Granola com mirtilos, uma salada de manga ou bróculos gratinados. Pode ser difícil encontrar estes pratos num restaurante com estrela Michelin, mas irão onde nenhum chef ainda chegou: a bordo da missão Artemis II, onde compõem o menu de refeições disponíveis durante a primeira missão tripulada até à Lua em mais de 50 anos.
O menu é composto por mais de 189 porções para toda a equipa entre bebidas, snacks, molhos e refeições mais completas: 58 tortilhas, 43 copos de café, cinco opções de molho picante e ainda cinco produtos alimentares canadianos trazidos pelo representante não-americano da tripulação, são algumas das opções destacadas pela NASA.
Na Apollo 17 — a última vez que um astronauta pisou a Lua —, em 1972, a típica refeição consistia de um “prato” de frango com arroz. Numa viagem lunar, como se pode imaginar, o serviço não é o mesmo que um restaurante, uma vez que todos os alimentos têm de ser leves e com a capacidade de serem comprimidos para ocupar o mínimo de espaço possível. A comida era preservada com um “revestimento de película laminada de quatro camadas”, como explica a página do museu da NASA, com o exemplo de umas fatias de pão de gengibre que não foram ingeridas durante a missão.

Esta proteção é essencial para garantir que a comida não perde sabor, não fica húmida nem oxidada, melhorando, dentro do possível, a experiência de alimentação a milhares de quilómetros da Terra. Se a variedade gastronómica era algo inexistente a bordo das missões do programa Apollo, os responsáveis pelo menu da Artemis II quiseram mudar isso. “Os menus refletem décadas de avanços nos sistemas de comida espacial”, descreve a NASA.
A oferta não será tão variada como a que existe na Estação Espacial Internacional, que beneficia de várias oportunidades de reabastecimento e comida fresca pontualmente — precisamente porque tem uma rota previsível e de fácil acesso para os mantimentos serem lançados desde a Terra. Na cápsula Orion, onde a tripulação irá viver durante os próximos 10 dias após o lançamento, haverá um menu fixo, pré-selecionado e armazenado sem a possibilidade de introduzir novas opções no decorrer da missão.
Antes da descolagem, a tripulação teve a oportunidade de testar todos os alimentos escolhidos pela NASA para os acompanhar na missão de 10 dias até à Lua. Os quatro astronautas tiveram um “input direto” naquilo que seria integrado no menu, com as suas preferências a serem conjugadas com as necessidades nutricionais definidas pela equipa terrestre. Toda a comida que está na nave insere-se numa destas gavetas: “pronta a consumir, reidratável, termoestabilizada ou irradiada”, as duas últimas técnicas, como descreve a agência, servem para garantir que os produtos precisam apenas de ser aquecidos para comer, já tendo passado pelo processo de eliminação de bactérias e micróbios que, no Espaço, podem ser nocivos. Mas precisam, na mesma, de acionar o dispensador de água para conseguir hidratar a comida e a bebida, bem como “uma espécie de mala” para aquecer os alimentos.
Mas nem todos os pratos do menu vão estar disponíveis a qualquer momento. Como o dispensador de água não estará funcional durante o lançamento, a aterragem e algumas outras fases da viagem, os alimentos que estejam desidratados não podem ser comidos. Para isso, vão ter de recorrer às preparações já prontas a comer, por exemplo, que não exijam operar qualquer tipo de sistema que poderá estar inativo naquela etapa da missão.
Nos meses de preparação para o lançamento, dois dos astronautas — Christina Koch e Jeremy Hansen — gravaram um vídeo a explicar os métodos de preparação das refeições, bem como seria o processo de comer em condições de microgravidade.
https://www.youtube.com/watch?v=3Tkib8zc-Ws