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Sporting ilustrou 5 casos em 5 meses com notícias, FC Porto fez fita do tempo do jogo de andebol: o que foi apresentado à ministra

Reuniões de Sporting e FC Porto com ministra do Desporto tiveram versões distintas às vezes sobre os mesmos factos. Leões abordaram mais casos recentes, dragões querem agir judicialmente contra rival.

Bruno Roseiro
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Aquilo que deveria ser apenas uma luta dentro de campo tornou-se uma autêntica batalha fora dele, aquilo que passou a ser visto pelos dois lados como uma autêntica batalha entre rivais assumiu-se como uma guerra sem um fim percetível à vista. Aliás, existe quase uma marcação cerrada como se costuma ver (de uma forma salutar) em campo. Quando um fala, há quase sempre uma resposta do outro. Quando um faz algo, o outro denuncia mas a versão paralela não demora a ser apresentada. Quando existe uma posição institucional de um lado, o outro não quer ficar para trás. E foi isso que voltou a acontecer no sétimo piso do Campus XXI, onde Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, e Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, receberam os presidentes do Sporting e do FC Porto… no espaço de duas horas.

Em menos de dois meses, os episódios de choque entre os dois rivais foram-se multiplicando – sendo que, nos bastidores, sem que isso envolvesse qualquer corte oficial de relações apesar das opiniões nesse sentido, tudo foi ficando mais deteriorado. O Observador sabe que, no início da semana, voltaram a existir contactos no sentido de tentar sentar as duas partes à mesma mesa para discutir argumentos e esvaziar a “bolha de pressão” que se foi adensando. Não foi possível, ninguém quis, não havia condições para tal. Nem por isso nenhuma das partes baixou a guarda, com o FC Porto a ter conhecimento do pedido de audiência feito pelo Sporting ao governo, neste caso à tutela do Desporto, e a avançar com a mesma posição. Tinha sido assim quando os leões fizeram o comunicado após tudo o que aconteceu no Dragão no empate para a Liga, tinha sido assim do lado do Sporting quando Villas-Boas falou em Alvalade após o jogo da Taça de Portugal.

Agora, o clássico que abriu a fase final do Campeonato de andebol no Dragão Arena acabou por ser uma gota que fez transbordar o copo… de ambos. Do lado do Sporting, os responsáveis consideram que tudo o que se viu, sentiu e passou no último sábado no balneário 4 do recinto destinado à equipa leonina passou todas as marcas e assumiu uma gravidade sem precedentes entre todos os episódios que tinham sido anteriormente denunciados. Da parte do FC Porto, os responsáveis apontam para uma situação “fabricada” que chegou também a um limite, considerando que tudo terá sido empolado para que fossem secundarizadas outros episódios como o da alegada agressão do jogador Martim Costa a um adepto dos azuis e brancos. Em campo, os leões, mesmo sem o técnico principal Ricardo Costa no banco, deram um passo quase decisivo para um tricampeonato como não se via desde o início dos anos 80. Fora dele, o “jogo” continuou.

De acordo com informações recolhidas pelo Observador, nenhuma das partes se cingiu apenas ao que se passou na tarde de sábado no Porto. O Sporting, que foi o primeiro clube recebido por Margarida Balseiro Lopes, apresentou o filme de várias ações que entende mostrarem um “comportamento estrutural” de não cumprimento de regras, utilizando tudo aquilo que tem sido público na comunicação social, entre os episódios e as declarações de André Villas-Boas, para pedir explicações para factos que nunca tiveram uma explicação cabal. Exemplos: os vídeos que passaram no balneário do árbitro Fábio Veríssimo no intervalo do encontro entre FC Porto e Sp. Braga, as bolas desaparecidas e as toalhas tiradas a Rui Silva no clássico da Liga, as frases intimidadoras no balneário do Estádio do Dragão, o que aconteceu a Ricardo Costa e Christian Moga na deslocação do andebol ao Dragão Arena, as declarações consideradas de teor “bélico” proferidas por André Villas-Boas. Foi a esse propósito que Varandas quis estabelecer uma diferença em relação ao rival, vincando que o Sporting apenas se defende perante os factos e que não quer contribuir para o atual clima.

Foi nesse sentido que, através de recortes de várias notícias que foram saindo na imprensa (sobretudo meios desportivos mas não só), Varandas deixou cinco questões a Margarida Balseiro Lopes em relação a alguns comportamentos do FC Porto que gostaria que André Villas-Boas pudesse explicar: 1) [Sobre o caso Fábio Veríssimo] Durante o intervalo de um jogo, os técnicos do FC Porto estão a analisar lances de partidas dos escalões infantis?; 2) [Sobre as bolas que foram retiradas de campo] Já passaram quase dois meses sem que tenha havido por parte do FC Porto qualquer reação. O que é que o presidente do FC Porto tem a dizer sobre isto?; 3) [Sobre as toalhas de Rui Silva que desapareceram] Já passaram quase dois meses sem que tenha havido por parte do FC Porto qualquer reação. O que é que o presidente do FC Porto tem a dizer sobre isto?; 4) Pode detalhar em que consistiu a intervenção técnica que executaram no Estádio do Dragão e se já está concluída? Sempre que os adeptos do Sporting entoavam cânticos eram abafados pelo som das colunas. A intervenção foi ao nível do sistema acústico do estádio?; 5) O treinador Ricardo Costa, o jogador Christian Moga, a delegada Rosa Pontes da Federação de Andebol e o jornalista do Record estão todos a mentir?

Já da parte do FC Porto, o contraponto teve argumentos em comum mas como um reverso da medalha e as provas possíveis de que tudo o aconteceu no passado sábado foi “encenado” para colocar em causa a imagem e reputação dos dragões. Em paralelo com as explicações sobre o sucedido, com relatórios e testemunhos de que não havia nada de anormal no balneário 4 do Dragão Arena e que foram acauteladas todas as diligências perante o sucedido, Villas-Boas visou também o discurso do seu homólogo Frederico Varandas, voltando a apontar a uma narrativa que tem procurado “criar um ambiente disruptivo, fabricar suspeitas e condicionar com isso as perceções sobre os temas”. Antes, o líder do FC Porto tinha recordado o ato racista num jogo de basquetebol no Pavilhão João Rocha e o ataque a adeptos portistas após um clássico no hóquei em patins que levou à acusação de tentativa de homicídio, entre outros episódios nos últimos tempos.

O presidente dos azuis e brancos deu conta da concordância em encontrar pontos de equilíbrio que permitam entrar num período de maior apaziguamento das relações entre os três grandes, sobretudo a nível de todas as intervenções públicas feitas, mas apontou também o dedo a Varandas por declarações que passam os limites – e que ganham depois continuidade sobretudo nos comentários televisivos, o que tem impacto direto nas perceções que se criam sobre os temas. Mais: Villas-Boas referiu também no encontro que tem sido o único entre os presidentes de FC Porto, Sporting e Benfica a procurar esse ambiente de maior acalmia, queixando-se daquilo que considera ser uma constante “vitimização” do homólogo. Assegurando que vai esperar para que o Ministério Público arquive o processo relativo ao andebol, o líder dos dragões prometeu ir até às últimas consequências para defender o bom nome e reputação do clube, agindo mesmo judicialmente.

“O Governo reafirma a sua disponibilidade para um diálogo contínuo com os principais intervenientes do setor,  reconhecendo o papel fundamental dos clubes na promoção do desporto, na formação de jovens e na transmissão  de valores à sociedade. Quanto à situação em análise, o Executivo acompanha o processo em articulação com a  Federação de Andebol de Portugal, tendo presente que estão a decorrer diligências de averiguação por parte das  instâncias disciplinares competentes”, comentou no final dos encontros a ministra ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, em comunicado.

“Sublinha-se que a apreciação dos factos e a eventual adoção de medidas cabem às entidades com competências próprias, designadamente às federações com utilidade pública desportiva, responsáveis pelo exercício, em exclusivo, de poderes regulamentares, disciplinares e outros de natureza pública nos termos da lei. O Governo destaca ainda a importância de uma atuação responsável dos dirigentes desportivos, atendendo ao  impacto das suas intervenções públicas na sociedade. Paralelamente, a área governativa do Desporto está a preparar, em articulação com a Administração Interna e com  o apoio da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, um conjunto de medidas estruturais  orientadas para um ambiente desportivo mais seguro, inclusivo e responsável”, acrescentou Balseiro Lopes.

“Tivemos esta reunião com os presidentes de Sporting e FC Porto a pedido e convite da senhora ministra e do senhor Secretário de Estado, e ouvimos o que cada um disse. Foi tranquila. A direção da Federação de Andebol fez aquilo que tinha de fazer: participar ao Conselho de Disciplina da FPA o procedimento ao que tinha ocorrido no jogo. Deixem-me dizer também que esta semana comemoramos os 50 anos da constituição da República. E este é um estado de direito. Não sou médico nem estive no campo. Nós defendemos a integridade de todos os jogadores da modalidade e acompanhamos a matéria, mas há um tempo para tudo. Se o andebol paga a fatura do que se passa no futebol? É uma interpretação… Agora há o caso do andebol mas creio que não estariam aqui se este caso fosse só sobre andebol”, referiu Miguel Laranjeiro.

Quais são as versões de FC Porto e Sporting sobre o que se passou no Dragão Arena

Mas o que aconteceu afinal no Dragão Arena, na antecâmara do clássico entre FC Porto e Sporting? Existem alguns pontos em comum nos relatos feitos pelas duas partes ao Observador, havendo depois uma diferença de interpretação que apenas poderá ser esclarecida pelas entidades competentes, neste caso não só a própria Federação Portuguesa de Andebol mas também o Ministério Público, que decidiu abrir um processo-crime para averiguação dos factos ocorridos na sequência das queixas apresentadas pelos clubes.

Logo à partida, há um dado novo que tem sido pouco referido mas que acabou por tornar-se o primeiro foco de “instabilidade”: à chegada ao Dragão Arena, o autocarro do Sporting ficou numa outra zona em relação ao que costumava ser normal, numa alteração feita para todos os conjuntos visitantes por forma a que as duas equipas não se cruzem nos acessos aos balneários, algo que originou protestos por parte dos verde e brancos. Depois, aquilo que não demorou a ser veiculado por vários meios: o treinador Ricardo Costa e o jogador Christian Moga tiveram de ser assistidos após sentirem-se mal com o cheiro estranho que se fazia sentir no balneário 4 que tinha sido destinado aos leões, não chegando a receber cuidados no hospital porque entretanto chegaram ambulâncias e um médico ao Dragão Arena. Foi também nesse momento que a equipa de Alvalade levantou a possibilidade de não ir a jogo, algo que caiu por decisão dos dois delegados da Federação Portuguesa de Andebol após uma segunda vistoria ao espaço (atrasando o início para as 18h15).

As interpretações diferem neste ponto, não colocando em causa os factos. O Sporting considera que foi esse cheiro “tóxico e intenso” que propiciou a que Ricardo Costa e Moga tivessem sido assistidos, apoiando-se também no facto de uma das delegadas, Rosa Pontes, ter sentido o mesmo, como assumiu em declarações ao jornal A Bola. “Estava um cheiro muito intenso que me provocou ardor e deixou os olhos vermelhos, além de um pingo no nariz. Também sou alérgica a amoníaco. Fui alertada de que estava com uma má cara. Quando fui examinada tinha a tensão alta”, comentou. “15 minutos depois, quando fomos lá a segunda vez, já não se sentia aquele cheiro”, acrescentou depois, algo que acabou por ser contradito por um jornalista do Record que visitou nas horas seguintes o referido balneário 4 e falou ainda num “cheiro desconfortável”. Outros elementos que conhecem bem o espaço admitiram também que é normal haver um cheiro mais presente de produtos de limpeza sempre que os espaços são limpos mas que, agora, a situação era diferente.

Já o FC Porto, não pondo em causa as situações que Ricardo Costa e Moga apresentaram, abordaram esse tema de outra forma apontando para aquilo que foi “diagnosticado” após assistência: o pivô estaria com os valores de glicemia ligeiramente alterados, o que justificava os sinais apresentados, ao passo que o técnico teria um episódio de hipertensão. Mais: segundo apurou o Observador, os dragões só avançaram com todas as posições públicas após verificarem as imagens do circuito de vigilância interno para estarem seguros de que ninguém teria adulterado aquilo que tinha sido a limpeza feita ao balneário 4 ainda na véspera, sexta-feira. Foram também essas imagens que terão captado outro facto agora relatado a Margarida Balseiro Lopes a título de exemplo: o momento em que Miguel Afonso, vice-presidente dos leões para as modalidades, foi tirando fotografias que seriam depois partilhadas em meios de comunicação social.

Em paralelo, os dragões falam também daquilo que se terá passado com Martim Costa numa fase ainda de aquecimento no Dragão Arena e quando estaria ainda menos público no recinto, acusando o internacional português de ter entrado numa zona de bancada para empurrar um adepto dos azuis e brancos. O FC Porto anunciou que o único auto instaurado pela polícia tinha sido exatamente por esse episódio, o Sporting não fez qualquer comentário sobre o sucedido. No fundo, os leões consideram que o facto é uma tentativa de secundarizar tudo o que aconteceu antes, da mesma forma como os dragões apontam para tudo o que se passou antes como uma tentativa de secundarizar o que aconteceu depois. Também aqui, e sem as imagens que os portistas dizem ter, só mesmo as entidades competentes poderão tomar depois uma posição.

“O FC Porto vem, por este meio, desmentir de forma absoluta, clara e inequívoca os relatos tornados públicos relativamente a incidentes alegadamente ocorridos no balneário visitante do Dragão Arena, antes do jogo com o Sporting para o Campeonato, associados a supostos ‘odores intensos’. Tais insinuações são graves, abusivas e destituídas de qualquer fundamento. Perante a seriedade das alegações veiculadas, o FC Porto contactou de imediato a Federação de Andebol de Portugal, a quem negou os factos em causa, e a PSP, no sentido de que também essa entidade possa verificar imediatamente e em primeira mão que não existem condições anómalas no balneário visitante do Dragão Arena”, anunciou na altura o FC Porto. “Trata-se de uma acusação inadmissível, que atinge a reputação da instituição. Sobre as aparentes indisposições de elementos do Sporting, cumpre apenas referir que os meios de emergência foram prontamente acionados, tendo sido prestado o apoio necessário, com profissionalismo e responsabilidade”, acrescentou.

“O Sporting considera repugnantes as sucessivas ações que o FC Porto tem vindo a protagonizar nos últimos tempos. Não é possível continuar a assistir a esta sucessão vergonhosa, reiterada e deliberada de comportamentos sem que daí advenham consequências imediatas e exemplares. O Sporting considera imperativo que as instituições com responsabilidade na tutela do desporto sejam promotoras da verdade desportiva, não sendo admissível que comportamentos desta natureza. Se ainda subsistia alguma ilusão ingénua de que as práticas obscuras do passado tinham sido erradicadas, a realidade encarregou-se de a destruir de forma brutal e inequívoca. O que se verifica não é apenas uma repetição: é uma escalada refinada. Mais vil, rasteira e inqualificável. Estes episódios não são isolados nem acidentais. Revelam um padrão continuado, consciente e sistemático de desrespeito, provocação e tentativa de condicionamento”, criticou o Sporting, também em comunicado. “Isto não é apenas lamentável, é criminoso”, concluiu essa missiva.

Sporting fala num episódio surreal (mais um), FC Porto tem tudo “bem documentado”

Depois das audiências com Margarida Balseiro Lopes, ambos os presidentes falaram à (muita) comunicação social presente à porta do Campus XXI. Frederico Varandas, que teve um encontro um pouco mais longo, foi instado a pronunciar-se sobre o caso no clássico de andebol mas, à semelhança do que tinha acontecido na reunião no sétimo piso, entendeu alargar o rol de episódios a outros momentos nos últimos cinco meses.

“O tema foi muito para além desse episódio do andebol. O Sporting entendeu que era importante falar com o topo da pirâmide. Desde novembro, e falamos em cinco meses, houve vários acontecimentos que sobretudo mancham o desporto e a imagem do desporto. Foram vários exemplos. Uma das razões pelas quais quis esta reunião foi para apelar ao topo da pirâmide, que tem abaixo presidentes de Federação, de Liga… E falando de futebol: o Sporting está tranquilo porque apoiou ambos os presidentes para as suas eleições. Mas ser presidente nestas funções… Não podemos ter o objetivo de dar-nos bem com os três grandes. E esta tem sido a cultura, de nunca querer tocar nos grandes. Estes acontecimentos, e recordando os que evoquei aqui, são graves. O último é o pior porque afeta a integridade física e saúde de pessoas”, começou por dizer.

“O que se passou foi demasiado grave. Já sabemos que foi tudo uma invenção, tudo uma mentira. O treinador de andebol do Sporting encenou, o Moga encenou. A delegada ao jogo, senhora Rosa Pontes, também foi ao balneário e teve de pedir assistência, foi assistida, mas também inventou. Um colega vosso que após o repto do FC Porto foi visitar o balneário onde estava a equipa do Sporting e disse que era um cheiro incomodativo, que provocava tosse e mal-estar… Estava em Lisboa, por volta das 16h30, e começa o telefone a tocar, a dizerem-me que a equipa não queria jogar por causa do que estava a acontecer. Foi surreal. A Federação disse que havia condições, o Sporting jogou sob protesto”, comentou sobre esse caso em concreto.

“Tenho aqui umas cábulas para vos ajudar a colocar questões ao presidente do FC Porto quando ele sair do edifício. Entregava-lhe estas perguntas e também deixei isto à senhora ministra para ajudar na reunião. Vim aqui sobre cinco casos concretos. Caso de Fábio Veríssimo: se a resposta oficial do FC Porto ao Conselho de Disciplina falou de um lapso, os técnicos do FC Porto ao intervalo de um FC Porto-Sp. Braga analisam lances do Fábio Veríssimo num jogo de infantis? Pergunto também ao senhor presidente do FC Porto: já vamos com dois meses do jogo do Dragão mas o que tem a dizer sobre os apanha bolas? Ainda não ouvi. Duas toalhas do guarda-redes Rui Silva foram roubadas por apanha bolas, o que se passou? Foi dito que as colunas estavam relacionadas com uma intervenção técnica pontual mas que intervenção foi essa e porque coincidiu com um FC Porto-Sporting?. Última pergunta: o treinador Ricardo Costa, o jogador Moga, a delegada da Federação e o jornalista, estas quatro pessoas, inventaram toda esta história?”, questionou.

André Villas-Boas, que marcou presença no encontro com o diretor das modalidades do FC Porto, Mário Santos, chegou pouco depois das 17h para a reunião marcada para as 17h30, numa altura em que Frederico Varandas estava ainda nas instalações. Não houve cruzamento entre os dois presidentes, o líder do Sporting falou quando a comitiva dos dragões se preparava para iniciar o encontro. Mais tarde, após uma audiência mais curta do que a anterior, o presidente dos portistas falou sobretudo sobre o caso no clássico do andebol.

“O FC Porto foi prestar esclarecimentos sobre alegados incidentes que o Sporting alegou. O FC Porto está absolutamente tranquilo quanto a todos os factos. Foi isso que passámos à ministra, numa leitura interna, externa e extensa, desde o primeiro momento em que a porta do balneário é fechada até ao momento em que foi aberta para receber o Sporting. Estão excluídas quaisquer prevaricações com produtos de limpeza e tóxicos, bem como qualquer sabotagem interna ou externa, com a documentação toda não vá passar-se o Carnaval todo dos últimos dias. Há vários jogadores do Sporting que saem do balneário mediante as indicações do nosso diretor de segurança, bem como o treinador Ricardo Costa, que está 40 segundos dentro do balneário até que bastante mais tarde acaba por sentir-se mal com as tensões altas. Para nós custa muito ver um Dragão de Ouro prostrado no chão, com sintomas de tensões altas num dérbi, e desejamos-lhe as melhores e que se encontre em condições de dirigir o Sporting”, começou por referir Villas-Boas.

“Para nós é um conforto que tenha sido aberto um inquérito por parte do Ministério Público. Os factos e as imagens, bem como os documentos que o FC Porto tem, são muito óbvios. Desde os relatórios médicos ao auto da polícia. O único auto levantado pela polícia é uma agressão do Martim Costa a um adepto do FC Porto. A polícia já se manifestou e não há nada de anormal nas condições que o FC Porto deu ao Sporting para se equipar, nem naquele balneário nem noutro. Estamos absolutamente tranquilos. Apurados todos os factos, e arquivando isto, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting relativamente a difamação, calúnia e aos atentados contra o seu bom nome. Não só por parte do Sporting, como de alguns comentadores da comunicação social que ultrapassaram a liberdade de expressão”, anunciou. “Aquele balneário, depois de limpo no dia anterior, não voltou a ser tocado. Delegada? Tem um histórico de tensões altas… Isso está no relatório que está à nossa disposição”, voltou a dizer mais à frente nas suas declarações.

“Nem sequer houve hospitalização de elementos do Sporting. Há vários elementos que saem do balneário, há jogadores do Sporting a gozar com a situação. É esta a raridade do caso que o Sporting tentou aproveitar, tal como fez o aproveitamento das capas dos jornais quando jogou no Dragão. É lamentável esta vitimização permanente, a obrigar a ministra a ter uma reunião por causa de um caso destes. Compreendo as frustrações do presidente do Sporting, principalmente quando no seu estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro contra a cabeça dos árbitros, jogadores que assumem que um árbitro é ladrão… Compreendo as tentativas de mudar narrativas. Veio aqui fazer as figurinhas que fez, que são lamentáveis. Obrigou a ministra a reunir com os dois presidentes num caso em que o FC Porto tem provas irrefutáveis”, acrescentou, entre outros temas que foi também abordando entre as quais as questões de Varandas… que ficaram sem resposta.