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(A) :: "Quando caso for arquivado, vamos ser implacáveis com Sporting": Villas-Boas nega acusações e fala em "vitimização permanente"

"Quando caso for arquivado, vamos ser implacáveis com Sporting": Villas-Boas nega acusações e fala em "vitimização permanente"

Após uma reunião mais curta com a ministra do Desporto do que Varandas, Villas-Boas assegurou que inocência do FC Porto no caso do andebol está "bem documentada" e promete reação forte contra rival.

Bruno Roseiro
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Uma chegada quando Frederico Varandas ainda se encontrava no edifício, embora não se tenham cruzado, uma reunião mais curta do que aquela que tinha existido entre Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, e Miguel Laranjeiro, líder da Federação Portuguesa de Andebol (além de Miguel Fernandes, vice e diretor executivo da FPA), a mesma disponibilidade para falar no final à imprensa presente. André Villas-Boas, presidente do FC Porto que se fez acompanhar na audiência do diretor geral das modalidades, Mário Santos, explicou aquilo que foi debatido na conversa com os responsáveis governativos e federativos presentes, voltando a apontar para um “filme” diferente de tudo o que se passou no clássico de andebol antes de deixar várias críticas ao homólogo.

“O FC Porto foi prestar esclarecimentos sobre alegados incidentes que o Sporting alegou no seu comunicado. O FC Porto está absolutamente tranquilo quanto a todos os factos. Foi isso que passámos à ministra, numa leitura interna, externa e extensa. Desde o primeiro momento em que a porta do balneário é fechada até ao momento em que foi aberta para receber o Sporting. Estão excluídas quaisquer prevaricações com produtos de limpeza e tóxicos, bem como qualquer sabotagem interna ou externa, com a documentação toda não vá passar-se o Carnaval todo dos últimos dias. Há vários jogadores do Sporting que saem do balneário mediante as indicações do nosso diretor de segurança, bem como o treinador Ricardo Costa, que está 40 segundos dentro do balneário até que bastante mais tarde acaba por sentir-se mal com as tensões altas. Para nós custa muito ver um Dragão de Ouro prostrado no chão, com sintomas de tensões altas num dérbi, e desejamos-lhe as melhores e que se encontre em condições de dirigir o Sporting”, começou por dizer.

“Para nós é um conforto que tenha sido aberto um inquérito por parte do Ministério Público. Os factos e as imagens, bem como os documentos que o FC Porto tem, são muito óbvios. Desde os relatórios médicos ao auto da polícia. O único auto levantado pela polícia é uma agressão do Martim Costa a um adepto do FC Porto. A polícia já se manifestou e não há nada de anormal nas condições que o FC Porto deu ao Sporting para se equipar, nem naquele balneário nem noutro. Estamos absolutamente tranquilos. Apurados todos os factos, e arquivando isto, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting relativamente a difamação, calúnia e aos atentados contra o seu bom nome. Não só por parte do Sporting, como de alguns comentadores da comunicação social que ultrapassaram a liberdade de expressão”, assegurou Villas-Boas sobre este caso.

“Das capas dos jornais às bolas, toalhas e cones, a única coisa que posso enviar ao presidente do Sporting é umas novas capas de jornais, um conjunto de bolas, cones e toalhas. Não sei o que tem contra o FC Porto… É muito raro que se venha discutir com a ministra um incidente que para o Sporting era gravíssimo, uma situação de criminalidade, mas que vem transformado em cones, bolas e toalhas. É raro e patético. Tal como é raro e patético o comunicado do Sporting, que refere andebol uma vez e tenta levar este incidente para outros casos que nada têm a ver. Neste caso, o FC Porto está muito bem documentado. Pessoas que se sentiram mal? Sim, uma estava com tensão alta e outra com glicemia baixa. Este foi o relatório que o FC Porto recebeu. Ao jogador Moga foi dado um copo de água com açúcar e teve alta no momento…”, garantiu.

“Nem sequer houve hospitalização de elementos do Sporting. Há vários elementos que saem do balneário, há jogadores do Sporting a gozar com a situação. É esta a raridade do caso que o Sporting tentou aproveitar, tal como fez o aproveitamento das capas dos jornais quando foi jogar ao Dragão. E é lamentável esta vitimização permanente, a obrigar a ministra a ter uma reunião por causa de um caso destes”, voltou a reforçar, antes de abordar também as queixas de Frederico Varandas em relação a outros casos no futebol.

“Compreendo as frustrações do presidente do Sporting, principalmente quando no seu estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro contra a cabeça dos árbitros, jogadores que assumem que um árbitro é ladrão, quando há quebras de códigos regulamentares dos regulamentos da Liga para adiar um jogo de futebol… Compreendo as tentativas de mudar narrativas. Como houve um período de pausas para jogos da Seleção, o Sporting quer desviar o caso do jogo com o Tondela para um pouco mais tarde. Veio aqui fazer as figurinhas que fez, que são lamentáveis em toda a Liga. Obrigou a ministra a reunir com os dois presidentes num caso em que o FC Porto tem provas irrefutáveis. Arquivado o caso, será implacável”, frisou.

“Clima atual no futebol português? Esse foi o ponto principal da reunião, no sentido de promover maior diálogo entre os três grandes. O único a tentar fui eu. Não posso permitir que no decurso das épocas haja um presidente permanentemente incendiário com Conselho de Arbitragem, instituições, clubes, com ataques pessoais claros e bárbaros relativamente à minha pessoa. Fui treinador, sempre lidei bem com isso, mas não posso permitir que se suje o nome do FC Porto à vontade. É isso que o presidente do Sporting faz. Se há capacidade de entendimento entre os três grandes? Possivelmente. Mas é preciso que se baixe o tom da comunicação, que se tivesse consciência dos próprios atos e erros em vez de se acusar os outros… Eu já fiz a minha parte. Provavelmente será em reuniões como esta que se poderá apaziguar os ânimos. Mas tudo faz parte de rivalidades históricas, estamos no campo das emoções, antes de ironizar sobre o próximo clássico no Estádio do Dragão com o conjunto de Alvalade, a contar para a segunda mão da Taça de Portugal.

“Acha normal o estado alterado do presidente do Sporting depois do jogo, em que chama outro presidente de cobarde e mentiroso? Depois de uma reunião que tivemos, o presidente do Sporting veio pedir-me desculpa. E foram aceites. À frente da comunicação social não é capaz de fazer. Foi neste último encontro, quando fomos reunir com o presidente da Federação sobre as apostas desportivas. Pediu-me desculpa, fruto das suas constantes e inflamadas declarações à comunicação social. Compreendo que haja uma necessidade de apaziguar os ânimos mas não posso viver constantemente nas vitimizações do Sporting”, salientou.

“Como será no próximo clássico? O presidente do Sporting será encaminhado para outra zona porque não tenho prazer em sentá-lo ao meu lado, nem ele tem prazer de se sentar ao meu lado. Que todos temos de dar outra imagem, possivelmente. Que possa haver caminho para apaziguamento, talvez. Nesse caso, somos o promotor do evento e temos a nossa organização, cumprimos toda a segurança. Mas se o Sporting leva a mal capas de jornais instaladas no balneário visitante há imenso tempo ou os produtos de limpeza que usamos nos balneários… Não posso fazer mais nada do que registar a vitimização permanente de um clube. O nosso objetivo no próximo jogo é construir um spa para bem receber o Sporting. Com camas em condições, a qualidade dos lençóis necessária, com toalhas de veludo para serem mais fofinhas… Estas são as rivalidades históricas do futebol português”, ironizou, antes de balizar outros “limites” ultrapassados.

“Os limites não são roubar toalhas, por amor de Deus… Se o presidente do Sporting está preocupado em roubar toalhas, o que lhe digo é que tenha cuidado com as garrafas de vidro que voam no seu estádio e atingem a cabeça dos árbitros, com os jogadores que dizem que os árbitros são ladrões e com as suas declarações quando diz que há 40 anos os presidentes das federações estavam a mando dos presidentes dos clubes. Isto não é muito mais grave do que cones, bolas, toalhas e reuniões com a ministra? Estas são as considerações que o presidente do Sporting tem de cair na realidade, acalmar-se um pouco e ambos reconhecermos que é necessário apaziguar o ambiente do futebol português”, comentou Villas-Boas, que voltou também a falar sobre o adiamento do encontro do Sporting frente ao Tondela no Campeonato.

“Há uma regra incumprida para cumprir uma lei que não é obrigatória: a das 72 horas. Se quiserem, façam um estudo para ver quantos jogos já foram disputados sem haver as 72 horas de intervalo. O presidente da Liga tem uma interpretação dos regulamentos que nós não temos, por isso é que há divergências e pedimos clarificações à Liga, que nos está a passar isso. A partir daqui, estamos numa disputa. Para nós, há quebra de regulamentos. Para a Liga obviamente não porque tem de fazer a sua defesa. Acresce a isso que o Sporting não está a jogar na primeira data disponível. Em condições normais, o Sporting estaria a jogar hoje com o Tondela. Desestabilizar? A equipa do FC Porto está protegida contra este ruído. Este caso é específico em relação ao jogo de andebol e o FC Porto está muito bem documentado. Não lhe posso negar que tínhamos medo de uma sabotagem externa neste caso, mas também não parece. Sabotagem interna também está colocado de parte, a empresa que sempre limpou os balneários também nos passou o que era preciso. Aquele balneário, depois de limpo no dia anterior, não voltou a ser tocado. Delegada? Tem um histórico de tensões altas… Isso está no relatório que está à nossa disposição”, voltou a destacar sobre o caso.

“A partir do momento em que isto for fechado, seremos implacáveis com todos os que prevaricaram com o nome do FC Porto. Não podemos estar constantemente a ser o saco de pancada dos meios de comunicação social a reboque de falsas narrativas do Sporting e do seu presidente. O nosso diretor de segurança chamou-nos a atenção em relação às imagens. Temos o diretor das modalidades do Sporting a tirar fotografias a pessoas no chão. Quando vemos isso, é para ajudar imediatamente essas pessoas, não para andar a passar fotos para os meios de comunicação social a fazer Carnaval. Isto é um assunto grave, que foi tratado na hora, onde as duas pessoas tiveram alta na hora e onde o diretor do Sporting andava a fazer filmes e a tirar fotografias. Se acham isto normal… Para nós é um orgulho que o Ministério Público siga o inquérito. O FC Porto está bem documentado e depois seremos implacáveis com o Sporting”, concluiu Villas-Boas.