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Irão descreve exigências dos EUA como "maximalistas e irracionais"

Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão nega pedido de cessar-fogo e diz que afirmações de Trump são "falsas e infundadas", em carta dirigida ao povo americano.

Agência Lusa
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A diplomacia do Irão acusou os Estados Unidos (EUA) de fazerem exigências “maximalistas e irracionais” e negou ter pedido um cessar-fogo, ao contrário do que afirmou o Presidente norte-americano Donald Trump.

“Foram recebidas mensagens através de intermediários, incluindo o Paquistão, mas não há negociações diretas com os Estados Unidos”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão.

Citado pela agência de notícias iraniana ISNA na quarta-feira, Esmail Baghaei descreveu as exigências de Washington como “maximalistas e irracionais”.

Horas antes, Donald Trump tinha dito que “o novo presidente do regime iraniano, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que os predecessores, acaba de pedir um cessar-fogo”.

As afirmações de Trump são “falsas e infundadas”, disse Esmail Baghaei.

As declarações da diplomacia do Irão surgiram antes de Trump ter prometido que as forças norte-americanas vão atacar com “muita força” o Irão nas próximas duas a três semanas.

A promessa surgiu na quarta-feira, num discurso ao país, após 33 dias do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram uma campanha de bombardeamentos contra território iraniano.

“Vamos atacá-los com extrema dureza nas próximas duas a três semanas. Vamos mandá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem. Entretanto, as negociações continuam”, afirmou o Presidente norte-americano.

“Se não houver acordo, vamos atacar cada uma das suas centrais elétricas com muita dureza e, provavelmente, em simultâneo”, acrescentou, num discurso dirigido aos norte-americanos a partir da Casa Branca.

Horas antes, o Presidente iraniano, MasoudPezeshkian, publicou nas redes sociais uma carta “ao povo dos Estados Unidos”, defendendo que Donald Trump está a ser “influenciado e manipulado” por Israel no ataque à República Islâmica.

https://twitter.com/drpezeshkian/status/2039418009052119190?s=20

Pezeshkian denunciou uma campanha de desinformação contra o seu país e pede aos norte-americanos que reflitam sobre a política defendida no passado por Trump de não envolver o país em conflitos no estrangeiro: “Será que o “America First” [“América em Primeiro”] é hoje realmente uma das prioridades do governo?”, questiona.

O Presidente negou que o Irão represente uma ameaça, após afirmar que o regime nunca iniciou uma guerra e que, no atual conflito, iniciado pelo ataque de 28 de fevereiro por forças norte-americanas e israelitas, “procurou um acordo e cumpriu os seus compromissos”.

O Irão tem respondido com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas nos países da região, e com o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.

A guerra provocou mais de três mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, que se viu envolvido no conflito após o movimento pró-Teerão Hezbollah ter atacado Israel.