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ERSE propõe subida do preço do gás de 6,3% a partir de outubro

A proposta do regulador prevê uma subida do preço do gás no mercado regulado de 6,3% a partir de outubro. No mercado livre, os preços devem subir 2,3% devido ao aumento das tarifas de acesso.

Ana Sanlez
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O preço do gás natural deverá aumentar 6,3% no mercado regulado a partir de outubro. É esta a proposta da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), revelada esta terça-feira, e que se aplicará a cerca de 437 mil consumidores. A confirmar-se esta subida, as famílias sentiriam uma subida na fatura mensal entre os 0,89 e os 1,58 euros durante um ano.

A ERSE estima que a fatura mensal de um casal sem filhos que esteja no primeiro escalão de consumo (1610 kWh/ano) ronde os 17,36 euros. Já um casal com dois filhos no segundo escalão de consumo (3407 kWh/ano) terá uma fatura média mensal de 32,49 euros. “Com esta proposta tarifária, as tarifas de venda a clientes finais observam uma variação média anual de +5,3% num período de cinco anos”, nota o regulador.

A proposta apresentada pela ERSE também prevê um impacto para os consumidores que estão no mercado livre, devido ao aumento da tarifa de acesso às redes que “implicará aumentos médios de 0,17 cêntimos de euro por kilowatt-hora”, sendo que “o impacte médio da variação das tarifas de Acesso às Redes nos preços de venda a clientes finais do mercado livre corresponde a um aumento de 2,3%”. 

O regulador explica que a variação das tarifas resulta, por um lado, do aumento dos custos de aquisição do gás natural e, por outro, do aumento das tarifas de Acesso às Redes “devido ao efeito da procura de gás e ao incremento do nível de investimento”. No que toca ao aumento dos custos de aquisição do gás, “este preço subiu fortemente após o ataque militar lançado, no passado dia 28 de fevereiro, pelos Estados Unidos da América e por Israel contra o Irão, provocando igualmente um contexto de forte redução na oferta de combustíveis fósseis, que aumenta a complexidade do exercício de previsão dos preços do petróleo e, consequentemente do gás natural” para os comercializadores de último recurso (CUR).

“Qualquer previsão elaborada neste momento está assim sujeita a um nível de incerteza elevado, dado que a evolução futura dos preços dependerá, em larga medida, de variáveis geopolíticas de difícil antecipação: a duração do conflito, a reabertura do Estreito de Ormuz, o nível de danos permanentes nas infraestruturas energéticas da região, a eficácia das libertações de reservas estratégicas e a resposta dos restantes produtores de petróleo em termos de aumento de produção e transporte por vias alternativas”, nota a ERSE.

O regulador assegura que “irá acompanhar de perto a evolução das condições de mercado e dos desenvolvimentos geopolíticos no período que antecede a publicação definitiva das tarifas, em junho, avaliando a necessidade de rever as previsões agora apresentadas”.

A decisão final da ERSE relativa às tarifas do gás será tomada até 1 de junho e as novas tarifas e preços para o gás natural vigorarão a partir de 1 de outubro.