As motivações são geopolíticas e a missão que deverá ser lançada esta quarta-feira é vista como um “voo teste” antes de a NASA colocar astronautas na superfície lunar em 2028. Ainda assim, a Artemis II será muito mais do que isto. Além de ser a primeira aproximação lunar feita por uma tripulação em mais de 50 anos, a bordo da cápsula Orion estão vários equipamentos que vão fazer avançar o conhecimento da Humanidade sobre os efeitos que a exploração espacial pode ter no nosso corpo — além de toda a componente tecnológica que será testada ao longo dos 10 dias de viagem.
Para tal, a NASA preparou quatro “AVATARES” (“A Virtual Astronaut Tissue Analog Response“), equipados com células dos astronautas a bordo da nave espacial, para seguirem viagem com Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen. Os “AVATARES” são dispositivos organ-on-a-chip, ou seja, modelos de tecidos humanos com um tamanho semelhante ao de uma pen, que vão ser utilizados para analisar os efeitos que a radiação em Espaço profundo e que o ambiente de microgravidade podem ter no corpo humano.
Será a partir deste sistema — e outros que também vão acompanhar os astronautas nesta missão — que a NASA vai conseguir perceber o tipo de ajustes que podem vir a ser necessários para salvaguardar o bem-estar de futuras tripulações em missões de exploração lunar (mas também, no futuro, em Marte). “AVATAR é a experiência visionária da NASA sobre chips de tecido que vão revolucionar a forma como fazer ciência, medicina e exploração planetária”, afirmou a administradora adjunta da diretoria de Ciência de Missão da NASA.
“Cada chip é uma pequena amostra única criada para que possamos perceber exatamente quais são os efeitos do Espaço profundo em cada explorador humano antes de irmos, para garantir que temos todos os recursos médicos desenhados para salvaguardar as necessidades de cada astronauta nas missões em que viajamos até à Lua e, depois, até Marte”, explicou Nicky Fox. Este “AVATAR” e toda a análise que será feita após a missão é uma colaboração entre a NASA, diferentes agências governamentais norte-americanas e ainda com o setor privado. A agência espacial acredita que esta investigação “pioneira” poderá acelerar a inovação nos cuidados de saúde personalizados, tanto para astronautas no Espaço, como para pessoas em Terra.
A NASA compara as condições a bordo da Orion — a cápsula onde vão estar os astronautas durante toda a missão — a “passar férias numa caravana ou num dormitório partilhado”. Se a Estação Espacial Internacional é maior que um T6, a agência refere que esta cápsula é do tamanho de um dos quartos. Por este motivo, e uma vez que este mesmo dispositivo será utilizado nas restantes missões do programa Artemis, a NASA criou um outro programa para acompanhar a Saúde dos astronautas dentro de um espaço apertado.

Chama-se ARCHeR (“Artemis Research for Crew Health and Readiness”) e em vez de se utilizarem dispositivos pequenos compartimentalizados na cápsula, os dados relevantes vão ser medidos através de uma pulseira, semelhante a um smartwatch, para registar informação sobre a qualidade do sono, ritmo cardíaco e mais ao longo dos vários momentos da viagem. Além desta monitorização, as equipas em Terra vão fazer duas provas — uma antes, outra depois da missão — para comparar a mobilidade dos astronautas, de modo a despistar um eventual problema que iniba a sua condição física.
Também serão recolhidas amostras de sangue e de saliva antes, durante e depois da viagem, para estudar de que forma as hormonas de stress, vírus e células, de uma forma geral, podem ser afetadas por um voo desta intensidade. A saliva que será recolhida durante a missão será armazenada pelos astronautas em sacos especiais que são capazes de sobreviver às condições da viagem, para depois serem analisadas no momento de aterragem.