ao Governo no prazo de 30 dias, “salvo se houver lugar a pedidos esclarecimentos, sobre as respetivas propostas, a qualquer um dos proponentes, caso em que o referido prazo se suspende até que sejam prestados todos os esclarecimentos ou decorra o prazo que tenha sido fixado aos proponentes para o efeito”.