Mais de meia centena de agentes da polícia do Chade chegaram a Porto Príncipe, o primeiro contingente enviado para o Haiti como parte da nova força multinacional de combate ao crime organizado.
Após a chegada dos polícias chadianos esta quarta-feira, é esperado um contingente maior nos próximos dias para integrar a Força de Repressão de Gangues (FRG), disse fonte governamental à agência de notícias France-Presse.
Esta missão multinacional supervisionada pelas Nações Unidas tem como objetivo apoiar a polícia nas operações contra os grupos que há anos cometem assassínios, violações, pilhagens e raptos no Haiti, o país mais pobre das Américas.
Dezoito países comprometeram-se a participar nesta força, que contará eventualmente com até 5.500 membros e substituirá a Missão Multinacional de Apoio à Segurança, implementada desde junho de 2024 e liderada pelo Quénia.
“Dos 1.500 polícias chadianos que vão participar na FRG, 350 serão enviados em breve“, explicou ainda a fonte governamental, sem adiantar uma data precisa.
A FRG anunciou, também na quarta-feira, a chegada ao Haiti do seu representante especial, o sul-africano Jack Christofides, numa onda de ataques de grupos armados contra a população.
Pelo menos 70 pessoas foram mortas na noite de sábado para domingo em ataques coordenados por membros de grupos de crime organizado em Petite-Rivière-de-l’Artibonite, informou o representante da ONU no país.
Um número acima do divulgado pela polícia na segunda-feira que tinha referido um balanço de pelo menos 16 mortos.
“Pelo menos 70 mortos em ataques brutais e coordenados contra várias localidades de Petite Rivière de l’Artibonite: esta violência cega é mais um lembrete da urgência de um apoio reforçado ao Haiti contra o flagelo dos gangues e das redes que os apoiam”, escreveu Carlos Ruiz Massieu, na rede social X.
A polícia haitiana tinha anunciado na segunda-feira um balanço preliminar de, pelo menos, 16 mortos, mas várias outras fontes estimavam um número muito superior, nomeadamente após outro ataque ocorrido na madrugada daquele dia.
Segundo Bertide Horace, porta-voz da Comissão de Diálogo, Reconciliação e Consciencialização para Salvar o Artibonite (um departamento do Haiti), uma organização da sociedade civil, o ataque nesta localidade situada a noroeste de Port-au-Prince, a capital do país, foi levado a cabo pelo gangue “Gran Grif”.
De acordo com um relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, publicado na semana passada, a violência perpetrada por gangues e os ataques contra estes no Haiti causaram mais de 5.500 mortos entre março de 2025 e meados de janeiro.