Luís Montenegro entende que o Governo por ele liderado foi capaz de, “num tempo de polarização”, unir verdadeiramente os portugueses em torno de um desígnio comum. No dia em que celebra dois anos à frente do Executivo, o líder social-democrata projeta o que resta da próxima legislatura e defende aquilo que foi feito até ao momento. “Mostrámos maturidade para assegurar uma base sólida de estabilidade e ambição para liderar a construção do nosso futuro coletivo.”
Num artigo de opinião publicado no Observador, para assinalar, precisamente, os dois anos como primeiro-ministro, Luís Montenegro faz a síntese possível entre a necessidade de fazer cedências para ter estabilidade governativa e a exigência de ter ímpeto reformista para dar sentido ao exercício do poder. “Estabilidade sem ambição seria um desperdício imperdoável. Ambição sem estabilidade seria uma imprudência infantil“, escreve o chefe do Governo.
No início do texto, Montenegro não deixa de criticar a herança recebida. “Para transformar, era primeiro necessário devolver confiança e estabilidade às instituições, à sociedade e ao país, que estava frustrado com anos de promessas defraudadas: serviços públicos degradados, impostos em máximos históricos, uma política de imigração em colapso, uma crise habitacional sem resposta, e, tudo isto, num clima de instabilidade política, social e geracional.”
Daí em diante, o primeiro-ministro vai assinalando as várias medidas adotadas pelo Governo e as metas atingidas, sempre com críticas àquilo que os executivos de António Costa deixaram feito ou por fazer. Reconhecendo que existem ainda muitos desafios por resolver — como na Saúde, por exemplo —, Montenegro não deixa de recordar que o caminho até aqui nem sempre foi linear — ainda que, em momento algum, recorde diretamente o chumbo da moção de confiança, a queda do Governo e as eleições antecipadas.
“Não foram dois anos quaisquer. Numa Europa desafiada e ameaçada e num mundo instável e perigoso, o país enfrentou em pouco tempo: um apagão sem aviso nem manual, incêndios persistentes e tempestades de gravidade histórica. Respondemos com urgência e serenidade, acorrendo de imediato às empresas e famílias afetadas com um pacote de 3 mil milhões de euros. Mas queremos preparar o futuro: estamos a concluir um processo de auscultação nacional, para em breve aprovarmos o PTRR – Portugal Transformação Recuperação e Resiliência, para financiar a reconstrução e tornar o país mais resiliente e mais competitivo”, escreve.
A terminar, e já depois de assinalar aquilo que considera ter sido a “maturidade” demonstrada pela AD ao longo destes dois anos e a forma como o Governo tem considerado enfrentar os desafios que se foram colocando no horizonte, Luís Montenegro remata com uma promessa: “Seguimos focados e firmes a trabalhar pelo futuro de Portugal”.