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O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou esta terça-feira que os próximos dias da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão “serão decisivos”, recusando descartar o envio de tropas para território iraniano.
“Os próximos dias serão decisivos. O Irão sabe disso e praticamente não há nada que possa fazer militarmente a esse respeito”, declarou Hegseth numa conferência de imprensa no Pentágono (Departamento de Defesa).
O responsável, que revelou ter visitado recentemente tropas norte-americanas destacadas no conflito, afirmou que “nas últimas 24 horas, houve o menor número de drones e mísseis inimigos lançados pelo Irão”.
De acordo com Pete Hegseth, as negociações com o Irão para pôr fim à guerra estão a intensificar-se.
“Estas conversações são muito reais, estão em curso, estão ativas e — acredito — estão a ganhar impulso”, sustentou.
Os Estados Unidos indicaram que existe um diálogo com o Irão sobre os termos destas negociações, um “novo desenvolvimento produtivo”, segundo Hegseth. “Não queremos ter de fazer militarmente mais que o necessário. Mas não o disse de ânimo leve quando afirmei que, entretanto, negociaremos com bombas”, sublinhou.
O secretário da Defesa norte-americana recusou-se também de novo a excluir a possibilidade de enviar tropas norte-americanas para território iraniano. xfbo”Não vamos descartar nenhuma opção. Não se pode travar e ganhar uma guerra se se disser ao adversário o que se está preparado para fazer, ou não, incluindo tropas terrestres”, argumentou.
“O nosso adversário pensa atualmente que existem 15 formas diferentes de o atacar com tropas terrestres. E sabem que mais? Tem razão”, acrescentou.
Ao seu lado, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, afirmou que os Estados Unidos atingiram “mais de 11.000 alvos” nos últimos 30 dias.
Sobre a circulação no Estreito de Ormuz, o chefe do Pentágono indicou que um número crescente de embarcações está a atravessá-lo, após as ameaças do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao Irão.
Alertou também os países que dependem daquela rota petrolífera de que devem preparar-se para “tomar uma posição” e assumir a sua responsabilidade.
“Há muito mais navios a transitar hoje que antes, conforme ordenado pelo Presidente. O Presidente (Trump) foi claro com o Irão: abram a via navegável ao comércio ou temos outras opções – e é claro que as temos”, afirmou.
Hegseth insistiu que, desde o início da guerra travada ao lado de Israel contra a República Islâmica, se têm concentrado em “desgastar e derrotar” a capacidade de lançar mísseis balísticos da Marinha iraniana para “limitar as suas opções”.
“O Presidente (Trump) foi claro na sua mensagem desta manhã ao afirmar que há países em todo o mundo que também devem estar preparados para tomar uma posição nesta via navegável fundamental. Não é uma tarefa exclusiva da Marinha dos Estados Unidos”, declarou.
Antes da conferência de imprensa de Hegseth, Trump apelou, na sua rede social, Truth Social, aos países que se recusaram a juntar-se à sua ofensiva militar contra o Irão para agirem “com coragem” e “tomarem” o Estreito de Ormuz.
“O Irão já foi essencialmente aniquilado. A parte mais difícil já passou. Vão buscar o vosso petróleo”, instou.
Trump sugeriu que Washington não tem tanto interesse em abrir o Estreito de Ormuz, que Teerão fechou ao tráfego marítimo vital do Golfo Pérsico, porque está menos dependente do crude procedente daquela região.
De acordo com o secretário da Defesa dos Estados Unidos, “o mundo deve prestar atenção e estar preparado para se manter firme”, pois, como sublinhou, “este não é um problema exclusivo dos Estados Unidos daqui em diante”, embora Washington tenha tomado a maioria das medidas “para garantir que o estreito se mantém aberto”.
Hegseth voltou a destacar o êxito da operação militar conjunta com Israel contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro, na qual realizaram cerca de “200 ataques dinâmicos” só na segunda-feira.
“As informações mais recentes do Comando Central são inequívocas: os nossos ataques estão a minar o moral das Forças Armadas iranianas, causando deserções em massa e escassez de pessoal essencial, além de gerar frustração entre os altos comandantes”, declarou o chefe do Pentágono.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos – entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani – e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.
A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situa o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.492, entre as quais 1.574 civis.