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(A) :: Fornecedores não eram responsabilizados por avarias em escadas e elevadores do Metro de Lisboa. Modelo de manutenção foi alterado

Fornecedores não eram responsabilizados por avarias em escadas e elevadores do Metro de Lisboa. Modelo de manutenção foi alterado

Avarias em escadas rolantes e elevadores do Metro de Lisboa são um problema crónico. Nova gestão da empresa aponta falhas à manutenção que não responsabilizava os fornecedores e mudou o modelo.

Ana Suspiro
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A manutenção das escadas rolantes e elevadores do Metropolitano de Lisboa é um “problema crónico”, reconheceu a presidente da empresa, o que levou a atual gestão a introduzir várias mudanças ao modelo que estava ser aplicado no passado.

Cristina Vaz Tomé explicou esta terça-feira no Parlamento que a taxa de avarias nestes equipamentos era de 4% em 2019. Essa taxa disparou para 14% nas escadas e 24% nos elevadores em 2024, mas apesar desse aumento a empresa não fez nada. Isto porque o tipo de contrato feito não previa penalizações para o fornecedor dos equipamentos ou serviços de reparação. Ou seja, exemplificou, um prestador de serviço resolvia uma avaria e se no dia seguinte o equipamento voltasse a avariar não era penalizado.

A gestora que está à frente do Metro de Lisboa há três meses criticou o modelo de manutenção que encontrou na empresa de transportes, referindo que não havia diálogo entre a área que compra as peças e a área que faz a manutenção. A área de compras estaria orientada para obter o preço mais baixo e não havia um diálogo para se encontrar a solução mais adequada à manutenção. Este modelo de contrato foi revogado, tendo sido lançado um procedimento em que a compra de peças ou equipamento está associada à sua manutenção, explicou Cristina Vaz Tomé aos deputados.

A atual administração entrou em funções em janeiro deste ano. Durante seis meses, o Metro de Lisboa só teve dois administradores em funções e esteve mais de um ano sem presidente.

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A presidente do Metro reconhece que existe um problema crónico que só será ultrapassado com a substituição do equipamento obsoleto, mas até lá é preciso melhorar a manutenção.

As avarias nas escadas rolantes e elevadores são recorrentes e constituem uma das principais queixas dos utentes do Metro de Lisboa, em particular quando os acessos à superfície são mais longos, como é o caso da estação da Baixa Chiado.

Nas 56 estações da rede do Metropolitano de Lisboa existem 121 elevadores, 234 escadas mecânicas e 10 tapetes rolantes. A empresa é responsável por um dos maiores parques nacionais de equipamentos mecânicos de transporte e elevação de pessoas, com uma intensidade de utilização de cerca de 18 horas diárias, em todos os dias do ano.

Em 2024, o Metro de Lisboa apontava as dificuldades na gestão destes equipamentos de diferentes gerações tecnológicas, diferentes marcas comerciais e que estão em estágios diferenciados do seu ciclo de vida. E afirmava ser “recorrentemente confrontado com dificuldades ao nível da resposta das empresas contratadas e responsáveis pelos serviços de assistência e manutenção quer em termos de recursos humanos e competências técnicas quer de disponibilidade de peças e equipamentos de substituição.”

Cristina Vaz Tomé foi ainda confrontada pelos deputados com a baixa frequência de composições do metro durante as horas de maior procura com tempos de espera superiores aos que eram praticados no passado. A gestora reconhece que estas demoras não são aceitáveis, mas explica que se devem à opção já tomada no passado de concentrar parte da manutenção de longo prazo num período de tempo limitado, o que leva a que se verifiquem supressões. E estima que a situação seja ultrapassada a partir de maio.