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(A) :: "Há um clube que tem tido uma forma de estar miserável nos últimos cinco meses": Varandas aponta cinco casos concretos contra o FC Porto

"Há um clube que tem tido uma forma de estar miserável nos últimos cinco meses": Varandas aponta cinco casos concretos contra o FC Porto

Frederico Varandas, presidente do Sporting, foi o primeiro a ser recebido pela ministra do Desporto no Campus XXI. No final, detalhou um conjunto de questões e apontou ao modus operandi dos portistas.

Bruno Roseiro
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Um tarde, duas reuniões no Campus XXI. André Villas-Boas, presidente do FC Porto, e Mário Santos, diretor geral das modalidades dos dragões, chegaram ao local da reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e com o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias (além dos dois representantes da Federação Portuguesa de Andebol, o líder Miguel Laranjeiro e o vice e diretor executivo Miguel Fernandes) pouco depois das 17h, mas nem por isso se cruzaram com Frederico Varandas, número 1 do Sporting que tinha começado o seu encontro mais cedo, às 15h30. Assim, e quando a comitiva dos azuis e brancos já estava no piso 7, o líder dos leões falou aos jornalistas sobre o encontro, recusando limitar o âmbito do pedido aos factos no clássico de andebol e falando do “filme” dos últimos cinco meses.

“Primeiro queria agradecer a disponibilidade rápida com que a senhora ministra arranjou tempo para nos receber. O tema foi muito para além desse episódio do andebol. O Sporting entendeu que era importante falar com o topo da pirâmide. Desde novembro, e falamos em cinco meses, houve vários acontecimentos que sobretudo mancham o desporto e a imagem do desporto. Foram vários exemplos. Uma das razões pelas quais quis esta reunião foi para apelar ao topo da pirâmide, que tem abaixo presidentes de Federação, de Liga… E falando de futebol: o Sporting está tranquilo porque apoiou ambos os presidentes para as suas eleições. Mas ser presidente nestas funções… Não podemos ter o objetivo de dar-nos bem com os três grandes. E esta tem sido a cultura, de nunca querer tocar nos grandes”, começou por referir Frederico Varandas.

“Estes acontecimentos, e recordando os que evoquei aqui, são graves. O último é o pior porque afeta a integridade física e saúde de pessoas mas parece que foram episódios no setor do turismo. Estou a falar no caso do Fábio Veríssimo, do desaparecimento das bolas quando o FC Porto marcou para não haver reposição rápida, do roubo das toalhas, da colocação de colunas quando o Sporting jogou no Dragão, em que os nossos adeptos tiveram o tempo todo som para abafar cânticos que incomodava, por fim este episódio do andebol. O que constatei desde novembro, é que há silêncio total. Total. Até estava a achar piada que, quando vinha para aqui, parecia que há uma disputa entre FC Porto e Sporting. Não há quezília nenhuma, o Sporting não tem problema nenhum com nenhum clube. Há um clube que tem um modus operandi nos últimos cinco meses, que tem uma forma de estar e uma atitude desportiva que é miserável. Acho piada como se coloca tudo na mesma dimensão. Ninguém diz nada. Da Federação, nada. Da Liga, nada. E são pessoas sérias, eu sei, mas ter valores é lutar contra práticas que interferem na ética e integridade das provas”, frisou.

“Não faz parte do futebol roubar toalhas, não faz parte esconder bolas, não faz parte colocar uma armadilha na TV… Parte da comunicação social coloca isto como se houvesse uma disputa entre dois clubes, com os dois ao mesmo nível. Não é assim. O Sporting reage, eu tenho de reagir. Quem me dera não ter de falar. Mas se o presidente do Sporting não fala, fala quem? Se não for o presidente do Sporting, quem denuncia e critica isto? Apelei à senhora ministra para falar com os presidentes das federações. Adoraria dar-me bem com todos, adoraria. Mas uma das funções e basta olhar para o nosso vizinho… Em Espanha há presidentes de Liga e Federação que são muito duros. Aqui não, não se toca nos grandes. Finge-se que não acontece nada e continuamos nisto”, apontou o presidente do conjunto de Alvalade, falando depois do caso do andebol.

“O que se passou foi demasiado grave. Já sabemos que foi tudo uma invenção, tudo uma mentira. O treinador de andebol do Sporting encenou, o Moga encenou. A delegada ao jogo, senhora Rosa Pontes, também foi ao balneário e teve de pedir assistência, foi assistida, mas também inventou. Um colega vosso que após o repto do FC Porto foi visitar o balneário onde estava a equipa do Sporting e era um cheiro incomodativo, que provocava tosse e mal-estar… Estava em Lisboa, por volta das 16h30, e começa o telefone a tocar, a dizerem-me que a equipa não queria jogar por causa do que estava a acontecer. Foi surreal. A Federação disse que havia condições, o Sporting jogou sob protesto”, recordou, antes de visar de novo o FC Porto.

“Tenho aqui umas cábulas para vos ajudar a colocar questões ao presidente do FC Porto quando ele sair do edifício. Entregava-lhe estas perguntas e também deixei isto à senhora ministra para ajudar na reunião. Vim aqui sobre cinco casos concretos. Caso de Fábio Veríssimo: se a resposta oficial do FC Porto ao Conselho de Disciplina falou de um lapso, os técnicos do FC Porto ao intervalo de um FC Porto-Sp. Braga analisam lances do Fábio Veríssimo num jogo de infantis? Pergunto também ao senhor presidente do FC Porto: já vamos com dois meses do jogo do Dragão mas o que tem a dizer sobre os apanha bolas? Ainda não ouvi. Duas toalhas do guarda-redes Rui Silva foram roubadas por apanha bolas, o que se passou? Foi dito que as colunas estavam relacionadas com uma intervenção técnica pontual mas que intervenção foi essa e porque coincidiu com um FC Porto-Sporting?. Última pergunta: o treinador Ricardo Costa, o jogador Moga, a delegada da Federação e o jornalista, estas quatro pessoas, inventaram toda esta história?”, questionou.

“A coisa que nos separa mais não é o ganhar ou perder nem ser o verde ou azul, é a forma de estar na vida. No outro dia vi a declaração do treinador Farioli, a mais acertada que já o ouvi dizer: ‘Não é por falar em ética que estamos no topo da ética’. Subscrevo a 100%. Palavras todos temos, o que conta são os atos e os gestos. O que conta é que no último jogo em Alvalade, quando o Sporting estava a ganhar 1-0, a equipa do senhor Farioli teve as bolas todas, o guarda-redes Diogo Costa, quando foi preciso, tinha lá as suas toalhas, os adeptos do FC Porto não levaram com colunas, o árbitro do jogo não levou com vídeos dos jogos de infantis. Mais do que as palavras são os gestos. Quem faz o contrário, é ter falta de ética e cultura desportiva”, disse.

“Declarações de Paulo Bento sobre o VAR ter ajudado o Sporting? Ajudou muito, ajuda muito desde que funcione e não esteja desligado como em alguns campos. Mas o que gostaria que ficasse claro, agarrando no que nos separa, é que há um mundo que nos separa a mim e ao atual presidente do FC Porto. Temos uma coisa em comum: ambos somos presidentes e temos de tomar ‘n’ decisões ao longo do dia. E tenho a certeza que muitas das que tomo, umas são corretas, outras mais ou menos e outras erradas. Mas há uma coisa que nestes oito anos de presidência sei: quando chego a casa, tenho a consciência tranquila que não traí os valores do Sporting, não envergonhei os sócios do Sporting. E uma coisa mais importante: não envergonhei quem educo em casa”, concluiu Frederico Varandas, que recusou depois tecer comentários sobre outros temas ligados com o clube como a questão do mercado de transferências no próximo verão.